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M1: Bom dia, boa tarde, boa noite, vamos começar mais um episódio dos Agilistas. Hoje nós vamos apresentar os convidados daqui a pouco, a gente está com um case super interessante da Obabox, uma empresa que já nasceu digital e que vem fazendo agora uma jornada incrível para ficar cada vez mais (inint) [00:00:21]. Então é super interessante isso porque ficar (inint) [00:00:25] aqui é super difícil, as empresas têm sempre os vícios de olhar para dentro – e é super difícil você realmente passar a ser puxado pelo cliente, estruturar-se em torno do cliente. Então, é um caso real que está acontecendo agora e o objeto aqui sempre é compartilhar esse tipo de experiência. Então, da parte da DTI, a gente trouxe o Jota P – tudo bom, Jota P?Jota P: Tudo bom, (inint) [00:00:45]?M1: Beleza. Trouxemos também a Sani. E aí, Sani?Sani: Tudo bem, (inint) [00:00:56]?M1: E da Obabox, estamos aqui com Carlos Eduardo e com Fernando. Vou pedir para vocês se apresentarem: apresente-se, por favor, Carlos Eduardo.Carlos Eduardo: Legal, gente. Prazer estar aqui com vocês. Eu sou o Carlos, sou um dos fundadores da Obabox; a gente está aí desde 2004 nesse mercado de e-commerce, marketing digital. Estou aqui super feliz de contar um pouquinho da caminhada nossa com vocês.M1: E você, Fernando, tudo bem?Fernando: Tudo joia. Fernando (Cravier) [00:01:31], sou estrategista de produto da Obabox, estou aí vivenciando essa experiência superintensa de ajudar nessa construção (inint) [00:01:42] aqui da Oba. Está (inint) [00:01:44] um barato, e junto com a DTI, está sendo uma jornada bem intensa, porém com muito aprendizado. Está sendo bem legal.M1: Bacana. Então, acho que para a gente começar a falar como é que vocês estão fazendo para ficar (inint) [00:01:57], seria interessante vocês contarem um pouco da história mesmo da empresa, para dar um contexto para quem está nos assistindo – como é que surgiu a ideia, qual é a história, a evolução da empresa até o momento, porque aí a gente chega nesse ponto de como que surgiu essa necessidade. Pode ser?Carlos Eduardo. Claro, vamos lá, vai ser um prazer. A gente começou a empresa em 2004, quando o e-commerce ainda estava engatinhando. A maioria das empresas, até dos grandes players, alguns já tinham entrado, outros ainda estavam entrando, e a gente teve uma ideia, mesmo, de trabalhar com e-commerce. A gente viu uma possibilidade de vender para o Brasil todo, era um mercado que, assim, brilhava muito os nossos olhos, mas desde o começo a gente imaginava que se a gente fosse vender o mesmo produto que qualquer e-commerce fosse vender, qualquer grande player que viesse a entrar fosse vender, a gente ia ter uma dificuldade muito grande, porque ia cair numa vala de produtos, entre aspas, commodities, podemos falar assim. E aí foi quando a gente teve a ideia de, juntamente com o e-commerce, trabalhar com produtos inovadores, de marca própria, produtos diferenciados. Então a caminhada nossa, a história nossa vem se desenvolvendo desde 2004, é uma empresa que começou literalmente do zero, numa sala de 20 metros quadrados e a gente passou todo tipo de dificuldade que vocês puderem imaginar. A gente começou muito novos, sem capital nenhum, sem investidor, sem nada. A gente conseguiu, assim, ao longo desses anos, com muito trabalho e basicamente com o mesmo modelo de negócios, desenvolver bastante. Hoje a gente é um…M1: Carlos, você tinha quantos anos quando você fundou a empresa? Você já é novo, já estou te achando novo aqui.Caros Eduardo: Minha cara às vezes engana um pouquinho. Eu estou com 39, mas eu comecei muito novo; quando a gente começou, eu tinha 23 anos.M1: Não, porque e-commerce em 2004 era bem no começo mesmo. Hoje já se passaram 16 anos.Caros Eduardo: (inint) [00:04:02], mas assim, tem história para contar, viu? Tem muita história para contar: algumas engraçadas, outras de dificuldade, mas a gente veio, cara – eu falo que é um privilégio de a gente realmente viver intensamente a história do e-commerce mesmo. Quando a gente começou, não tinha referência, tinha muita pouca coisa. Então foi uma experiência incrível aí – tem sido. Eu sou apaixonado aí pelo e-commerce.M1: Então, e assim, aí vocês surgiram com algum tipo de produto específico em mente? Como é que é a linha de produtos (inint) [00:04:34]?Carlos Eduardo: Cara, olha que barato: quando a gente começou, a gente realmente percebeu que a gente precisava fazer alguma coisa diferente. Isso veio muito forte. Na época – eu não vou lembrar ao certo, mas, por exemplo, Submarino, Americanas já estavam no mercado; o Ponto Frio, o Extra eu lembro que tinham acabado de chegar; o Walmart não tinha entrado ainda; Carrefour não tinha entrado ainda, se eu não me engano. Então a gente viu que se a gente não vendesse alguma coisa diferente, não ia ter jeito de a gente ter no nosso espaço. E aí a gente começou a pensar: meu Deus, o que que a gente pode fazer de diferente? E na época, era uma época que a China começava a despontar como uma potência industrial – hoje é uma potência industrial e tecnológica, mas na época, ela começava como potência industrial. E aí a gente começou a fazer algumas pesquisas, e em 2004 o que que estava acontecendo? Celular já era comum, mas não tão comum como é hoje – não existia smartphone, os celulares eram analógicos. E estava acontecendo muito acidente devido as pessoas falar ao celular e dirigirem ao mesmo tempo, e os Detrans nacionais começando a multar. Então tinha uma dor muito forte nisso aí. Aí a gente achou, na China, um aparelhinho, pequenininho, que a gente acoplava no celular – na época não tinha nem viva voz no celular – e esse aparelho transmitia o que se conversava no celular para a estação de rádio do carro.M1: Olha só, revolucionário, né?Carlos Eduardo: Cara, foi… Não tinha bluetooth, não tinha nada disso. Aí a gente importou uma amostra, eu falei: cara, o que é isso? Esse aparelho é sensacional. E aí a gente