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Marcelo: Pessoal, nós temos uma novidade agora, um canal no WhatsApp para que a gente possa receber mensagens de vocês. Se forem mensagens de áudio, a gente vai tocar no programa e vai super legal. O telefone é: 31 996977104. A gente tem um e-mail também: osagilistas@dtidigital.com.br. Participem.

Denise: Olá, pessoas, estamos aqui em Os Agilistas. Hoje vocês não vão descobrir quem é que está aqui com a gente. Estamos eu, o João e o Marcelo Szuster com um convidado para lá de especial, eu acho que é o mais popular, o mais querido da podosfera.

Luciano: Não.

Denise: Eu acho que sim, porque antes de eu começar a ouvir podcasts, já tinham me indicado: “você já ouviu Café Brasil?”, “o que é isso, Café Brasil?”, “Denise, você precisa ouvir Café Brasil”. Eu acho que já tem uns três anos. Quanto tempo existe o Café Brasil?

Luciano: Um pouquinho mais, treze anos.

Denise: Como podcast?

Luciano: Setembro de 2006.

Denise: Que loucura.

Luciano: Seis de setembro de 2006 foi ao ar o primeiro episódio. Só que me deixa fazer uma introdução aqui: bom dia, boa tarde e boa noite. Esse é os Agilistas e eu sou o Luciano Pires.

Denise: É um mestre.

Marcelo: Quem ouve aqui sabe que eu sempre faço o meu bom dia, boa tarde e boa noite meio fajuto.

Luciano: Tomei conta.

Marcelo: Nós temos a inspiração.

Denise: Então, Luciano, tudo bem?

Luciano: Ótimo, obrigado pelo convite. Aliás, comecei com o pé direito, estou em Belo Horizonte, chego e vou direto para o Xapuri, onde nós temos um almoço mineiro, venho para cá com os amigos e vou conversar e daqui eu vou para um encontro com o pessoal da confraria do Café Brasil e vamos estar juntos lá também, imagine, é tudo que eu queria.

Denise: Que maravilhoso.

Luciano: Uma passagem por Minas daquele jeito.

Denise: Obrigada por ter aceito. A gente escolheu para começar esse bate-papo, porque aqui também a gente só sabe como começa e aí a coisa se desenvolve bem organicamente, um podsumário que você fez e depois generosamente deixou em aberto, compartilhou com quem ainda não é assinante que é sobre um livro que a gente gosta e cita muito, que é o Antifrágil do Nassim Taleb e é ótimo, eu adoro quando você, como é que você chama as intervenções?

Luciano: O pitaco.

Denise: Os pitacos, como você fala no final, como eu amo, alguma coisa assim, esse Nassim Taleb e esses conceitos. Tudo bem para você começar por aí?

Luciano: Sem problemas. Só me deixa explicar o que é?

Denise: Ótimo, fala aí.

Luciano: As pessoas que não sabem, eu tenho um grupo de assinantes, a pessoa que assina o Café Brasil premium que todo mês recebe um podsumário, eu pego um livro que ainda não foi publicado no Brasil, está só lá fora em inglês e faço um sumario comentado. Eu sumarizo o livro, no meio eu paro: “atenção, vou dar um pitaco”, ali eu coloco as minhas impressões sobre aquilo que eu estou lendo. No caso do Antifrágil, ele é um daqueles casos extras que é um livro tão impactante e importante, que mesmo tendo sido lançado no Brasil, eu faço também.

Denise: É uma exceção.

Luciano: Já existem sumários desse livro no mercado, mas eu falei: esse livro é tão impactante que eu vou ter que fazer também. Aí eu peguei, escolhi, fiz o podsumário e lancei ele só para assinantes e ele é tão interessante que eu lancei ele aberto depois. Eu peguei e transformei em um episódio do Café Brasil e coloquei para todo mundo ouvir, mais de uma hora, dá uma hora e meia de programa, uma coisa assim.

Denise: A gente nem sente. Pessoal, já fica aí a dica, a gente vai colocar isso lá no site da DTI, esse link todo o LíderCast é fantástico, o Café Brasil, mas esse especialmente além de estar ligado com o que a gente fala aqui o tempo todo, gestão da complexidade, mindset ágil e outros assuntos.

Marcelo: É bom ter um sumario do Nassim Taleb, porque ele é bem prolixo. Muita gente desiste de ler, apesar de ser ótimo.

Denise: É verdade.

Luciano: Você sabe que tem uma coisa que eu achei fenomenal nesse livro dele, porque o livro é escrito para comprovar a tese dele. A tese dele é o seguinte: o mundo é um caos, é absolutamente caótico, você não tem como ordenar esse caos e você tem é que tirar proveito desse caos. Então, ele escreve de forma caótica, ele não termina uma ideia, ele começa uma nova, ele retoma a anterior. É uma bagunça, quando você termina o livro, você fala: ele como obra faz um todo, porém em pedacinho é bem caótico, mas é muito legal, porque é aquela história que é o ritmo do livro que comprova a tese dele ali da antifragilidade, muito legal.

Marcelo: Cheio de historinhas, personagens diferentes, (inint) [00:04:53] é engraçado demais.

Luciano: Tem de tudo lá, é muito legal.

Denise: O que vocês acham de a gente começar pegando alguns conceitos para deixar as pessoas mais alinhadas, que eu não sei o tanto que as pessoas conhecem, já leram, porque ele também é um livro um pouco intimidador por essa característica. Eu anotei aqui algumas coisas quando eu estava ouvindo de novo, já li esse livro, a gente fez um podcast com o Humberto Mariotti, lá a gente discute gestão da complexidade, ai eu fiquei tão inspirada te ouvindo de novo lá, que eu falei: tenho que levar algumas questões para ver se ajuda a desenrolar algumas coisas. No livro, ele fala e você comenta muito bem sobre os sistemas convexos, também um outro nome para antifrágil, que se beneficiam do caos, do estresse, do impacto. Algo que sempre me chama muita atenção é que ele faz uma analogia com a hidra. A hidra sofre o impacto, ela sangra, acho que das coisas que eu tenho lido, pega-se muito no benefício da antifragilidade, que obviamente você se fortalece, bacana. Fala-se pouco do custo disso, do sofrimento, da dor, que é normal do ser humano a gente olhar só para o lado positivo da coisa. Queria que você comentasse um pouco o que você acha dessa analogia com a hidra.

Luciano: Posso chutar o balde logo de cara aqui?

Denise: Por favor.

Luciano: Você está falando de Jair Bolsonaro.

Denise: Por que Jair Bolsonaro?

