Trajetórias negras
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Trajetórias negras no contexto digital e no agilismo

Rodrigo Assis

Rodrigo Assis

Product Manager na dti digital

Quando falamos do contexto digital e trajetórias negras no agilismo, temos algumas pré-concepções de falarmos sobre times anti-frágeis, multidisciplinares, criativos e com várias outras características positivas. Nenhuma dessas concepções são errôneas, mas te convido a pensar que talvez, elas sejam incompletas se não analisadas em suas diferentes faces, e uma delas, é a face da diversidade e inclusão de pessoas negras.

Na última década, o mercado de tecnologia da informação teve um aumento de 70% no número de contratação de pessoas, mas, em contrapartida, apenas 2,8% deste mercado é formado por pessoas negras e 20,5% por pardas (dados de 2019). 

No dia a dia da área, temos uma realidade em que em 68,5% dos casos, as pessoas negras representam um máximo de 10% das pessoas nas equipes de trabalho em tecnologia, segundo aponta uma pesquisa da Preta Lab em parceria com a Thoughtworks de junho de 2019. Também, em 32,7% dos casos, não há nenhuma pessoa negra nas equipes de trabalho em tecnologia, o que deveria nos servir de alerta quando contrapomos o dado aos 54% da população negra no Brasil.

Falando ainda através de números, a população negra representa 64,2% dos 13 milhões de desempregados no Brasil e 66% dos subutilizados (Segundo o IBGE, é considerado subutilizado todo aquele que está desempregado, que trabalha menos do que poderia, que não procurou emprego, mas estava disponível para trabalhar ou que procurou emprego, mas não estava disponível para a vaga). Além disso, os negros somam 75,2% do grupo formado pelos 10% mais pobres da população.

As consequências do racismo estrutural na TI

Como consequência a persistência do racismo na sociedade brasileira, todo esse triste recorte do cenário tecnológico brasileiro vem da estrutura básica do nosso país, sendo preciso, para compreender, dar um passo atrás e verificar como ocorre a formação dos negros no Brasil para a entrada neste mercado: 

Segundo pesquisa do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), em 1992, apenas 1,5% dos jovens negros cursavam o ensino superior. Em 2015, essa taxa pulou para 12,5%, constituindo 50% em relação à taxa dos jovens brancos cursantes no ensino superior (razão que era de apenas 20,6% em 1992). Esse, ainda não é o número que reflete a realidade da composição da nossa sociedade, mas tem contribuído, ainda que lentamente, para enegrecer o cenário digital e agilista que conhecemos.

Hoje, sou Gerente de Produto aqui na dti e ocupo uma posição que muitas vezes me perguntei em ocupar por não ter tido um grande quadro de referências durante a minha trajetória. Fiz curso de técnico em informática, posteriormente me formei em sistemas de informação, mas não tive muitas referências de profissionais ou professores negros nessa jornada profissional, principalmente após a entrada na área de Produtos. Hoje, entendo que sou exceção e represento através do cargo que ocupo, uma possibilidade para que outros profissionais negros possam sonhar em trilhar uma carreira na área tecnológica. 

Trajetórias negras na tecnologia

Precisamos aumentar o protagonismo e incentivar as trajetórias negras nos nossos times tecnológicos e o primeiro passo para chegar lá, é reconhecer que este cenário ainda não existe na maioria desses espaços e dar recinto para que não cometamos os erros passados de apagar homens e mulheres negras que alcançaram grandes conquistas no cenário tecnológico e de inovação. Precisamos expandir nosso olhar.

O racismo no algoritmo 

Quando falamos em apagar homens e mulheres negras, temos um novo paradigma com o advento da inteligência artificial: os algoritmos racistas. Não estamos falando apenas de não reconhecer ou esquecer a trajetórias negras, mas estamos conversando de um novo contexto onde literalmente estas pessoas são apagadas

Na inteligência artificial, algoritmos são criados para orientar a máquina a processar (abstraia aqui como pensar) de forma autônoma. Isso permite que agora as máquinas não somente apoiem aumentando a performance das operações que podem ser feitas por elas em muito menos tempo do que por humanos, mas também que possam compreender contextos e propor soluções para os diversos problemas do cotidiano a partir de análises e definições que ela mesmo concebeu de forma autônoma. 

Para permitir esse auto processamento, a máquina precisa ser treinada e “ensinada” por humanos e por dados que estes humanos que as criam, fornecem. Como falamos aqui, menos de 3% da área de tecnologia no Brasil é formada por negros e essa discrepância não é incomum no restante do mundo. Com a persistência do racismo na sociedade brasileira, temos um retrato comum de homens brancos, héteros e de classe social média ou alta programando algoritmos a como reconhecerem e processarem os dados que recebem. 

O resultado de tudo isso pode ser percebido por casos que vemos divulgados na imprensa como: 

E poderiam ser citados outros exemplos. Este é um retrato que mostra o grande impacto negativo que a falta de profissionais e sua representatividade na construção de soluções podem causar na sociedade.