meio que desenvolveu o primeiro viva-voz automotivo do Brasil. Cara, foi incrível. E aí o que que a gente percebeu? Falamos assim: não, não vamos ter a cabeça, a mentalidade de um varejista comum; porque se tivesse, às vezes, de um varejista comum… mas eu acho muito porque a gente era muito novo também, meio que (inint) [00:06:34] no mercado, a gente fazia algumas coisas até meio por irresponsabilidade, sem saber. Eu falei assim: não, vamos o seguinte: vamos criar uma marca para esse produto? Aí a gente criou uma marca, fizemos a nacionalização do produto, traduzimos manual, o certificado de garantia; o produto vinha com uma bateria, a gente adicionou outras baterias – e começamos a vender. E aí quando a gente começou a vender esse produto, foi um sucesso absoluto, porque ele resolveu a dor muito grande. Então você, praticamente com um produto (inint) [00:07:05], você conseguia transforma o rádio do seu carro num viva-voz automotivo. Então foi o começo da caminhada nossa assim. E a gente trabalhava toda a venda do produto com muito cuidado. Aí fazia uma (inint) [00:07:19] especial, mostrando o produto com vídeo, com todo o tipo de informação possível. E aí a gente meio que desde então se especializou em duas frentes: uma frente é desenvolver produtos; outra frente é fazer a venda deles usando, principalmente, o marketing digital, porque são produtos que muitas vezes não tem uma demanda… as pessoas têm o problema, mas eles nem sabem que a solução existe, entendeu? A caminhada nossa vem bem dentro dessa lógica.M1: Isso aí a gente sempre fala da Lei de (Murphy) [00:07:53], como é que as coisas evoluíram rápido; é impressionante você pensar que em 2004 era revolucionário pegar e transmitir o celular no rádio do carro. Hoje fica parecendo pré-histórico, você olha e fala (inint) [00:08:07].Carlos Eduardo: Pré-histórico. Teve um outro produto que a gente vendeu e que vem nessa lógica assim, que a gente falou assim: meu Deus, como é que hoje não faz nem tanto sentido. A gente vendia uma câmera de segurança e aí o pessoal começou, via chat, via e-mail, perguntar se a gente não tinha alguma câmera para a gente fazer filmagem escondida, porque muitas vezes era caso de babá que estava batendo em menino, era caso de cuidador de idoso – tinha n tipos de demandas. Isso foi em 2007, que foi quando a gente lançou um produto que a gente vendeu muito também na época, que foi a caneta espiã. A gente vendeu assim, milhares e milhares e milhares; e hoje é um produto que não faz sentido nenhum, porque todo o smartphone, qualquer smartphone faz vídeo. Então o mercado vem mudando numa velocidade incrível mesmo, é muito legal.Fenando: A caneta espiã é engraçada, porque eu, como um mancebo de internet – ficava muito tempo na internet, navegando nos portais da Microsoft, UOL, nos chats da vida – via muito a caneta espiã. A Oba tem uma história muito grande, inclusive, no amadurecimento da mídia digital, de (inint) [00:09:23], e tudo mais aqui no Brasil. É bem interessante, assim.Carlos Eduardo: É, tem muitos casos.Fernando: Os bastidores são bem curiosos.M1: Então, só mais uma pergunta para entender: o que que norteia os produtos que vocês escolhem desde então até hoje? Porque é bastante amplo, né? O que que tem de comum? Ou não tem uma coisa necessariamente comum? Qual que é a linha que norteia os produtos que vocês vão vender no e-commerce?Carlos Eduardo: (inint) [00:09:48], aí você chegou num ponto que eu acho que… essa pergunta sua é muito inteligente. O que que acontece: nos primeiros anos, a gente ia fazendo a prospecção de produto muito orientado à oportunidade. Então, nessa caminhada, a gente achou n produtos que a gente pesquisava mesmo – eu já fui à China algumas vezes, outras pessoas da empresa também, a gente achava a oportunidade e eu falava: nossa, vamos levar isso aí para a empresa. A gente passou por um período… Porque assim, na hora que você desenvolve um produto, tem todo um trâmite diferente. É diferente você ser uma empresa que desenvolve produto, porque você tem uma necessidade de desenvolvimento que é totalmente diferente de um varejista, que pega um catálogo, escolhe e começa a vender. E aí em determinado momento da nossa história, a gente, sem perceber, até por uma necessidade, uma crença de que a gente precisava ter mais produtos no nosso portfólio, a gente começou a trabalhar com produtos multimarcas e a gente foi perdendo um pouco da essência nossa de empresa. Foi quando a gente veio crescendo passo a passo de 2004 até 2015; 2016 a gente deu uma escorregada no crescimento, 2017 também – e aí foi quando a gente começou a entender o que que podia estar acontecendo e olhar de novo para a nossa estratégia. E aí foi quando a gente percebeu que o principal que a gente precisava meio que voltar às origens nossas, era voltar a trabalhar com produtos diferentes, não produtos multimarcas, que era algo que a gente sabia fazer, desenvolver muito bem, mas principalmente focado e orientado no consumidor final e não simplesmente na oportunidade. E aí eu falo que hoje a gente trabalha com alguns públicos, a gente tem alguns segmentos, a gente trabalha principalmente com uma linha especial, que é a linha sênior; tem uma outra linha que a gente tem de produtos para a linha casa, cozinha; e uma linha áudio também, que a gente vende vitrola, vende um tanto de coisa. Mas eu falo que o maior presente quem nos deu foi o pessoal da linha sênior – eu não tenho outra palavra, não, foi um presente. A gente tem um carinho imenso com a terceira idade. E aí eu te explico por quê. Assim, foi uma série de coisas que ajudaram muito a gente essa consciência. A gente, em 2015, aproximadamente, começou a vender um telefone para idoso, de um fornecedor multimarcas. Esse era um (inint) [00:12:24], não era um smartphone, não, era um telefone comum, só que ele vinha com as letras maiores, ele vinha com o áudio maior, ele vinha com o botão SOS, quando você apertava, ele disparava um sinal para