Luciano: Ele é um exemplo acabado de tudo aquilo que está no livro. É um sujeito que está à margem, ele tem tudo para dar errado, apanha e quanto mais apanha, mais forte fica, ao ponto de ganhar uma eleição sem ter condição nenhuma de ganhar. Como é que explica isso aí? O cara que quanto mais apanha, mais forte fica. Isso já começa aí uma diferenciação para aquele conceito da resiliência, que foi um conceito que a gente falou durante muito tempo. O resiliente toma porrada, recupera e volta. O conceito de antifrágil é que além de eu tomar porrada, eu volto melhor e mais forte. Eu estou colocando a questão do Bolsonaro, porque é uma provocação. Deve ser difícil ser Jair Bolsonaro, deve ser muito complicado. Onde você abre um jornal, você só apanha, para todo lado você apanha. Tem um custo aí, tem um custo para a família dele e de todo o lado. Eu acho que para você ter antifragilidade você tem que ter essa coisa que eu chamo da armadura emocional muito bem resolvida. Se a minha armadura emocional não estiver bem construída, eu não vou resistir ao tanto de pancada que eu vou tomar para poder sair mais forte lá na frente, eu vou parar no meio do caminho. Aliás, ontem eu recebi uma mensagem no Instagram de um garoto que me segue e falou: Luciano, preciso da tua ajuda, eu fiz uma bobagem aqui, eu copiei o texto de um terceiro, coloquei aqui e não avisei quem era, o cara descobriu e veio aqui e eu estou apanhando no Instagram, estou para fechar minha conta, eu vou parar, porque eu não aguento apanhar tanto. É bem esse exemplo, se você não tem armadura emocional muito bem preparada, você não vai resistir. Vou voltar para o Bolsonaro, o cara resiste até a facada. Há um custo muito grande.

Denise: O que não mata literalmente fortalece. Ganhou a eleição.

Luciano: É impressionante, eu não estou colocando aqui não é defesa nenhuma, eu estou colocando como um personagem e nós estamos assistindo isso, a gente está assistindo isso no dia a dia. Se eu tivesse tomado um quinto das pancadas que ele tomou, eu já teria ficado no caminho e o cara além de não ficar, ele sobrevive e vai ficando mais forte. Eu diria que essa questão do custo é complicada, ninguém apanha impunemente, se não sobrar para mim, vai sobrar em volta de mim. Quem vem me atacar e não me acerta, vai atacar quem eu gosto ou vai atacar as coisas que eu gosto, vai no meu empregador, vai tentar que eu perca o meu emprego, vai no meu patrocinador tentar que eu perca o patrocínio, então há realmente necessidade de você ter uma armadura emocional muito bem resolvida. Isso é uma construção, é uma coisa que eu não acho que você nasce com ela, você tem que construir essa armadura e aí tem toda uma sequência. Eu até tenho um programa que eu falo exatamente sobre o que você faz para construir essa armadura emocional. Eu tenho que ter tanta segurança naquilo que eu estou fazendo, que eu estou sabendo que eu posso falar, eu estou sabendo que vem a pancada, eu sei até de onde ela vem e já estou preparado para recebe-la aqui porque eu estou seguro naquilo que eu estou dizendo e não quer dizer que eu estou certo, quer dizer apenas que eu só vou abrir a boca para me manifestar, praticar uma ação a hora que eu tiver segurança de que aquilo que eu estou fazendo é o meu certo. Se eu não tiver isso, eu estou abrindo a boca para tomar pancada para todo lado. Isso nós estamos vendo para todo lado também, carreira sendo construídas e destruídas em 15 minutos. O sujeito aparece, é o rei da cocada e em uma semana ele é destruído.

Denise: O mesmo para empresas o tempo todo.

Luciano: É a mesmíssima coisa.

Denise: Não é que o antifrágil não quebre, não morra, não é isso. Ele tem um ponto até onde ele aguenta essa pressão.

Luciano: Se morrer, acabou. A questão toda dele é que dá para a gente falar que deve ter níveis de antifragilidade, tem um momento que vai passar, o Nissim até fala isso no livro, ele fala que tem um ponto, você sabe que aquele ponto é o teu limite. Se você passar dele, você é burro. É aquela história de cheguei à beira do abismo e fiz o quê? Dei um passo a mais. Eu cheguei na beira do abismo, eu tenho que parar, porque só burro continua a andar ali. Entender esse limite faz parte dessa construção da sua armadura emocional.

Denise: Dessa inteligência emocional.

Luciano: Eu sei até onde eu posso brincar com você, eu sei até onde eu posso te provocar, eu sei até onde eu posso chegar, dali para frente fica perigoso ou por que eu estou lidando com coisas que ficam completamente fora da minha alçada, eu não entendo daquilo que eu estou falando ou por que eu estou mexendo com valores que não se mexe, ou por educação ou por prudência. Tem limites. Acho que você entender esses limites faz parte de utilizar bem essa tua antifragilidade.

Marcelo: Como você falou no comecinho do episódio, o Nassim Taleb faz o livro retratando esse mundo caótico, todo tema dele é isso, desde o Black Swam, tem em inglês é Fooled by Randomness, o primeiro livro dele.

Denise: Esse eu não li.

Marcelo: É um dos primeiros livros dele, que ele mesmo enriqueceu, sabe da história, ele ficou milionário em uma dessas crises da bolsa, acho que da Rússia, porque ele aposta em opção, ele vai sangrando aos poucos antes de ter uma crise. Eu acho muito curioso do jeito que ele enxerga o mundo é que o ser humano, talvez tanto pessoalmente quanto organizações, ao enxergar esse caos, essa aleatoriedade, ele faz uma série de medidas para tentar controlar isso e fica frágil e fica iludido. É o tal do personagem, tem um dos livros que ele coloca o tal do peru, tinha uma época que eu queria fazer uma tirinha que era o peru, você lembra?

Denise: Eu lembro.

Luciano: O peru está lá todo dia sendo alimentado.

Denise: Bem tratado.

Marcelo: A vida inteira, minha vida é muito boa, está tudo sob controle. Até que chega a véspera de Natal, o cara vai e corta a cabeça dele e ele morre. O que para mim é mais importante que tem muito a ver com o nosso tema é isso, no fundo quando a gente fala que as empresas têm que ficar ágeis e lidar complexidade e começar a ter práticas emergentes, é entender que nessa aleatoriedade toda você experimentar e talvez tomar umas pancadas de vez em quando vai te tornar mais forte do que você tentar controlar o ambiente, que é o que as empresas estão acostumadas.

Luciano: A gente estava falando no carro de UFC, eu me lembro quando o Chris Weidman ganhou do Aranha, ganhou do Spider e o Spider era imbatível, ninguém ganhava do Anderson Silva e ele perdeu, com aquele jeitão dele, perdeu. Foram entrevistar e ele falou muito bem até hoje eu só tinha vitorias, hoje eu tenho uma derrota, eu sou um lutador completo.

Denise: Fantástico.

