Linguagem Inclusiva
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Linguagem inclusiva: Diversidade na prática para UX  

Em tempos de hipermídia e conteúdo textual consumido a todo tempo, muito se discute sobre linguagem inclusiva, neutra e maneiras de abraçar as minorias em textos ou peças publicitárias. Fique até o final e descubra qual é a dessa nova tendência nas redações

No ambiente digital, o foco dos produtos é sempre garantir uma boa percepção por parte de seus usuários e clientes, sempre se atentando às demandas, bem estar, conforto e solução de problemas. Na contramão desse princípio, temos uma sociedade que, infelizmente, ainda reproduz estigmas relacionados a gênero e orientação sexual. Uma das maneiras de reforçar esses preconceitos é por meio da linguagem usada na comunicação dos produtos digitais, abrindo espaço para experiências preconceituosas e excludentes: o oposto do ideal proposto pelo conceito de User Experience

Pensando nisso, separamos abaixo algumas dicas para uma linguagem inclusiva e diversa para quem trabalha direta ou indiretamente com produtos digitais

Uma linguagem inclusiva é aquela que tem como objetivo a não exclusão de qualquer pessoa ou grupo. A comunicação escrita pode – e deve – ser uma ferramenta de inclusão e diversidade, por isso é possível usar a linguagem, seja em UX Writing, Design, Redação e outros, para quebrar estigmas e mostrar novas formas de comunicação.

Como adotar a linguagem inclusiva e plural? 

A língua portuguesa, assim como o espanhol, por exemplo, traz indicadores de gênero a todo tempo. Isso quer dizer que mudamos a forma como escrevemos ou falamos algumas palavras do nosso idioma de acordo com o gênero da frase. Existem vários meios pelos quais você pode chegar em um texto mais abrangente. Uma dessas formas é trocar os indivíduos pela coletividade. Exemplo: 

  • Os jovens designers da dti foram responsáveis pela entrega. 

Observe que, na frase acima, o artigo “os” é flexionado no masculino. Sugestão:

A juventude de designers da dti foi responsável pela entrega. 

  • Os diretores da Scale Up são canadenses. 

Assim como no primeiro exemplo, há a possibilidade de transformar o sentido da frase. Sugestão:

A direção da Scale Up é canadense. 

  • Os estagiários do marketing são animados 

Esse exemplo também pode ser trocado por uma palavra feminina e que seja um coletivo. Sugestão: 

A equipe de estágio do marketing é animada.

Estes são apenas alguns casos em que o uso do coletivo no feminino pode trazer bons resultados para sua comunicação escrita e até mesmo verbal. Outra maneira de otimizar a linguagem é a mudança nos tempos verbais das frases. 

Uma pesquisa publicada pela revista espanhola “Psyscience” registrou que um grupo de pessoas foi perguntado sobre “Quais foram seus artistas favoritos no show”, e as respostas foram, em sua maioria, artistas homens. Ao mudar a estrutura das perguntas e dizer “Quais foram seus artistas favoritos e favoritas no show?”, as respostas registraram mais respostas com artistas mulheres. 

O estudo mostra a importância da inclusão e da diversidade na comunicação, uma vez que até a nossa linguagem vem carregada de pensamentos excludentes. Outra forma de enxergar os resultados do estudo é como uma forma disruptiva de quebrar barreiras, pois ele explicita os benefícios de uma linguagem plural com argumentos palpáveis.

Linguagem Inclusiva

Conheça seu produto e a quem ele se dirige

Para se ter uma boa relação com clientes, stakeholders, personas, etc, ter empatia é essencial. Esse sentimento de “sentir pelo outro” é definitivo na hora de definir uma persona ou um colaborador ideal. A partir deste ponto, a linguagem inclusiva flui de maneira natural na comunicação: a empatia é um ótimo catalisador de relações plurais, sobretudo quando se conhece o produto oferecido e quem o consome. 

Ao abordarmos o conceito de “produto” no contexto de linguagem inclusiva, queremos trazer uma visão prática para a comunicação do dia a dia. Se sua organização vende cursos de informática para garotas, por exemplo, é necessário ter em mente que seu produto se dirige a meninas que tenham entre 16 e 20 anos, estudantes de informática, que moram na região metropolitana de Belo Horizonte, etc. Assim, é preferível uma comunicação que aborde os plurais, em sua maioria, no feminino. 

O exemplo de um produto com personas previamente definidas é apenas um dos fatores que deixam a linguagem inclusiva mais exequível. Essa é uma dica que facilita uma comunicação que não exclui ninguém no processo de comunicação (newsletters, emails, whatsapp, etc), desde o primeiro contato da venda – topo de funil – até o momento da compra definitiva – fundo de funil. 

Linguagem Neutra ou inclusiva?  

