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Diurno

RH ágil: como se adaptar em tempos de crise

Estamos vivendo uma situação inédita para muita gente. E, nesse momento você tem duas opções: ou pensar apenas pelo lado negativo e ficar desmotivado com a quantidade de oportunidades que foram perdidas pela sua empresa, os planos que foram cancelados, as pessoas que tiveram que ser desvinculadas ou valorizar o lado positivo e usar o seu tempo para desenvolver planos que estavam no papel, refletir quais podem ser os aprendizados da sua empresa, buscar um propósito que fortaleça seu time. Se você vem escolhendo a segunda opção, é importante ter uma coisa em mente para fazer o seu otimismo virar ações concretas: independente do setor que a sua empresa atue, a orquestra só vai dar um show se todos os instrumentos estiverem afinados. Pessoas são o recurso essencial para toda empresa e por isso estamos aqui discutindo o papel do RH ágil nesse momento de crise. A intenção dos nossos artigos nunca é apenas ensinar, mas criar uma situação de troca, compartilhamento para que cada leitor reflita e aplique as discussões do artigo em sua própria realidade.

Uma breve reflexão 

Começaremos com uma reflexão sobre o fenômeno do isolamento social em si. Segundo a Psicologia do Desenvolvimento, o indivíduo é composto por 4 aspectos interligados: biológico, psicológico, social e ambiental. E, todos esses aspectos estão sendo comprometidos pelo isolamento: 

  1. o biológico está sendo abalado pela quantidade de informações vindas de todos os lugares. Isso pode gerar ansiedade, falta ou excesso de sono e fome e alterações nas funções fisiológicas do corpo humano. 

  2. o psicológico está sendo atingido por uma espécie de luto, sentimento de interrupção das relações e situações presenciais com nossos parentes, amigos, colegas de trabalho e também o “luto inerente” (aquele medo que sentimos com a possibilidade de perdermos alguém a qualquer momento). 

  3. já o aspecto social está sendo comprometido pela alteração nas relações com outras pessoas; muitas pessoas estão redescobrindo o ambiente doméstico, seja trabalhando em casa com os outros familiares, seja ficando em casa sozinho. Independente da situação, a impossibilidade de sair na rua acaba nos fazendo conviver e pensar mais em nós mesmos, o que pode ser um grande desafio. 

  4. e, o último aspecto, ambiental, está sendo alterado pelas mudanças que o mundo todo está vivendo.  Milhares de demissões, negócios fechados, diminuições de renda, possibilidade de adoecer, todas essas preocupações de um futuro que ainda não conhecemos.  

Tendo em vista tais alterações sistêmicas nas pessoas, qualquer decisão que as empresas tomarem, seja de diminuir carga horária, reduzir times, realocar pessoas, tem influência não só para um colaborador específico e para o cliente, mas para o resto do time, para todas as famílias envolvidas, para os negócios das famílias e pessoas desses negócios. Sendo assim, eu posso usar esse isolamento social para realmente me isolar dos meus colegas de trabalho e tomar decisões frias e racionais que não leve em conta os envolvidos ou eu posso trabalhar de forma colaborativa pensando em formas razoáveis de gerar o menor prejuízo possível.

RH ágil

Como o RH ágil pode agir nesse momento?

É o momento do RH ágil identificar e exaltar o valor do grupo, perceber potenciais dificuldades e resolvê-las em conjunto. A empresa inteira está sentindo a pressão individualmente e coletivamente e o que pode aliviar esse sentimento é estabelecer a confiança no time.

É importante que todas as ações que forem ser feitas pelo Recursos Humanos terem um único objetivo: fortalecer o sentimento de unidade e a segurança psicológica. As empresas são vivas, orgânicas e esse é o sentimento que vai alimentar a engrenagem do negócio. É importante empoderar seus colaboradores. E você não vai transmitir esse poder 

sendo arrogante e colocando sua posição acima de tudo, vai empoderá-los a partir do conhecimento que você construiu até hoje. Esse conhecimento deve ser formado a partir do seu feeling com seus times. Ao trabalhar com pessoas, é imprescindível você conseguir perceber e mensurar sentimentos e percepções sem uso de tanta técnica e processos. É o momento de dar ouvidos a esse feeling. Vamos às posturas que o RH pode tomar nessa situação:

  • Juntos internamente:

Assim como todos os setores de uma empresa, o RH não pode ter olhares segmentados. Assim como é importante olhar para os outros países e perceber como eles se afetam com a pandemia, é essencial que o RH olhe para as ações do resto da empresa e tenha um trabalho conjunto com todas elas. Ter um contato próximo com a área comercial e de planejamento para analisar como está a situação da empresa agora e o que podem fazer para antecipar ou evitar o colapso pode ser uma boa ideia. Conseguir se antecipar é muito importante e você só vai conseguir fazer isso se participar dos momentos de decisão das outras áreas. Fica impossível o RH ágil trabalhar sozinho e fazer mudanças sem o suporte de todos.