Luciano: Agora eu posso dizer que eu sou um lutador completo, porque eu perdi também. Faz parte do processo, você tomar a sua lição e aprender que não tem outra forma. Ninguém aprende só com vitória, não dá, quem só ganha, uma hora vai se arrebentar. Você aprende é no erro e na derrota, daí que vem o ensinamento. Eu não sei se você lembra, mas ao longo do livro teve alguns momentos que eu parei, que eu fui dar o pitaco, eu falei: eu estou no céu, porque esse cara está teorizando o que eu faço na prática.

Denise: Exatamente. Licença para matar.

Luciano: A vida inteira eu fiz assim, de repente esse cara está colocando em teoria aquilo que eu faço na prática.

Denise: Você já acreditava, já praticava.

Luciano: Eu tenho programas que eu fiz, tenho até textos, até livro meu, a muito tempo atrás eu escrevi que o meu método se chama 40 por 60. Eu entro nas coisas com 40 por cento muito bem resolvido e controlado e 60 por cento ao Deus dará. O que é isso? Isso é trabalhar com o caos. Estou com tudo bem organizado, só que está pronto para qualquer coisa que seja o inesperado. Esse é o conceito que eu usei para gravar o programa, por exemplo, eu vou gravar o Café Brasil, o Café Brasil entra 100 por cento roteirizado, Lalá já está gravando e editando ao mesmo tempo, o que vem dali para frente a gente não sabe, porque embora ele seja roteirizado, o processo de gravação a hora que a música vai entrar, o impacto da música, a gente: para, não é aqui que eu quero que entre, entra em outro pedaço, muda a letra, muda aqui, esse texto não ficou legal, faltou um negócio, me lembrei de uma coisa aqui agora. Tudo isso vai acontecendo ao longo da gravação do programa. Eu vou colocar uma música e o Lalá vira: tem uma versão muito melhor dessa música com o Racionais. Acha aí e vamos botar aqui agora. Então, faz parte do processo de gravação estar aberto para essas coisas caóticas que vão aparecer na hora. Tem um convidado assistindo o programa, está lá o convidado, o cara chegou na hora, a gente se conheceu, ele está sentado assistindo o programa, vou gravar e vou fazer a propaganda da (inint) [00:15:11] no meio do caminho, vem cá, trago o cara e ele entra, nós estamos completamente abertos.

Denise: Aí o time tem que ter a mesma mentalidade, senão…

Luciano: Sim, está tudo pronto, o que vier é lucro.

Denise: Se colocar um monte de virginiano aí.

Luciano: O que vier é o lucro. Faz parte disso, é usar o caos ao teu favor. Então, eu vou no flow.

Denise: Você sempre foi assim antes no Café Brasil?

Luciano: Fui, a vida inteira. Eu trabalhei durante 26 anos em indústria, em ambiente industrial.

Denise: Você é engenheiro de formação?

Luciano: Não, eu sou de comunicação. Eu era de marketing em uma indústria de autopeças, uma coisa muito bem formatada lá. Eu era o cara que cuidava da parte de propaganda, promoção, eventos e tudo mais. Era tudo caótico, os eventos da gente eram assim, estava tudo organizado, o som estava bem preparado, a infra estava bem organizada.

Denise: O conteúdo.

Luciano: Mas a hora que começava era a antena para vou aproveitar o que aconteceu que agora vai entrar no meio da bagunça e entrava no meio da bagunça. No final, saia um negócio melhor do que a gente tinha programado no começo. Tem gente que não consegue conviver com isso, que na hora que aparece o inesperado, ela trava, fica com medo, não vai adiante. Esse não vai ser antifrágil nunca, porque ele não se permite correr o risco de ter o inusitado. Quando eu trago isso para esse conceito no podcast, esse inusitado que acontece aí ele passa pelo microfone, ele vai passar aqui e vai acertar o cara que está me ouvindo. Eu tenho meu outro programa que é o LíderCast, eu levei essa ideia ao máximo, eu entrevisto gente e eu faço questão de não saber nada sobre a pessoa. Eu sento na frente da pessoa com a obrigação de sair com um programa de uma hora e meia na mão.

Denise: Como é que você escolhe as pessoas? Indicam?

Luciano: Alguém me dá a dica, eu quero gente que faz acontecer. Então, para mim, não importa o que a pessoa é. Pode ser um padre, um pastor batista, um padeiro, eu já levei um menino que abriu um barbershop em uma cidade de 15 mil habitantes. Não me importa muito, o pessoal me dá uma dica de alguém: “esse cara é legal” e eu recebo a pessoa com o mínimo a respeito dela. A gente começa a conversar e sai o programa de uma hora e meia que é absolutamente caótico na medida de que a gente não tem a menor ideia do que vai ser a próxima pergunta. A próxima pergunta será feita com a resposta da pergunta anterior e onde isso vai levar? Eu não sei, só sei que no final fica um barato, porque ele é assim, a gente entra para a dança desse jeito, então o que vier está valendo ali.

Denise: Mas você tem muito repertorio, qualquer um que estiver na sua frente você sabe o que fazer com aquilo.

Luciano: Então, mas aí é aquilo que eu te falei, eu só faço isso porque eu estou preparado para fazer isso, me preparei para fazer isso. Se vier um cara falar física nuclear, eu não vou querer me meter a discutir física nuclear com ele, eu já vou levar a conversa para outro lado, porque a física eu não posso discutir, mas eu posso discutir, por exemplo, as dificuldades de um físico nuclear para compreender o cenário político brasileiro, daí eu consigo discutir com ele, mas na física em si não. O que eu tenho que ter é esse bom senso de carregar para o lado onde eu posso agregar alguma coisa, caso contrário eu vou ficar sentado ouvindo o cara falar e aí não é o mais o programa como nós estamos fazendo ali. Mas eu te dei exemplo disso, para mostrar como esse conceito que ele coloca ali da antifragilidade está presente na vida da gente em tudo que a gente faz. Aí fiquei feliz quando eu achei o livro, o cara conseguiu teorizar o jeito que eu já vinha trabalhando. Dá para ver quando você escuta o programa, eu vou dar o pitaco, eu falo: a minha cabeça explodiu agora, o cara acabou de falar um negócio que…

Denise: Adoro a parte final do empirismo.

Luciano: Aí eu dou exemplo, o que ele acabou de falar, olha o que aconteceu comigo, blá, blá, prova o que o cara acabou de falar aqui.

Denise: Você falou uma coisa que eu quero resgatar, o cara que não tem esse espirito, ele não vai ser antifrágil. Ao mesmo tempo a gente tem falado o tempo todo de como a gente pode ajudar as empresas a reverem esse modelo mental de comando e controle para abraçar a incerteza, abraçar no sentido de cai na real que sempre foi assim, a gente que tinha uma ilusão de controle, que agora se mostra como uma fragilidade muito maior diante da complexidade cada vez mais presente, mais brutal. Como fazer então para ajudar as empresas a desenvolverem, não sei se a gente pode chamar de competência de antifragilidade nas pessoas? Será que é possível?