cinco números cadastrados. E a gente começou a vender esse produto meio que de uma maneira normal, assim, sem grandes expectativas – a verdade é essa. A gente tem muita verdade, a gente gosta muito de contar sempre como que as coisas aconteceram. Só que no desenvolver dos meses, o que que começou a acontecer? A gente começou a trazer um público da terceira idade para a nossa base de clientes. E a gente começou a perceber uma coisa que a gente nem imaginava: o quanto que esse público era carente – é carente, continua sendo carente – em relação à questão de tecnologia. E aí começou a nossa área de pós-venda receber mais feedbacks de todo o tipo que você puder imaginar de pessoas que estavam… Tinha casos assim, até fortes, assim, cara, que a tecnologia vai avançando e às vezes um filho dava um smartphone todo desenvolvido para o pai e o pai não sabia usar, cara. Aí a família, por exemplo, montando grupo no WhatsApp, montando, sei lá, comunidade no Facebook e por aí vai e ele não conseguia acessar porque ele não… E aí uma pessoa que, às vezes, sempre foi independente, sempre teve um papel muito importante na família, começava a sentir excluído. E aí a gente começou a ficar muito… a palavra acho que é essa mesmo, muito impressionado com todo o tipo de feedback e depoimentos que a gente começou a receber. E aí eu falo que eles deram um presente para a gente porque eles foram o grande motivador de a gente se tornar uma empresa totalmente orientada ao consumidor final, ao cliente e não ao produto, sabe, cara? Porque é algo que há alguns anos, eu não consiga nem falar a diferente, mas (inint) [00:14:24].M1: É engraçado, isso que eu estava pensando enquanto você falava: ou seja, vocês, pelo que eu entendi, no primeiro momento, prospectavam aí o que pareciam ser grandes oportunidades e usariam a força do e-commerce para poder vender essas grandes oportunidades. Mas de repente vocês se voltaram para um público, né? E é interessante que, coincidentemente, eu estou lendo livro que é sobre 2030, e ele fica o tempo todo falando sobre como a população vai ficar sênior. A faixa que mais cresce de idade é acima de 60. Assim, ele fala até de festas de família: vai começar a ter mais gente sênior do que criança, porque o índice de natalidade está caindo. Assim, o mundo vai mudar absurdamente nos próximos dez, 20 anos.M: (inint) [00:15:09].M1: É, e a natalidade caindo.Fernando: A natalidade caindo, expectativa de vida aumentando…M1: Exatamente.Fernando: As pessoas ficando mais velhas com mais saúde.M1: Aí que eu perguntar, Fernando, você disse que é estrategista de produtos. Quando é que você entra? E assim, acho que é interessante, ou seja, vocês mesmos disseram: em 2015, 2016, deram uma patinada no crescimento, aí deram uma repensada estratégica. Está me parecendo então que esse movimento agora de ficar mais (inint) [00:15:44] é consequência direta dessa escolha que vocês fizeram, né? É quase que um caminho, vamos dizer assim, inevitável. É isso mesmo?Fernando: Isso. O que que acontece? Eu entrei na Oba tem um pouco mais de dois anos, e eu peguei essa transformação, assim, onde a empresa vinha nesse movimento muito forte de cada vez mais se conectar com o consumidor final e entender as expectativas, entender a experiência que os nossos produtos geram para, a partir disso daí, formatar n estratégias. E é uma coisa que foi muito legal, porque eu entrei nesse momento e eu tive a oportunidade de… a minha bagagem profissional é mais na área de planejamento, trabalhei muito tempo com agência e tudo mais, então sempre foi entender as pessoas, conversar com as pessoas, rodar pesquisa – essa é a minha onda. E eu entrei nesse momento e aí começou, principalmente com o público da terceira idade, que era um público muito forte ali dentro da empresa, e a partir disso a gente foi trazendo todas as perspectivas do que a gente provocada de experiência por meio dos nossos produtos e isso desencadeou uma série de processos, um processo de revitalização da nossa linha de produtos. Isso começou a abrir, obviamente, uma nova forma de olhar para as oportunidades, não pelo modismo, mas sim pela tendência comportamental, pela tendência de mercado, pela tendência de uma expectativa que a gente entende que pode ser potencial ali, na esquina, para a gente beber água limpa, inclusive. Tem muita coisa que ainda não virou, mas às vezes com um pouco de sensibilidade e conversando com as pessoas, você consegue captar antes do que o mercado em si. Então a gente começou a amadurecer isso dentro da área de produto e isso teve uma virada, que a área de produto começou a se tornar uma ponta muito estratégica da empresa como um todo, assim, sabe? Começou a virar um ponto de conexão inclusive entre áreas para debater as estratégias de uma forma um pouco mais ampla.M1: Entendi. É porque virar (inint) [00:17:53] tem que começar a pegar feedback, começar a manter uma conversa maior com o público.Fernando: Sim, com certeza.M1: Então, aí colocando o Jota P e Sani na conversa, como é que começou esse relacionamento nosso? A gente chegou, então, num momento em que estava começando a acontecer essa virada, né? Pelo que eu estou entendendo. Não que a gente fez a virada, pelo amor de Deus, mas assim, a empresa vinha nessa virada, e aí a gente veio com o ágil para ajudar a fazer essa virada. É isso, Jota P?Jota P: É isso aí, (inint) [00:18:23]. É interessante para caramba quando a gente começou a conversar com o pessoal da Oba, o Carlos e o Fernando, parece que deu tipo um match, assim. A gente viu o propósito deles, casando também com o nosso propósito de colocar sempre o cliente no centro, e as conversas iam fluindo, cara, assim, legal de mais – todo mundo muito alinhado do que que a gente já imaginava, dado o desafio que a Oba trouxe para a gente. E aí disso a gente partiu para fazer algumas dinâmicas com eles, entender um pouquinho mais do contexto deles também, e cada vez mais sentindo que ali ia ter uma troca boa