  • Juntos externamente:

Esse é um momento muito rico para o aprendizado e uma boa forma de alimentar o seu conhecimento é fazendo benchmarking. Procure empresas do mesmo segmento da sua e pergunte como o RH está lidando com essa situação, quais ações estão fazendo, como estão se posicionando, o que vem dando certo e o que já perceberam que não funciona. Também procure empresas e profissionais que você admire e não necessariamente lidam com o mesmo nicho de mercado que o seu, afinal de contas, RH lida com pessoas e pessoas estão em qualquer nicho. Pesquisar e conhecer novas soluções ativam nossa criatividade e pode nos ajudar a desenvolver boas estratégias para o nosso negócio. Agora é a hora da colaboração entre empresas e não da competitividade. Se o mercado se fortalecer junto, todos sairemos ganhando.

Estando bem alinhado com todas as outras áreas da empresa e atento às ideias de outras empresas, como o RH deve traduzir essas informações em posicionamentos internos?

1- As dores da minha organização:

Você precisa saber exatamente o que falta e o que não está bom para os seus colaboradores. E, para isso, existem muitos caminhos desde ferramentas até feedbacks dos líderes e dos times. Rode formulários com perguntas amplas e específicas, incentive os líderes a conversar com os liderados e perceber gaps que podem ser melhorados, faça rodas de conversa com pessoas de diferentes áreas. 

Depois, pense nos motivos dessas dores. Identificar os perfis de cada indivíduo no time e qual a performance de cada um nessa situação pode ser o primeiro passo. É importante saber como cada um trabalha individualmente, as dificuldades técnicas e sociais, e também como o time trabalha coletivamente, as queixas gerais e a relação entre as pessoas.

2- Dando analgésicos para essas dores:

Também é responsabilidade do RH ajudar a encontrar soluções para essas dores ou achar possíveis oportunidades diante dessa situação. É essencial criar ações internas que fortaleçam a unidade do grupo de acordo com as dores e os perfis identificados. E, mais uma vez, o RH não vai fazer nada sozinho. É preciso estar muito conectado com os líderes. Eles estão preparados para assumir times remotos e para lidar com as não entregas? Estão fortes para enfrentar suas próprias angústias e as dos outros? Os líderes estão tomando muitas decisões importantes sobre demissões, recursos, repriorização, realocação e também merecem bastante atenção.

Do outro lado estão os liderados, precisando de um norte, de uma figura que os dê segurança e os motive.

Se for necessário reestruturar algum time, o RH vai lidar em conjunto com o líder para amparar os colaboradores e explicar o que foi pensado. Se for o caso de ter que motivar um colaborador, o RH vai atuar percebendo se o problema é no próprio indivíduo ou no trabalho com o time, por exemplo. O RH pode identificar isso em uma conversa por telefone, uma ação rápida e sem recursos financeiros. Às vezes, o problema do time é com o próprio líder. O RH pode promover dinâmicas coletivas virtuais para dar espaço para o time citar o que poderia ser melhorado. 

Independente do caso, é essencial que o RH ágil traga a transparência para as ações. Incentivar os líderes a falar a verdade com seu time, a explicar o motivo de cada ação e o planejamento real dos próximos passos. Isso vai demonstrar confiança e vulnerabilidade, fortalecendo a unidade.

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Dito tudo isso, não existe uma receita de bolo para as formas nas quais o RH ágil deve interferir nos times e muito menos como deve lidar com as pessoas. Essas ações dependem muito da realidade da empresa, da identidade das pessoas e da visão da própria empresa. Afinal, estamos lidando com pessoas! Conheça os seus colaboradores, identifique seus problemas, desenvolva ações e avalie resultados. Mas importante: as intervenções não podem demorar! Aja! Reaja! Por onde começar? Ouça esse episódio de Os Agilistas, maior podcast de transformação digital, sobre adaptação de empresas nesse momento de crise. E dê uma olhada em algum de nossos Ebooks exclusivos sobre agilidade.

liderança ágil nos agilistas