Luciano: Eu não sei se tem isso.

Marcelo: Qual é a raiz disso?

Denise: Será que podem ficar pelo menos um pouquinho menos rígidas?

Marcelo: Eu tenho essa dúvida filosófica se isso é meio constitucional, biológico. Você já é uma pessoa menos ansiosa e lida melhor com a incerteza, adora o conceito que encaixa com a sua natureza.

Denise: Se justifica.

Marcelo: Curioso que o Mariotti no outro episódio ele fala um negócio interessante: você tem que entender a natureza humana, antes da psicologia, até a natureza. É igual, por exemplo, você pega estoicismo que tem um pouco a ver, essas coisas estão meio ligadas, porque o estoico também aceita mais as coisas e vai lidando com aquilo.

Denise: Sofre menos.

Marcelo: Agora, eu fico pensando se um cara concebe escolher ser estoico, não é verdade? Ou se na verdade já é biologicamente estoico.

Luciano: Acho que você tem uma predisposição para isso, mas acho que você pode se treinar, que é a tal da mudança do mindset, aquela história toda lá, para se colocar ali. Você consegue, sendo uma pessoa tímida, falar em público, é possível fazer isso aí. O máximo que o tímido quer é passar desapercebido, então um tímido jamais falaria em público, jamais conseguiria entrar em um relacionamento amoroso, porque não vai conseguir conquistar o próximo. Mas a gente consegue se treinar para isso, então acho que é possível treinar. Acho que a única maneira das empresas fazerem isso é top down, se a cabeça lá em cima não tiver abraçado a questão, esquece aqui embaixo não vai acontecer nada, pelo contrário, vai se podar quem de baixo começar a colocar a asinha de fora, vai ser podado porque vai trombar em uma estrutura que é muito complexa. Se a empresa for grande, é mais complexa ainda. Eu me lembro na época que eu já tinha essa cabeça meio maluca quando eu trabalhava na indústria, a gente fazia as grandes reuniões de meio de ano para propostas do que vinha pela frente. Eu entrava naquela conversa toda baseada em números românticos, coisa de marqueteiro, números que são românticos, que estão no ar, para falar para o cara que era um controller e o controller estava sentado na minha frente com cara de ué, quando eu tinha certeza absoluta que ele não estava entendendo nada do que eu estava dizendo e eu ia tentar que esse cara estivesse comigo em um barco, que ele falava eu não vou entrar nesse barco nunca, porque esse maluco não sabe onde vai, não sabe o que ele quer, ele está falando coisas que eu não sei, ele está pedindo dinheiro para gastar em um negócio de branding, eu vou é consertar o torno, porque eu sei o que vai acontecer, um torno arrumado vai produzir peça eu vou ganhar dinheiro e esse maluco vem com essa conversa toda aí. A vida inteira eu convivi com isso aí e deu para notar claramente que existiam caras que tinham a cabeça extremamente cartesiana, para esses caras um e um tem que dar dois e não tem jeito de dar um e meio ou 2,3, que é o que nós estamos falando aqui, tem hora que vai ter que dar um e meio, tem gente que não conseguir aceitar, você não vai conseguir mudar a natureza dessa pessoa. Aí acho que é muito complicado, ou você quebra essa pessoa no meio ou prova para ela que abraçar essa incerteza pode trazer algum ganho. Acho que isso é o que nós estamos vivendo hoje, a humanidade está passando por esse momento que essas duas culturas se chocam. Vem uma garotada afim de a gente dá um jeito e se vira em um ambiente que é gerido por pessoas que cresceram o tempo todo no comando e controle, a planilhazinha no fim do dia.

Marcelo: Mas vai acontecer uma seleção natural, vocês não acham?

Luciano: Já está acontecendo.

Denise: Ao mesmo tempo vem uma geração com uma inteligência emocional, não sei se eu posso dizer isso, bem questionável, justamente um excesso de zelo da família, da sociedade, de não expor ao risco, ao desapontamento, a frustração, esse mimimi todo, faz sentido?

Luciano: Eu acho que o que você quer dizer é o seguinte: está vindo uma geração que questiona a autoridade, o organograma, a relação de causa e efeito em um ambiente que não dá para questionar muito algumas coisas, no fim do dia tem que dar resultado.

Denise: Mas também não foi exposta a tanto estresse para criar essa musculatura.

Luciano: Eu cheguei ali porque já teve alguém tomando porrada no meio do caminho. O que está acontecendo agora, a seleção natural que o Szuster falou nesse momento está acontecendo. Começou a estourar bolha aí, começou a quebrar empresa de montão aí, as startups que eram uma maravilha.

Denise: Olha o Uber essa semana.

Luciano: Está começando a dar problema direto, uma atrás da outra, porque no fim do dia tem que passar uma linha e tem que dar um número.

Denise: Tem que reequilibrar.

Luciano: Esse número tem uma sequência para acontecer, tem um processo a ser seguido ali.

Denise: Exato.

Luciano: Você não consegue implodir tudo e falar que vai ser tudo na zona e no fim dá certo, porque o mundo é lindo. Não, não vai dar. Começou a aparecer, eu não quero dar nomes aqui, mas começou a quebrar uma atrás da outra. Era outra bolha que estava se formando. Ao mesmo tempo empresas mais tradicionais, etc. e tal continuam mostrando que tem números. Essa transição dessas duas realidades vai ser um negócio muito interessante. Até a visita que você me levou para fazer aqui é muito claro, vocês conseguiram criar um ambiente aqui que ao mesmo tempo que eu entrei e vi uma molecada, aquela bagunça toda, na parede estão todos os gráficos, está lá o numerozinho, o azulinho, o vermelhinho, está se o cara está adiantado, o controle está todo colocado aqui. O ambiente é mais jovem, descompromissado, tem saco de dar murro, tem rede para dormir, tem comida. Então, vocês estão conseguindo combinar essas duas coisas, mas me parece muito claro que vocês não abandonaram a hierarquia. Talvez não tenha um chart escrito esse é o presidente, esse é o diretor, mas a hierarquia de responsabilidade existe, ela não foi bombardeada. O que eu tenho visto é o pessoal bombardear isso aí. Bombardeia isso tudo, porque nada disso vale. Foi isso que te trouxe até aqui, se está questionando, vamos melhorar. Pega o que está aí, vamos fazer melhor. O controle está nos impedindo de crescer? Então vamos ver onde dá para relaxar para poder crescer. Tem que cortar, vamos tentar entender o que é gordura e o que é carne. Dá para cortar só gordura e não cortar a carne? Essa compreensão não dá para ficar…

Denise: (Sense respond) [00:26:08], o que a gente fala aqui, testa, faz, lê e acho que um pouco da resposta para isso que acontece aqui na DTI, eu gosto muito quando o Taleb fala o seguinte: a espécie é mais antifrágil que o indivíduo e a natureza é mais antifrágil que as espécies. Por que hoje a gente fala tanto em time, embora times sejam importantes há muito tempo, mas hoje uma ênfase, uma forma diferente de tratar os times, acho que para ajudar esse indivíduo também dar um tempo maior para ele desenvolver um pouco disso. Quando você fala em seleção natural, o time também faz uma seleção de quem ele expurga e quem ele quer atrair nesse modelo de gestão.