Outra dúvida de qualquer pessoa que escreve na segunda metade do século XXI é sobre a linguagem neutra, uso de pronomes neutros e símbolos que substituem marcadores de gênero. Bom, essa dúvida de fato é relevante, pois ela nos leva a uma discussão sobre machismo, homofobia, etc. 

Para ilustrar a discussão a qual abordamos acima, trouxemos o pronome pessoal “ela”, que poderia ser substituído por “elo”. Assim, a marcação de gênero, na teoria, não seria tão importante e incluiria qualquer identidade de gênero um um mesmo pronome. Outro exemplo é o pronome possessivo “dele”, que poderia ser substituído por “delo”. Assim como na primeira ilustração, a intenção é ser inclusivo, mas falar de linguagem é falar de costumes, aprendizados culturais e acesso à educação e estudos sobre preconceito linguístico. 

Como vivemos em um sistema que é historicamente construído para excluir pessoas, essa é uma discussão de extrema relevância. Entretanto, precisamos pensar, primeiramente, que a língua é viva e ela não se resume a norma culta/padrão, segundo em como as pessoas que não têm acesso às salas de aula ou sequer ao conteúdo gramatical básico, irão se comunicar usando pronome neutro: e é neste ponto que falamos sobre inclusão. 

Linguagem Inclusiva

É relevante sabermos que algumas discussões são feitas dentro de bolhas, as quais devem ser furadas, mas também lembramos que leva um tempo até que o efeito desse furo chegue em outras pessoas. Resumindo, usar “Delo”, “Elo” ou “Acostumade” é, na teoria, inclusiva, mas que nem sempre comunica com outras camadas da sociedade, por isso ela perderia seu apelo inclusivo. 

O uso de símbolos também pode ser excludente no que diz respeito às PcDs (Pessoas com Deficiência), pois, ainda, as inteligências artificiais não sabem ler “@” para pessoas que não conseguem ler. Exemplo: 

  • Tod@s devem comparecer ao encontro das 19h.

A leitura acessível dessa sentença acima seria impedida pelo @, que não seria pronunciado pelo celular ou computador de pessoas que precisam desse recurso.  

Acessibilidade atrelada à linguagem inclusiva

Além da linguagem inclusiva e pluralidade no contexto de UX, precisamos falar sobre acessibilidade. A transformação digital – felizmente – trouxe muitos PcD para o contexto de integração online, mas, ainda assim, muitas plataformas de comunicação não se adaptaram para receber essas pessoas. Por isso, falar de inclusão e User Experience, é também falar sobre adequar conteúdos publicados ao contexto dessas pessoas. 

Essa pluralidade do conteúdo para PcDs pode ser feita por meio da geração automática de legendas, facilitando o consumo do conteúdo para pessoas com dificuldade auditiva. Os assistentes de voz – e não, não é a Alexa – também são boas ferramentas de leitura para pessoas que não conseguem ler. Por isso é necessário adicionar descrição de imagens ou textos alternativos em publicações, pois é por meio dela que as Inteligências artificiais farão a descrição do material para a pessoa que ativar tal função. 

A World Wide Web Consortium (W3C) e a Internet Engineering Task Force (IETF) criaram uma cartilha de acessibilidade na Web. Ela serve como um guia para pessoas que produzem conteúdo digital, seja em blogs ou nas redes sociais, então vale a pena conferir as dicas e ferramentas gratuitas disponíveis para ativar a acessibilidade em seu negócio. Acesse o conteúdo clicando aqui

Sempre se questione, pergunte e critique 

Falando em cartilhas e links úteis, é importante trazermos à tona a cartilha disponibilizada pelo Conselho da União Europeia para uma linguagem inclusiva. O documento aborda insights como os abordados neste artigo, além de um conteúdo mais técnico e diplomático sobre a democratização dos espaços cibernéticos. Você confere o documento oficial clicando aqui.

Assim como organizações mais tradicionais já se atentaram à necessidade de inclusão das minorias – que não dizem respeito aos números, mas, sim, às representações sociais de um grupo –, precisamos nos atentar aos textos e comunicações de maneira que eles não excluem. Se criticar e questionar é parte do processo: revise termos empregados, veja se eles não excluem grupos sociais e tente procurar sinônimos femininos ou neutros que podem substituir, assim como mostrado nos tópicos acima!  

Gostou do conteúdo? A discussão continua em nosso podcast, Os Agilistas. Escute ele em sua plataforma de áudio preferida – ou assista, se você preferir o YouTube – e fique por dentro de discussões sobre o contexto digital. Fatores sociais são constantemente debatidos pelas pessoas que convidamos e também pelos nossos anfitriões, Vinícius Paiva e Marcelo Szuster. Te esperamos lá! 

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