de experiências: a gente podendo trazer essa nossa vivência no ágil e eles também com esse desejo de colocar o cliente ao centro.M1: É muito interessante. Assim, eu sempre comento uma coisa, eu falo que se fala muito em propósito hoje em dia, né? Aí eu falo: cara, o propósito pode ser um propósito na veia. Você vê o tanto que o time fica empolgado de ter o… É uma coisa tão (inint) [00:19:32], não precisa nem de pesquisa (inint) [00:19:33].M: É muito legal isso.Carlos Eduardo: (inint) [00:19:36], e falando disso, cara, isso é uma coisa que eu falo: a gente sempre traz muita verdade para tudo o que a gente faz, sabe, (inint) [00:19:42]? E eu falo muito com o pessoal. Por exemplo, a gente tinha empresa de 16 anos, e a gente não nasceu com o propósito definido e transparente, não, sabe, cara? Eu vejo, inclusive, hoje, assim, muitas startups nascendo e o pessoal já vai buscando: ah, vamos definir o nosso propósito, como se fosse uma coisa que você fizesse uma reunião e tivesse uma definição. Eu não acredito nisso, não – estou falando da experiência que eu tive. No nosso, cara, o que que aconteceu: a gente sempre teve uma cultura muito forte, alguns valores muito fortes, e eu acho que o propósito nosso estava andando ali, debaixo da mesa, já estava ali dentro da empresa, e com o passar dos anos, ele foi sendo formatado. Então, hoje a gente realmente vive, assim, para melhorar a vida das pessoas através da inovação. A gente vive isso de uma maneira muito intensa mesmo, assim, sabe? A gente realmente acredita que a gente pode ser, que a gente é uma ferramenta de melhoria, de transformação da vida das pessoas. E quando a gente procurou vocês, foi tão interessante – por quê? Aquele (inint) [00:20:47] de que eu falei lá atrás, ele, através de uma extensão de linha, tinha virado um smartphone – um smartphone adaptado para a terceira idade. E a gente começou a ter tanto feedback de cliente e de percepção que eu falei: gente, espera, dá para a gente entregar muito mais, dá para a gente levar essa solução para um outro nível, porque a dor de quem está aqui é muito maior do que o que a gente imagina. Eu, por exemplo, todo o final de semana eu vou na casa da minha mãe, sempre tem alguma coisa para eu a ajudar com tecnologia. Na hora que você vai falando, isso começa a se tornar realidade, a gente começa a ter feedback de cliente falando: nossa, eu estava em depressão, agora eu consegui conectar com meu neto… São muito fortes esses depoimentos, assim, sabe, cara? É um privilégio (inint) [00:21:32]. E aí nessa caminhada de melhorar essa solução, a gente deu alguns passos. Um passo foi: a gente, em conjunto com as próprias pessoas da terceira idade e com uma série de depoimentos de dúvidas que a gente tinha coletado ao longo dos últimos anos, a gente desenvolveu – vai ser lançado no mês que vem – um (info produto) [00:21:54] completo, com mais de 400 minutos, para esse info produto ser disponibilizado junto com o smartphone, sem cobrar mais nada. O que a gente queria era: todo tipo de dúvida que você puder imaginar – dúvidas sobre fake news, dúvidas sobre fazer compra com segurança na internet… Eu falei: cara, vamos entregar isso. A gente adaptou a nossa estrutura de call center todas, porque a gente não quer simplesmente tirar dúvida, a gente quer ajudar mesmo a pessoa da terceira idade. A gente tem caso de ligação de mais de duas horas, para você ter uma ideia. Então, não estou medindo tempo de ligação, estou medindo se a gente está encantando e resolvendo problema. E aí, nesse smartphone que a gente até então trabalhava, a gente tinha uma solução, um (inint) [00:22:36], um aplicativo que fazia a interface adaptada para a terceira idade, onde tinha números maiores, tinha um botão SOS e um (inint) [00:22:46] muito legal, mas a gente estava com um (inint) [00:22:49] de tanta coisa para fazer, que eu falei: não, cara, vamos fazer o seguinte: vamos elevar isso aí para um outro nível; vamos desenvolver um (inint) [00:22:55] próprio para a gente realmente entregar uma solução única, com base, com toda a experiência que a gente está tendo, com base em tudo em que a gente acredita que a gente pode entrar. E aí foi que a gente procurou a DTI, porque a gente sabia o que precisa, mas o como… A gente não é desenvolvedor de aplicativos e tal. E aí é onde vocês, com as metodologias, estão ajudando muito a realizar esse sonho.M1: Entendi. Cara, assim, só uma coisa que eu achei interessantíssimo você falar mesmo, eu já até contei essa história aqui: tem aquela séria lá os (inint) [00:23:29], vocês já viram?M: Já.M1: O cara fica pensando na proposta da empresa, o sujeito… Eu não vi ela toda, mas assim, eu lembro desse episódio, é muito engraçado: o cara leu o que o Steve Jobs tomou LSD quando pensou no propósito da empresa; ele vai, toma LDS, pega o carro para ir pensar no propósito. Aí no meio do caminho tem um congestionamento – ele ia para o meio do deserto. Aí começa a ter os efeitos, ele entra num banheiro num posto de gasolina – um banheiro todo avacalhado, e fica lá. Aí fica a noite toda lá; aí no dia, de manhã, ele vira e fala: nosso propósito eu já sei, fazer o mundo melhor.Carlos Eduardo: Pois é, cara. E o nosso caso, assim, foi muito passo a passo, mesmo, sabe, cara? Foi ao longo dos anos, enfim. E hoje é algo que está muito consolidado lá, sabe?M1: Então, o que eu ia dizer é isso, é que assim, o pessoal vulgariza às vezes isso e aí vira uma frasezinha feita. É muito diferente quando você vê – e aí que eu acho que ser verdadeiramente (inint) [00:24:34], as coisas que você falou aqui, é uma empresa que começa de fato a se organizar em torno da necessidade daquele cliente, o cara tem o propósito de melhorar a vida do sênior ali. Então, poxa, você pensa em todos os pontos de contato, você pensa: pô, esse cara vai ligar para cá, tem que ter gente que tenha mais tato, que saiba atender esse tipo de pessoa, entenda que ele não sabe de tecnologia. Eu acho super legal, porque essas