Marcelo: Uma questão que eu vejo a partir do que o Luciano falou, que eu acho que é seríssimo é que a gente fala isso muito também até com ágil, muitas empresas e até pessoalmente adotam coisas sem entender profundamente o que está por trás.

Denise: Quer a receita.

Marcelo: A questão não é assim, por exemplo, a nossa hierarquia é bem, vamos dizer, a empresa tem poucos níveis hierárquicos, mas a questão não é assim, isso é uma religião ou porque isso é bonito ou feio, a gente entende que para atender o cliente da melhor forma possível, tem que dar autonomia na ponta e para criar o proposito para os times, ele tem que ter mais autonomia, o que não quer dizer que não vai emergir as hierarquias locais e outras que sejam necessárias. A questão é que as pessoas fazem as coisas, muitas vezes, sem entender exatamente o porquê estão perseguindo aquilo ou sem rever se exageraram em um ponto, por exemplo, se tem que voltar um pouco. A gente aqui, por exemplo, já descentralizou demais o marketing e começou a centralizar um pedaço dele e manter parte descentralizado. Eu não tenho o menor problema em fazer isso, a gente estava discutindo hoje em uma reunião, nós vamos experimentar um pouco isso, daqui a pouco talvez a gente descentralize, porque o que eu acho que só você reconhecendo que o mundo é mais incerto e que você é um organismo mais vivo, que acho que a metáfora da empresa ser um organismo mais vivo, você continuamente revê o que você está fazendo e não agora é hierarquia, agora é não sei o que.

Luciano: Pensar com a cabeça da empresa. As decisões que eu vou tomar aqui não são decisões do Luciano, porque o Luciano gosta disso ou daquilo, ele tem que tomar decisões pensando na empresa. Então, a decisão que eu vou tomar aqui é melhor para essa espécie que vai ser melhor para essa natureza. Se eu não tiver isso em mente, aí eu vou ter que estar muito bem alinhado com os valores que a empresa defende, eu vou ter que saber claramente será que eu estou alinhado, o dono da empresa está alinhado comigo? Ou ele tem um pensamento para um lado e eu vou para outro? Aí dançou. Se você consegue alinhar isso tudo, aí dá para você dar uma autonomia, porque você sabe que as decisões estão sendo tomadas pensando nesse todo, mas aí você tem que ter uma maturidade, não adianta colocar um moleque de 20 anos de idade e falar sai resolvendo. Ele tem que quebrar a cara, deixa eu ver quantas cicatrizes tem aí, quantos tombos você tomou.

Marcelo: As pessoas subestimam experiência. Na nossa reunião, hoje em dia eu apresento um manifesto nosso, eu sempre dou esse exemplo, eu falo até brincando que é um paradoxo: experiência não é igual a inteligência e vocês só vão entender isso quando vocês forem experientes. A gente quando é novo e o cara é inteligente, a gente aqui ainda bem que tem muita gente inteligente, o cara não acredita que as coisas não vão ser resolvidas pela inteligência dele, ele não entende que tem uma coisa que é tomar as pancadas, reconhecer padrão.

Luciano: É uma evolução do cérebro da gente, o cérebro aprende. Eu tenho outro podsumário, eu não vou me lembra qual é agora, já são mais de 30 e nessas alturas já misturei todos. Eu não lembro se ele fala do Jonathan Hyte, acho que é, que ele dá um exemplo a gente pensando na hora de pedir pizza, como é que a cabeça da gente funciona. Eu vou com mais 15 amigos comer pizza, tem três formas de pedir as pizzas. Você pode, por exemplo, perguntar para eles quantos pedaços cada um vai comer: eu vou comer dois, eu vou comer três. Você soma os pedaços, divide e deu oito pizzas, então eu vou pedir oito pizzas, esse é um processo. O segundo processo é você olhar para aquilo lá e pensar semana passada eu estive com esse grupo aqui e o grupo comeu oito pizzas e você pede as mesmas oito pizzas. Ele vai mostrando que tem várias formas de você tomar decisão, uma vai chegar em oito pizzas vai dar certinho, a outra vai chegar em 8,5 pizzas e ele fala só que o seguinte, uma você tem que fazer um baita cálculo, você perguntou para os caras e ele disse que ia comer três pizzas, mas na hora que ele colocou o primeiro pedaço já não era mais três, já era quatro e teve um que pela experiência falou a gente vem aqui todo o mês com treze pessoas, senta aqui e pede oito pizzas, está resolvido, são oito pizzas. Não tem que discutir, eu já sei a minha experiência. Ele fala que é uma questão de você economizar energia, de encontrar um atalho e esse atalho só veio porque você já viveu aquela experiência. Só que a hora que você chega e fala é oito, tem dez que vão questionar por que oito, vamos calcular, vai se perder tempo tremendo.

Denise: Ao mesmo tempo, também corre o risco de você ficar cristalizado na experiência e não perceber alguma variável, ficar cego pela experiência, que acontece comigo com…

Luciano: Se a pizzaria mudar o tamanho da pizza, por exemplo, deixar a pizza menor.

Denise: Porque senão, por exemplo, os nossos clientes de empresas que são líderes se sentem justificados, sempre fizemos assim, mas não percebem às vezes uma variação.

Luciano: Mas por isso que esse cara vem te contratar. Senão, ele pegava a um pedreiro e mandava fazer uma parede, sobe a parede aí que eu quero. É por isso que esse cara vem te chamar, eu quero trabalhar com você, porque eu acho que você vai traze coisas que vão me agregar.

Denise: Tem alguma coisa que eu não estou vendo.

Luciano: Eu sempre fiz assim, a vida inteira foi assim, o que você acha? Aí vai aparecer alguém e vai falar: tem um insight aqui que você não olhou até hoje e esse insight eu estou te dando, porque eu já atendi oito clientes com problema igual ao teu e naqueles oito apareceu uma coisa que você nunca viu, está aqui essa coisa nova.

Denise: Li hoje essa frase do Nassim Taleb: pagam-me dezenas de milhares de dólares para ir lá e ofende-los.

Marcelo: Vão continuar pagando.