Trajetórias negras na tecnologia

Trajetórias negras no contexto digital e agilismo

Incentive pessoas negras a ingressarem no mercado de TI  e contribuírem com a revolução digital que o agilismo já tem proporcionando ao mercado. Existem várias comunidades e programas de incentivos ao ingresso de pessoas negras no mercado de TI que você pode seguir, acompanhar e apoiar. Veja algumas trajetórias negras que podem te inspirar:

Preta Lab – https://www.pretalab.com/

Afropython – https://afropython.org/

UX para minas pretas – https://www.linkedin.com/company/uxparaminaspretas/

Kilombo Tech – https://www.instagram.com/kilombotech/

Mais Diversidade – https://maisdiversidade.com.br/

ID_BR – Instituto Identidades do Brasil – https://www.linkedin.com/company/id_br/

Engajafro – https://www.linkedin.com/company/engajafro/

Além disso, já temos grandes nomes dentro mercado que também valem a pena ser acompanhados. Seja para conhecer a trajetória deles, quanto para tentar “incentivar” o algoritmos da sua rede social, a te mostrar mais perfis e conteúdos relacionados às trajetórias negras (afinal, a tecnologia não é neutra). Veja algumas referências:

Ariel Thamara (Growth Hacker na dti digital) – link

Diego Pinheiro  (Product Designer | UX Mentor @ dti digital) – Link

Tayná Brandão (ela/dela) (Tech Recruiter | RH Ágil | Diversidade e Inclusão) – link

Nina Silva  (CEO Movimento Black Money & D’Black Bank | Board Member | Innovation & Tech Executive | Forbes Women | Most Influential People Of African Descent | Influencer LinkedIn | Advisor | Colunista MIT Sloan Review) – link 

Nara Bispo  (Psicóloga | Tech Recruiter | RH ágil | PCD) – link

Wenderson Enock (Ele / Dele) (Agile Strategist & Product Designer | CSPO) – link

Janaína Lopes  (Coordenadora de Projetos Digitais | Gestão 3.0 | MBA | CSM)- link

Ana Minuto (Consultora Empresarial e Carreira I Especialista em Diversidade Racial Palestrante I Mentora RME I Aceleradora Startup.) – link

Abraão Sena (CHRO at Rocketseat | Diversity | Scale-Up Endeavor 2021) –  link

Felipe Dutra Furtado (Gestor TI | Big Data & AI at Globo.com) – link

Vania Neves (CTO na Vale) – link

Sulamita Brito Pereira (Software Engineering Manager at iFood) – link

Barbara Ribeiro Maia (Lead Data Analytics & Data Science | Will bank) – link

No início deste artigo, falei sobre as pré concepções que temos ao falarmos sobre times ágeis:  anti-frágeis, multidisciplinares, criativos dentre outras características. A partir disso, te convidei a entender mais profundamente sobre como a inclusão (ou a falta dela) de trajetórias negras – e pode considerar aqui também, outros recortes de diversidade – podem tornar o agilismo e a transformação digital em sua organização falhos.

Trajetórias negras

Afinal, se no time da construção de um produto falta parte das pessoas que o consomem ou falta a visão da realidade sobre o recorte de possíveis pessoas que vão utilizar ou ser impactadas por ele, então temos fragilidade, carência de multidisciplinaridade e escassez de possíveis críticas direcionadas a contextos sociais que podem impactar no seu negócio e em seu processo criativo para concepção de soluções. Falar de agilidade e digitalização, também é falar sobre diversidade. Será que podemos juntos enegrecer a TI e atingir um novo nível de maestria no contexto digital e ágil?

Tem interesse em fazer parte de um time que fomenta a diversidade na prática e capacita seus colaboradores constantemente? Então acesse nossa página de carreiras, escolha a vaga que mais se encaixa no seu perfil e venha ser dti! 

Links de apoio

https://www.thoughtworks.com/pt/enegrecer

https://assets-global.website-files.com/5b05e2e1bfcfaa4f92e2ac3a/5d671881e1161a6d2b8eb78b_Pesquisa%20QuemCodaBR.pdf 

https://canaltech.com.br/inovacao/dia-da-consciencia-negra-10-nomes-que-marcaram-o-ramo-da-tecnologia-155445/

https://southsystem.medium.com/t%C3%A1bada-rosa-trajet%C3%B3rias-de-mulheres-negras-na-ti-4a02357299b7

https://sustentabilidaderacial.com.br/

https://www.pretalab.com/dados#/

https://issuu.com/institutoethos/docs/perfil_social_tacial_genero_500empr

https://www.ipea.gov.br/portal/images/stories/PDFs/TDs/td_2569.pdf

https://oglobo.globo.com/economia/negros-avancam-nas-graduacoes-que-mais-formam-executivos-mas-ainda-sao-invisiveis-para-as-empresas-24756682

https://potenciasnegras.com.br/

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