que são as coisas difícil. O pessoal acha que o difícil é escrever a frase, né, cara?Carlos Eduardo: Cara, e é esse o ponto. E eu vou falar uma coisa com você, cara: em todo esse processo de transformação por que a gente foi passando, não foi de um dia para o outro, não foi de um mês para o outro, foi de anos. Um tanto de coisa que a gente fazia, deixou de fazer sentido; um tanto de produto que a gente vendia, deixou de fazer sentido, e outros passaram a fazer sentido. E mesmo algumas pessoas que trabalhavam conosco começaram a ver que não era… algumas que estavam lá começaram a abraçar de uma maneira muito forte todo esse propósito e outras: ah, cara, não é isso em que eu acredito – e deixaram a empresa. Então foi um processo, assim, muito legal, assim, muito intenso mesmo, e que foi anos – foi anos e passo a passo, até por isso que eu acho que ele é muito sólido.Fernando: Uma coisa muito maluca: como eu falei, eu entrei na Oba tem um pouco mais de dois anos, então eu peguei exatamente isso que o Carlos falou, essa transição e um reacomodamento da cultura, vamos assim dizer. E é muito maluco, porque todo mundo foi impactado com essa mudança. E era muito engraçado, porque às vezes – o Carlos fala muito isso; isso foi mais no meio, no começo do ano passado – surgiam alguns desafios ao longo do trabalho, aí pensava assim: nossa, o que que a gente faz? O que é que a gente vai fazer? E aí quando a gente ia conversar com o Carlos: não, estou com dúvida em relação a isso e tudo mais – ele trazia o nosso propósito para a mesa, tipo assim: o que que a gente quer fazer como empresa? E aí a resposta surgia assim, num estalar de dedos, porque ficava muito mais fácil. E aí à medida que a gente foi vivendo isso, porque eu acho que é ponto chave, não é só uma frase na parede e tudo mais; a cultura, o propósito se dão quando você começa a vivenciar e ela começar a virar uma força motriz para as decisões internas e por aí vai. De repente, todos os nossos desafios começaram a ser mais fáceis de serem atravessados porque o nosso propósito já estava muito internalizado e muito forte. Então a gente tomou decisões muito difíceis este ano de 2020, até por conta da pandemia e tudo mais, só que foi leve tomar essas decisões, de certa forma, porque a gente sabia que a gente estava fazendo a coisa certa.M1: Cara, esse episódio pode ser muito mais sobre propósito mesmo. Eu estou achando legal demais, sabe por quê? Essas coisas ficam muito etéreas nos livros de negócios; você fica lendo isso, e muito cara cético fica assim: pô… E aí eu estou lembrando de um negócio enquanto vocês falam, o tal do jogo infinito, sabe? Aquele (inint) [00:27:48] fala: cara, isso é muito mais um jogo infinito. Certamente quem saiu é quem pensa muito diferente ou quem pensa muito mais no curto prazo.Carlos Eduardo: E está tudo bem. (inint) [00:27:58].M1: É, exatamente, é uma questão de… Mas quem está pensando aí no longo prazo, toma essas decisões com mais confiança. Isso que é legal, o propósito… Quando você falou aí, Fernando: toma decisão mais leve – por quê? Porque já existe o que a gente chama em Complexidade de Restrição Habilitadora. Se você olha só para um número e para um resultado, toda a decisão fica sempre olhando para aquilo e pronto. Se você olha para o propósito, você sabe que está, às vezes, fazendo uma troca no curto prazo com alguma coisa que você em que você acredita no longo prazo.Carlos Eduardo: Isso até é legal, (inint) [00:28:33], eu venho de uma cultura – a gente tem lá na empresa, assim, uma cultura muito forte de metas, orçamento previsto, realizado, tal. E o que que foi interessante, cara, é o seguinte: muitas vezes, quando você tem uma cultura de meta, tem muita coisa legal. Só que a cultura de meta te traz para uma visão de curto prazo, cara. E muitas vezes, o que você mais vê é a empresa tomando decisão, abrindo mão de conquistas no longo prazo por causa, às vezes, de mês, às vezes até de semana ou de dia. Então, cara, na hora que você traz… A gente colocou isso à prova alguns meses atrás, e era o seguinte: são decisões que realmente: pô, espera lá; o que que está vindo na frente? É o propósito, é no que a gente acredito, é o que a gente está construindo ou o DRE de, sei lá, julho de 2019? E eu vi que a gente passou por essas provações de uma maneira muito leve. E hoje, assim, é o que o Fernando falou: às vezes pode ser o desafio que for, a resposta fica muito óbvia.M1: Mas aí eu faço uma pergunta que eu acho assim… Cara, eu estou achando excelente esse… Vocês são uma empresa que tem que vender, e tem que vender tem meta para caramba, é uma pressão. Aí chega uns malucos aí – a Sani, o Jota P e o Gustavo – falando que não tem escopo, que (inint) [00:29:51], vocês vão acompanhar os OKRs. Cara, como é que foi a reação sua? Depois eu quero ver o depoimento do ponto de vista da Sani como é que foi. Mas como é que foi as reações suas a isso? Porque a gente tem clientes – é engraçado – que são do varejo são mais desconfiados ainda, eu diria, porque a pressão é muito grande no varejo. É uma pressão muito forte, parece. Isso é uma hipótese que eu tenho. Como é que vocês reagiram a isso? Como é que vocês aceitaram bem essa…?Carlos Eduardo: Muito legal você falar isso. Aconteceu um movimento que para a gente foi muito incrível. Os anos que a gente veio muito focados no resultado, a gente cresceu, sei lá 15%, tal. No último ano, a gente cresceu mais de 50%; esse ano, a gente vai crescer mais de 200%. Por quê? Porque na hora que você foca no longo prazo e no que você está entregando e no cliente, muitas vezes você resolve ou você trabalha a causa, e não simplesmente uma consequência que vai te trazer uma coisinha só no curto prazo. E aí quando a gente começou a entender e a aprofundar na metodologia que vocês têm, a gente viu que a gente conseguiria fazer esse trabalho centrado ao cliente num nível ainda muito mais elevado, porque junta a vontade, junta as técnicas que a gente já tinha, mas