Luciano: Ele pode fazer isso. Provavelmente, o que ele vai dizer, alguém da empresa já falou e nunca foi escutado e não se permitiu que ele fosse dito. Como era o Nissam, ele pode, porque eu paguei esse cara. Isso acontece comigo direto, porque eu sou contratado para fazer palestra e eu vou com as palestras e eu sei que a hora que eu abrir a boca, eu vou falar um monte de obviedade que aqueles caras já cansaram de ouvir. Talvez não tenham ouvido da forma como eu coloquei ali, mas eu tenho certeza absoluta do que eu estou falando aqui já foi dito na empresa, só que eu sou o santo de fora, aí de repente “o cara falou” e vai ficar um monte de gente brava, eu falei isso a vida inteira e ninguém me ouviu, agora vem esse cara de fora aí. Então, essa antena para você capturar esses insights de dentro, voltando aquela pergunta que você fez lá atrás, como é que a empresa pode se treinar para poder criar essa casca? É ter essa abertura, deixa eu ver o que vem daí. Tem um moleque de 15 anos, ele não pode nem abrir a boca, porque ele não sabe de nada. Ele tem uma competência que eu não tenho, ele é um gamer, ele joga game desde os oito anos de idade, esse moleque tem um lance que eu nunca consegui chegar na minha vida que é uma capacidade de tomada de decisão que eu não consigo ter. Talvez ao olhar um problema, ele traga um insight legal, que aí é bacana a coisa da diversidade, de trazer mais ideias, que eu acho um negócio muito legal e está se perdendo, porque as pessoas não estão entendendo direito o que é. Fala diversidade já se pensa um homem negro, um branco, um japonês, uma gorda, um gordo, um alto, um baixo, não é só isso.

Denise: Diversidade de opiniões.

Luciano: Ela não é formal, é uma diversidade e conteúdo, de experiência. Eu não vou trazer um homem negro, porque a pele dele é escura. Eu quero traze-lo, porque ele enxerga o mundo com os olhos de um homem negro, que é diferente de um homem branco. O tipo de pressão que ele sofre não é a pressão que eu sofro, é isso que eu quero, eu não quero a cor da pele dele, eu quero olhar dele.

Denise: Mesmo porque nascemos com um viés cognitivo que é todos nós sabemos resolver o problema do outro melhor que o outro. Todos nós somos peritos em criar o filho dos outros. Eu tenho feito isso quando vou facilitar planejamento estratégico quando o cliente insiste, de levar outsiders, então são dois clientes que não se conhecem e são de segmentos diferentes. Falo: você topa dar pitaco lá no planejamento? Para minha surpresa, está sendo bem aceito.

Luciano: Tem gente ganhando dinheiro com isso como eu nunca, o tal dos mastermind, ganhando dinheiro, o cara junta oito clientes de alto nível, põe em uma mesa, você paga uma nota para estar naquela mesa, joga teu problema na mesa e tem oito caras de alto nível ouvindo o teu problema e aquilo vira o exercício de resolução de problemas. Tem gente ganhando dinheiro de montão com isso aí, buscando o advice, os conselhos de gente que está olhando de fora. Acho que tudo isso faz parte, se você consegue montar uma máquina que seja aberta para esse tipo de input, eu gosto dos conselhos, eu quero ouvi-los, eu quero ouvir essas sugestões, essa molecada que está participando.

Marcelo: Só uma coisa que eu acho que é incrível, tudo isso é importante, não tem dúvida, mas é uma cosia até que o Mariotti falava nas primeiras aulas lá, isso vira muito pensamento mágico se a empresa não fizer a parte dela.

Denise: Terceirizar a coisa.

Marcelo: O cara pensa assim: eu pago uma nota, entro naquela reunião e vai aparecer uma ideia mágica, em vez de ele mudar essencialmente, porque a gente acredita demais que a estrutura da empresa para esse ambiente caótico vai ter que ser diferente, essa diversidade tem que estar embutida na empresa.

Luciano: Quando eu falo para você, essa máquina tem que estar aberta para receber esses inputs e tem que ter um processo colocado para transformar alguns desses inputs em realidade. Você coloca oito caras em uma sala, tem um turbilhão de ideias e não acontece nada com aquilo, na próxima reunião não vai termais um turbilhão.

Denise: O que eu vi disso acontecer.

Luciano: Agora, (de repente) [00:36:54], uma daquelas ideias, falar: isso aqui está acontecendo, está virando, está rodando. Aquilo é uma injeção de motivação inigualável.

Marcelo: Uma coisa que a gente sempre fala aqui, tem uma pesquisa, Luciano, eu já falei isso em outros episódios, que mostra um gap de execução gigante, a maior parte dos executivos reconhece que as empresas deles não estão apropriadas para o que vem por aí, mas poucos conseguem fazer alguma coisa mesmo, então o gap é de execução, porque a mudança é extremamente difícil, a gente está discutindo aqui desde o nível individual, cada um já não gosta de conviver com incerteza, o que dirá a empresa conviver com a incerteza. Então, a consultoria tradicional, essa que você compra empacotado o que vai fazer você mudar ou você simplesmente compra diversidade em uma reunião.

Denise: É isso, um pacote diverso.

Marcelo: Isso vai ser no máximo um trigger para te inspirar ali, a gente chama até de prime. Mas não tem jeito de fugir do seu dever de casa.

Luciano: Você está falando aí, eu estou aqui fuçando no meu celular, porque eu quero trazer aqui uma dica interessante, tem um livro que eu comprei há muito tempo que se chama Knowing Doing Gap, o gap entre saber e fazer, os autores são Jeffrey Pfeffer e Robert Sutton. Esse livro é antigo, não me lembro que ano é, lembro que eu comprei e eles estavam falando exatamente dessa coisa de todo mundo sabe o que precisa ser feito, não precisa mais perguntar para ninguém, não precisa mais, agora fazer é que é a grande encrenca. Então, a capacidade de você entender o problema, saber o que tem que ser resolvido e colocar isso em prática. Esse é um nó histórico, tanto que esse livro aqui não é novo, é um livro antigo, mas vale a pena dar uma olhada nele. Eu tenho encontrado isso direto e tenho visto o seguinte, não é o mais rico que está dando certo, não é o cara que tem mais ideias, é o cara que está colocando em prática a bobagem, o pouquinho no dia a dia. Tem cara que está fazendo acontecer. O fazer acontecer faz toda a diferença. Esse cara é brilhante, tem ideias brilhantes, mas aquele não é tão brilhante, mas ele faz. É menorzinho, menos brilhante, mas está fazendo e a soma daquilo.

Denise: É consistente, faz.

Marcelo: As empresas grandes são interessantes, porque isso que você falou, por exemplo, pessoal tem uma ideia, o livro do Lean Startup até brinca com isso, ele fala assim: eu te desafio você ter uma ideia boa e fazer alguém roubar ela. O pessoal tem uma ideia, não comenta com ninguém não, porque a pessoa realmente acha que teve a ideia, já está lá no ponto.

Denise: Às vezes a gente publica alguma coisa, aconteceu já muito isso comigo em workshop publicar uma foto: “mas se der um zoom de mil vezes dá para ler o que está naquele post-it”.