com nível de metodologia que vocês têm que é muito avançado. Então a gente viu como se fosse algo para maximizar o que a gente já estava fazendo. E acaba que essa metodologia a gente começou a usar, lógico, ainda sem o profissionalismo, o nível que vocês usam, mas até no lançamento de novos produtos ou no desenvolvimento de novos produtos, na solução de outros problemas. Então assim, cara, eu achei incrível. A gente viu meio que uma ferramenta para a gente maximizar o que a gente queria mesmo desenvolver.M1: Carlos, você tocou num ponto que eu acho interessante para caramba, eu acho que essa visão mais de longo prazo às vezes permite a empresa olhar para outras coisas e remover obstáculos ao crescimento. E aí o crescimento acontece mais naturalmente do que se imaginaria. Eu acho engraçado, a empresa não cresce porque alguém botou uma meta; ela cresce porque tem um mercado ali e você está conseguindo chegar nele.Carlos Eduardo: Crescimento é consequência, cara. Ele é consequência.M1: Exatamente.Carlos Eduardo: E eu falo para a turma o tempo todo, assim – tenho alguns jargões, igual eu tenho certeza que vocês têm os seus aí – eu (inint) [00:32:14] o tempo todo e falo: pessoal, é só o começo; pessoal, nós estamos em construção- sabe? Para a gente sempre colocar (inint) [00:32:22] lá na frente, cara. Lá na empresa, a gente tem uma série de coisas, uma delas é os princípios da Obabox. Eu brinco assim: gente, na hora que tiver alguma dúvida do que fazer, lê os princípios da Oba que vai ter a solução. E tem um princípio nosso lá que a gente fala: o maior inimigo do que a gente quer em longo prazo normalmente é o que a gente quer em curto prazo. Então a gente acredita muito nisso daí, cara.M1: É bom dar uma boa refletida. Sani, como é que foi esse processo aí? Porque o pessoal assunta um pouco quando a gente fala: ah, são tantos (inint) [00:32:57]; a gente não consegue dar uma estimativa fechada. Eu tenho 20 anos que eu… Eu conto até uma história, porque eu comecei a trabalhar com Ágil em 2001, 2002 e enfrente os (inint) [00:33:08] aí a minha vida inteira. E agora essa necessidade de ser (inint) [00:33:12], de aprender mais rápido, fez o ágil virar (inint) [00:33:15]. Mas ainda assim, existe uma desconfiança inicial muito grande e muito lugar. Aconteceu isso aí, Sani, ou não? Porque parece que eles têm uma cultura já bem orientada ao que é necessário para ser ágil, sabe? Conversando assim.Sani: Bom, quando a gente fez o (inint) [00:33:32] com eles, a gente saiu do (inint) [00:33:35] acho que com um (inint) [00:33:37] gigantesco, assim, até porque, assim, tinha muitas pessoas que trabalhavam no marketing, no pós-vendas, no pré-vendas, então assim, era muita gente que tinha bastante contato com o cliente e que trouxe muito isso para a gente, sabe? Mas eu acho que uma coisa que foi chave desde o início e que tem sido bastante acho que é transparência, sabe? O Fernando faz um trabalho com a gente, assim, de dia a dia e a gente sempre deixou muito claro para ele tudo o que a gente estava passando, todas as respostas que a gente tinha ele acompanhava. A gente teve bastantes mudanças no processo todo, desde a primeira (inint) [00:34:16] – a gente está agora na sexta (inint) [00:34:17]. A gente tinha um marco-chave aí – a gente ainda tem – no início do ano, para poder embarcar o nosso (inint) [00:34:26] nos aparelhos que a Oba está adquirindo; a gente teve uma alteração no prazo, a gente teve algumas mudanças de (inint) [00:34:34]. Então acho que assim, o que a gente tentou fazer desde o início é deixar transparente, assim: olha, a gente vai precisar fazer uma mudança no (inint) [00:34:42]; o Fernando sempre participa com a gente das (inint) [00:34:44], ele participa muito ativamente também com o time de (inint) [00:34:48], então assim, acaba que é um propósito muito comum das entre as pessoas. Então você tem um time de desenvolvedor que está muito empolgado com o projeto, pelo sentido que ele traz, pelo ganho que ele vai trazer para a terceira idade. Eu, na minha opinião, acho que essa transparência que a gente teve o tempo inteiro com a Oba – a Oba também sempre jogou muito aberto com a gente, eles sempre deram bastante liberdade para a gente e sempre acreditaram também tanto na nossa metodologia como no nosso trabalho, acho que isso tem sido chave para tudo estar dando tão certo.M1: É o que o Jota P disse, deu match mesmo, né, cara. Assim, muita coisa do que vocês falam aí a gente se identifica plenamente.Jota P: Durante o nosso (inint) [00:35:31], acho que foi a primeira vez que eu vi acontecer isso, tá? O pessoal falar assim: sair a ideia do cliente e o cliente: não, essa ideia aqui é muito boa e tal. E ele mesmo parar e pensar: não, mas espera aí, essa é a minha ideia. E o público da terceira ideia, qual é a ideia deles? Aí o pessoal começar a repensar nisso, assim, não tomar aquilo como verdade. E isso partir deles é legal demais, cara.Sani: É, hoje na review, acho que foi até o Carlos que falou isso, tipo assim, que a gente está numa fase agora de, tipo assim, pegar as coisas que a gente achava que fazia sentido e validar com um usuário final para a gente tirar a prova se realmente fazia sentido ou não – não ficar na nossa visão, mais na visão do cliente mesmo.M1: Não, isso que eu ia perguntar para o Fernando: você, como o estrategista de produto, eu acho que ajuda demais você estar imerso nesse ambiente aí de ser jogo infinito, porque você tem essa liberdade. Eu falo assim, qual seria a pressão normalmente em cima de você: fale-me quando vão ser as entregas; qual o (inint) [00:36:30]? Quando vai acontecer tal coisa? Quando vai acontecer isso, aquilo e x? Eu queria saber de você como é que tem sido isso e depois do Carlos, como é que ele tem tranquilidade, ele falando para outros CEOs aí, de que ninguém está enrolando ele aí? Eu estou com essas perguntas capciosas, porque é isso que a gente ouve o tempo todo, cara – o pessoal ainda acha isso: mas eu estou dando um cheque em branco; desse jeito, eu não estou tendo controle. Como é que tem sido isso aí, Fernando?Fernando: Essa pergunta é muito legal. Eu já tinha trabalhado com ágil antes, já trabalhei em startup e tudo mais, então eu vivenciei isso um pouco. Mas é óbvio, tipo, em agência, há uma moldagem diferente, mas quando a gente fala no desenvolvimento de tecnologia e tudo mais, existem alguns contornos um pouco diferentes. Quando a gente fala de uma realidade onde a gente junta o desenvolvimento de código de software, com uma produção industrial, você cria variáveis que são muito diferentes de um cenário que está acostumado a fazer aplicações, que tem um negócio todo num ambiente online, e é isso aí. Então, vem sendo um aprendizado muito grande, para mim, fazer a junção desses dois mundos, assim. E eu digo que está sendo um aprendizado para todo mundo, assim. A gente tem debates muito legais internamente, nos nossos (inint) [00:38:04] e por aí vai, de exatamente encaixar com a lógica do parceiro, porque você tem todo um rito lá muito certinho, com prazos muito apertados, e a lógica industrial mesmo, lá na China, por exemplo. E aí você pensa: pô, está tudo solto, não tem nada… É tudo feito de um jeito sem perspectiva, não tem escopo nem nada. Só que uma coisa que, ao longo dos aprendizados junto coma DTI, que eu fui passando internamente no nosso núcleo de produtos, é que não é bem assim – muito pelo contrário. É uma máxima que eu vejo que a gente tem no mercado, no geral, no Brasil, que a gente não tem muito o costume do planejamento. E eu vejo que eu acho que é um ponto muito forte, muito chave de todo o processo. Ele é muito planejado. A gente gasta muito tempo planejando para entender os reais impactos de cada uma das etapas das (inint) [00:39:07] e tudo mais, para a gente conseguir fazer as entregas de valor dentro do que está sendo construído ali, dentro do prazo que é estabelecido, para ele chegar no final daquele ciclo com o que foi desenhado. Isso tudo é discutido, só que a gente não tem verdades ali, o processo é muito orgânico, a gente vai aprendendo, vai moldando, mas sempre mirando no que a gente tem de entrega, no final das contas. O que eu acho que é difícil as pessoas entenderem é que o escopo te engessa, e muitas vezes você não vê o que você precisa adaptar para conseguir entregar – e que eu acho que é o grande barato do ágil, no final das contas. A gente sabe o que a gente tem que entregar; a grande diferença é que a gente tem um conhecimento profundo de todos os desafios que vão acontecer nesse processo e a gente se permite se moldar ao longo deles para a gente conseguir não fazer simplesmente a entrega de um software, mas fazer a entrega com valor para o cliente. E essa construção é sempre debatida de forma muito (inint) [00:40:14].M1: É, tanta coisa que você disse, cara. Primeiro assim, o ágil não é contra nenhum planejamento em curto prazo, é contra o planejamento de longo prazo que vai ser só frustrante. E a outra coisa que eu acho que as empresas custam a entender é que o ágil boa os times verdadeiramente no jogo, e é muito melhor você ter um time no jogo entendendo o valor que tem que gerar do que um time entregando alguma coisa que o chefe pediu. Esse time: que que você quer para lutar por você? Um time que luta para atingir um negócio que vocês estão procurando ou um time que faz o que você mandou, teoricamente, sabe lá se está certo ou errado, e não tem nenhuma capacidade de reação no meio do caminho. Isso que eu acho incrível. E como é que você lida com isso aí? Assim, a gente até já conversou isso bem, Carlos, mas acho interessante ouvir de você, porque eu acho que isso tem muito a ver, realmente, com esse propósito, essa visão de longo prazo. Mas como é que você lida com essa liberdade? Para você ter uma ideia, recentemente eu tenho que ter conversas com executivos de clientes assim, também, e não tem uma crítica aqui a eles, não, é porque a empresa vem de um outro ambiente e está acostumada com uma determinada forma de controlar, de orçar uma determinada estrutura, entende? E é difícil para a pessoa acreditar nisso. Poxa, eu pego um time e eu dou alguns objetivos para eles, mas eu dou liberdade para caramba, eu dou autonomia para caramba, eu os deixo aprender, eu os deixo mudar – e eles vão gastar o meu dinheiro assim? Como é que fica o meu orçamento? Para a gente ir terminando, o que que você diz disso para quem ainda está com esse medo? Para mim, que estou (inint) [00:41:52], parece que até é, assim, um caminho inevitável: se você quer ficar (inint) [00:41:56], você tem que aprender, você tem um milhão de (inint) [00:41:58], você tem um (inint) [00:41:59] gigante, igual o pessoal citou. Como é que você faz para agir aí? É aprendendo rápido, né? O que que você fala para os executivos?Carlos Eduardo: Essa pergunta sua é superinteligente e, enfim, talvez dava até um outro podcast. Mas o que que eu vejo, cara: eu vejo assim – e eu falo porque eu vivi muito isso – às vezes a gente tem alguns outputs que não estão saindo do jeito que a gente quer e a gente, muitas vezes, na carteira de gestor, confunde causa com consequência. Uma coisa que eu tenho trazido muito lá para a empresa, eu falo: gente, uma coisa que não (se pede) [00:42:34], pelo menos eu acredito nisso, é engajamento. Engajamento, por exemplo, você conquista. Na minha leitura, é igual amor: você não pede a alguém para te amar. Às vezes você pode até pedir – quando você é jovem e tal, você faz isso sem perceber, mas não dá certo. Então, o que que eu vejo, cara? Eu vejo que, assim, antes do engajamento, por exemplo, tem uma série de coisas que vêm antes. Então, na minha leitura, primeiro vem a questão da cultura da empresa, você tem que ter um alinhamento cultural muito forte, você tem que ter um propósito em que você acredita, que você respeita, trazer pessoas que também acreditem. Para o nosso caso, também ter uma visão de longo prazo e um sonho grande. Então