Luciano: Tem alguém esperando por isso? Eu fiz um LíderCast, depois eu vou me lembrar o nome das meninas, elas têm uma empresa, é um programa muito legal, porque eu começo sem saber o que elas fazem e termino continuando sem saber o que elas fazem. Trabalham com inovação, é uma maluquice de inovação, mas tem um momento lá que elas falam o seguinte: o banco Itaú nos chama, quer inovar em alguma coisa, mas o sistema não deixa, então ele nos chama, a gente vem e prepara aquele processo todo fora do sistema e quando ele está bonitinho e redondinho a gente vem e integra no sistema, aí a inovação acontece, porque se começar pelo sistema, o sistema esmaga ela. As empresas não têm capacidade de assimilar a novidade, porque a cultura mata, nem começa. Então, eles têm que fazer fora. A gente ver isso acontecer, tem cases maravilhosos de empresas que criam um apêndice, o apêndice ganha vida própria e…

Marcelo: E vira mais importante.

Denise: Acontecem cases também que faz isso e depois tenta enxertar aquela coisa e o corpo não aceita, já vi isso acontecer também., não reconhece.

Luciano: São animais diferentes e às vezes esse animal é o futuro, esse vai ser o futuro, vai dar certo. Vamos pegar um case babaca, o case da IBM, como é que uma empresa que fabrica computador se transformou em uma empresa de serviços com a dimensão que a IBM tinha?

Denise: Se tem uma das grandes antifrágil é a IBM.

Luciano: Olhando hoje, a gente consegue ver o processo acontecer, mas aquilo quando aconteceu era impossível, os caras vão se desfazer da alma para virar uma coisa. No entanto, os caras viram de ponta cabeça e viram uma coisa.

Denise: Microsoft também.

Luciano: Então, essa agilidade, isso tem um lance do antifragilismo nessa história toda, que é você bateu, aprendi, voltei melhor do que eu era antes de apanhar. Ao voltar melhor, posso tomar uma decisão do tipo largar tudo que existia e vou partir para um negócio novo. Tem um programa, acabou de sair o LíderCast, desculpa eu dar tanta dica aqui, porque o LíderCast para mim é uma escola.

Denise: Isso mesmo, nossa intenção é alimentar as pessoas para elas conseguirem se desenvolver mesmo.

Luciano: Acabei de colocar no ar, publiquei agora pouco, o LíderCast 171 da Fabiana Salles. Essa garota tem uma empresa que trabalha com a questão de saúde nas empresas e tudo mais, ela começa a carreira dela, se forma com um trabalho escolar, o TCC dela, que é um trabalho que ela quer construir um medidor de pressão ou sangue, alguma coisa assim, que fosse pequeninho, porque ela ver a mão dela com o holter, passando o dia inteiro com um baita aparelho pendurado e fala: “não é possível que esse negócio seja tão complicado, deixa eu desenhar uma coisa mais simples”. Ela desenha aquilo e parte para criar uma empresa com aquilo. Ela vai e tromba em um problema que ele fica complicado, ela vira para outro lado, vira, vira e ela vai falando pivotar, que é o nome da moda, é muito legal porque você vai vendo, ela faz quatro empresas, uma nasce da outra, porque ela tromba em uma necessidade do cliente e fala: “isso que eu estava fazendo, está errado, o aparelho que eu quero vender para ele não serve, mas o conhecimento que esse aparelho me propõe, eles não querem comprar o aparelho porque falta uma informação, eu vou mergulhar nisso aí”. Aí ela virou uma empresa de informação, ao mexer na informação ela saca que não adiantava nada ela vender informação que aquilo não ia funcionar se ela não vendesse a solução daquela informação, aí ela faz uma nova empresa. Depois da nova empresa, ela pivota outra vez até chegar no que ela faz hoje que é trabalhar com inteligência artificial em cima não só do diagnostico, chegar falar para o cara: “tua empresa está com esse potencial, tem tantos funcionários, 30 por cento vai ter um problema de coração daqui dois anos, tome a providencia agora”. Só que para chegar aqui, ela foi trombando em problemas e cada vez ela via uma solução. Tinha toda aberta para: estou numa empresa de manufatura de aparelhos, não é mais, para que isso agora é uma empresa de desenvolver software, agora não é mais, agora é uma empresa de inteligência e estratégia, agora não mais, agora é uma empresa de inteligência artificial. Essa predisposição para você entende o que está acontecendo e abraçar essa nova causa chama agilidade.

Denise: Exato, que no final é inteligência. Eu aprendo e eu vou desenvolvendo a minha antifragilidade, porque esse conhecimento eu só tenho porque eu me expus.

Luciano: Eu perguntei para ela: “como é que você lida com esse desapego emocional?”, porque é a minha história, eu construí isso aqui, investi dois anos da minha vida e agora eu parei e falei não é mais, joga fora e começa de novo, que desapego é esse? E ela: “não é desapego, é que para sobreviver eu tenho uma coisa muito melhor aqui na frente”. Isso para mim é um exemplo da tal da antifragilidade, apanhei, apanhei, apanhei, não deu, um dia eu paro e falo aprendi, vou partir para outro caminho, me desapego daquilo e vou tocar adiante.

Denise: Esse assunto é fascinante, porque no final das contas, a gente sabe a empresa é o clichê, mas são pessoas, mas quando a gente fala vamos desenvolver uma mentalidade ágil, ser realmente uma empresa disposta a aprender, que valoriza o aprendizado, a gente cai inevitavelmente nas pessoas e quando você pergunta quem quer mudança (Ê) [00:45:12], quem quer mudar (Ahn) [00:45:14]. Quem são essas pessoas, essa questão que a gente estava abordando aqui. Quem são as pessoas que estão mais predispostas, isso até que ponto dá para mudar, até que ponto é genético, qual é o ponto que o ponto máximo, que ela fratura, quebra. É até interessante porque a gente está gravando esse episódio justamente quando o Joker, o Coringa está em cartaz, que é uma pessoa que quebra emocionalmente.

Luciano: É aquela história, em sete bilhões tem um Coringa.

Denise: Mas é humano.

Luciano: Que quebra de um jeito, aquilo é uma quebra louca.

Denise: Mas é uma quebra e a gente está…

Luciano: Mas vem para o nosso dia a dia, nós estamos rodeados de gente que não serão Coringas, mas poderão quebrarem algum momento. Acho que eu publiquei hoje no Facebook um artigo, um trabalho feito nos Estados Unidos, se eu não publiquei vai sair agora, um trabalho que foi feito para mostrar a importância do soft skills e do hard skills e está dizendo que as empresas estão contratando ou mandando embora muito mais em função dos soft skills, que são as habilidades soft, do que do hard skills. O hard skills eu ensino, aprender a lidar uma planilha, a programar, tudo a gente ensina, a questão é o que você não ensina, inteligência emocional, capacidade de reação, controle, etc. e tal, que isso não aparece no currículo de ninguém.