a gente fala lá: quando passar a pandemia, vão lá tomar um café com a gente lá na Obabox. A primeira coisa que você vai ver quando chegar na Obabox é que tem uma placa lá: Obabox ruma ao bilhão. E é algo de que a gente tem certeza e acredita que vai chegar, é o nosso sonho grande. Então isso, quando a gente joga esse sonho grande, em que a gente acredita? Pô, a gente não existe por causa de um bilhão, mas é o tamanho do impacto que a gente vai gerar com o nosso propósito – e mostra para a gente aquela força de longo prazo. E depois, pessoas, cara. Entendeu? Então assim, hoje, eu falo isto, assim, com muita legitimidade: talvez 30% do meu tempo é trabalhando – eu mesmo, diretamente, tentando colaborar no desenvolvimento do time. Às vezes a gente não tinha um resultado que estava saindo legal, a gente achava: ah, é o funcionário que está ruim. Na hora que a gente começou a trabalhar essas etapas, um trabalho muito que o RH vem nos ajudando, está muito próximo de todos os gestores e ao time, as coisas foram se ajustado. Então, (inint) [00:44:22], hoje acontece uma coisa: eu costumo participar quinzenalmente das reuniões, da review. Eu participo quinzenalmente. A minha participação, cara, vou ser sincero, eu agrego muito pouco, para não falar nada. Porque na hora que eu chego na reunião de review, o pessoal está num nível de conexão, nível de comprometimento, engajamento, alinhamento, mas isso não foi nada que foi pedido, acho que ela é reflexo de uma série de coisas que vieram antes e que foram fazendo sentido. E aí eu vejo isso tanto do lado da Obabox e vejo isso muito forte também – muito forte – do lado da DTI, que desde o começo trabalhou com a gente, assim, de uma maneira super transparente – mesmo antes de a gente bater o martelo, falando o que que dava para fazer, o que que não dava para fazer, o que eles não sabiam se dava e o que eles precisavam saber para saber se dava certo ou não dava, sabe? Então eu acho que isso que você me perguntou acho que vem de mais de uma consequência, de uma série de fatores anteriores do que simplesmente de um processo, de um método, porque eu acho muito importante, mas eu acho que ele é parte de um sistema maior, assim, entendeu?M1: Cara, assim, pena que nós temos o tempo limitado, porque eu estou adorando a conversa aqui. Estamos chegando ao final. Assim, a gente tem feito alguns episódios sobre o que a gente chama de (inint) [00:45:46] e a gente sempre fala isso, cara. Assim, para mim, essas conclusões suas estão na raiz. Existe algo anterior, do qual emerge; para mim, o que está evidente aqui é sempre um modelo de cada pessoa, assim, a forma como você enxerga cada pessoa é diferente, sabe? Não é uma máquina, são pessoas que se você vê que se tem espaço e tem propósito, elas estão automaticamente doidas para fazer aquilo acontecer, né, cara?Carlos Eduardo: Exatamente.M1: Que é o contrário da hipótese da maior parte dos gestores, entendeu? O cara acha assim: tenho que ir lá naquela reunião de review, porque senão… Aquelas cara vão ficar com medo na hora que eu entrar. É o contrário, né, cara?Carlos Eduardo: Até é legal, assim, é literalmente o contrário. Semana passada, o Fernando – eu converso com o Fernando o tempo todo; o nível de confiança imenso e de admiração, tal. E o Fernando estava superchateado porque tinha uma funcionalidade que eles queriam implementar e por causa de um fator externo, que a gente já sabia que poderia acontecer, não ia dar para implementar no prazo que a gente gostaria. Eu falei: calma, Fernando, a gente vai implementar. Pode não ser agora, mas lá na frente vai chegar. Então, às vezes acontece até o contrário. Literalmente, entendeu?Jota P: Carlos, legal, porque de fato foi o time todo. A gente estava (inint) [00:47:06] com o Fernando, assim. Aí depois ele veio para a gente e disse: não, calma. Aí ele trouxe a sua tranquilidade para a gente também, sabe? Isso deu uma certa acalmada na turma. Mas, de fato, a galera é super engajada com o propósito.M1: Cara, eu estou falando isso aí, esse podcast tem tantas lições de agilismo, né, cara? E você imagina, podia ter uma meta que alguém estaria sendo ferrado nessa hora por causa dessa (inint) [00:47:36].Carlos Eduardo: Cara, e eu vou falar com você: o impacto que nós, todos juntos – eu acho que essa é a principal missão nossa – vamos causar no público que a gente está buscando vai ser algo, assim, incrível. É muito, muito incrível mesmo, acho que isso que é o mais importante, assim, sabe? Acho que a maior métrica de sucesso é essa. E eu estou num nível de segurança disso que você não faz ideia. M1: Não, legal demais. A gente queria agradecer demais as presenças suas. (inint) [00:48:09] Carlos certamente é o jardineiro – a gente fala muito do jardineiro aqui, né, cara. Certamente é um líder jardineiro aí, cara. E agora eu entendo a empolgação do Jota P e da Sani quando eu converso com eles. Eu também vou começar a participar dessas reviews aí, eu estou empolgado também.Várias vozes: (inint) [00:48:27].M1: Eu acho que a gente pode fazer outros episódios mais para frente e contar mais dessa história, porque é muito legal. Muito obrigado, Carlos e Fernando.M: Imagina, foi um prazer, gente. A gente é fã seu e o que a gente puder compartilhar aí um pouquinho das experiências que a gente está tendo com vocês de mercado, contem com a gente sempre.M: É, a gente que agradece aí. Obrigado aí, (inint) [00:48:51].M1: Que é isso? Um abração, Jota P e Sani. Um abraço para vocês.Jota P: Valeu.M1: Vocês falaram um pouco, mas nós fomos bem (inint) [00:49:01] aqui, eles tinham depoimentos muito interessantes.Jota P: Tem bastante história aí para a frente, não se preocupa, não.M1: Exatamente, isso aqui vai render mais. Está bom, um abraço a todos, gente.Várias vozes: (inint) [00:49:11].M: Obrigado aí, até mais.
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os agilistas

#111 Lições de agilismo na Obabox

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