Denise: Olha o grande gap.

Luciano: Você não escreve no seu currículo: “eu sou mercurial, fico puto com gente que não concorda comigo”, isso não está em lugar nenhum. Você só vai descobrir isso aí quando você usar. Vou contratar a pessoa e vou descobrir como ela funciona depois que ela já está aqui há três meses. Acho que isso é um problema muito sério, vamos voltar ao cafezinho que eu publiquei hoje, em que eu contei o seguinte: uma grande empresa fez uma pesquisa gigantesca e mostrou o seguinte, nós vamos ter um problema seríssimo dentro de dez anos, porque não haverá pessoas capacitadas para assumir as vagas que estão aparecendo. A vaga existe, mas não tem gente capacitada para preencher essa vaga, porque nós abandonamos uma série de coisas que a gente vinha fazendo, vai ser dificílimo encontrar um bom pedreiro, carpinteiro, eletricista, programador, etc.

Denise: Tem até professor.

Luciano: Quando eu termino de fazer o programa, eu conto que essa pesquisa é de 2006.

Marcelo: Que assustador.

Luciano: Aí eu prego o seguinte: nós estamos discutindo quantidade de desemprego e não estamos discutindo qualidade do desemprego. Qual é o desemprego que não existe? Eu conheço um monte de empresas que tem um monte de vagas e não conseguem preencher a vaga,

Denise: A nossa aqui.

Luciano: Não consegue preencher as vagas, por que é um monte de gente ruim? Eu diria que não, tem um monte de gente capacitada com hard skills na ponta dos cascos, mas na hora que você começa a funcionar nos soft skills, já vê que esse não vai esse adaptar ao meu esquema, não tem os valores que eu comungo, não serve para o nosso esquema aqui. Eu não lembro onde eu vi, eu estava ouvindo essa semana alguém comentar que fizeram uma entrevista com o pessoal da Ambev, alguém grandão da Ambev e Ambev é reconhecida no mercado como sendo uma empresa dificílima do ponto de vista de sistema, de processo, ela suga, tira até o bagaço das pessoas. A pergunta era a seguinte: como é que vocês conseguem ter gente trabalhando e galgando espaço em um ambiente como esse de vocês que é altamente competitivo? Ele falou: “porque nós só contratamos gente que se adapta a esse ambiente competitivo”.

Marcelo: É a seleção natural.

Denise: O que você falou do soft skills, fenomenal, aí você já tocou em outro ponto que é muito bacana, que chamam de fit cultural. Hoje na Netflix, as pessoas se matam para entrar lá, quem é demitido ou quem pede para sair, qual é a questão? Porque eles filtram muito, eles colocam lá nos valores “nós queremos os melhores e a gente vai pagar até um pouco acima”, então não tem problema de hard skills e eles valorizam os soft skills, mas acontecem problemas de fit cultural. Não consigo lidar com essa autonomia toda, essa falta de clareza do que vocês esperam de mim. Quando alguém é demitido, simplesmente o gestor fala: vou te convidar a sair. Mas aí não fica muito pessoal? Mas o time não questiona, já está latente que aquela pessoa não está entregando para o time, porque não adianta também você ser brilhante, um dos valores é o time entender que você colabora, se o time não está entendendo, mesmo que você seja brilhante, então não interessa. Hoje, cada vez mais a gente ouve falar nesse alinhamento.

Luciano: Você está falando na seleção brasileira de futebol por acaso? É disso que você está falando? Você vê como está em todo o lugar? Isso é da natureza humana, para voltar ao termo que vocês usaram lá atrás. É da natureza humana, a gente é assim. Quem conseguir trazer essa conceituação da natureza humana para dentro do ambiente de negócios, acho que tem uma vantagem competitiva muito legal de criar uma empresa capaz de ser viva, que não deixa o controle amarrar e quando o controle amarra tem alguém gritando: “gente, estou amarrado, me libera”.

Denise: Exatamente, porque os sistemas complexos precisam desses agentes que estressam.

Luciano: Um ponto importante, batendo naquilo que o Szuster colocou ali da questão de fazer acontecer, no dia tem que dar resultado, tem que ter lucro.

Denise: Business.

Luciano: Tem que dar dinheiro, porque se não der acabou tudo, desmontou o sonho. É isso que está acontecendo agora e nós vamos ver mais acontecer, porque essa conversa toda das startups, isso vai demolir porque vai ter que dar o resultado.

Marcelo: Eu sempre conto aqui também uma história que parece até boba, mas um cara uma vez em uma outra empresa que eu estava fez um negócio interessante. Ele chegou e perguntou pra todo mundo: “se a gente não vender, o que acontece?”. Deu aquele silencio e todo mundo ficou tentando dar umas respostas bonitas, tentando respostas inteligentes.

Denise: Não deve ser tão simples essa resposta.

Marcelo: Querer impressionar. Aí ele simplesmente foi no quadro e escreveu assim: nada. Eu falo isso para todo mundo, porque eu falo que a gente aqui não recebe imposto, então a única fonte de receita que existe é o cliente, então o único jeito de você manter tudo que existe é sendo relevante para o cliente. É engraçado, porque por mais óbvio que isso seja, é fácil você se abstrair no ambiente que você está, aquilo não existe independente, aquilo só existe por causa do cliente. É tão engraçado quando falam assim: tem obsessão pelo cliente. Quem pode não ter obsessão pelo cliente? Você só existe por causa disso. Você começa a viver em uma abstração, uma bolha, dali a pouco você acha que isso aqui, a nossa sede, as coisas vão existir sem o cliente, só se a gente começar a recolher imposto.

Denise: Não por acaso você citou a Amazon. A gente está falando dessa bolha que a gente está começando a ver explodindo agora das startups, nós que passamos pela bolha de 99 virada para 2000, a bolha da internet, eu lembro na época que e olhavam para a Amazon, Google nem tanto, mas olhavam para a Amazon e falavam: que horas que ela vai quebrar?

Luciano: O Bezos foi motivo de piada de montão.

Denise: Muitàs vezes Jeff Bezos foi motivo de piada. Aí outra também que a gente pode considerar pela história até então, antifrágil.

Marcelo: Aquela reportagem que você mandou lá do Brasil Journal, que é um blog excelente, um cara falando do WeWork. Impressionante, independentemente de qualquer coisa, você imagina o CEO tinha um jatinho de 60 milhões de dólares. Por que o CEO da empresa tem um jatinho de 60 milhões de dólares, por que alguém aprovou, qual o canto da sereia que esse cara jogou em alguém que o acionista, o conselho acha que o CEO tem que te rum jato de 60 milhões de dólares? Aí ele saiu agora com 700 milhões de dólares no bolso.

Denise: E o circo está desabando.

Marcelo: A empresa perdeu valuation, ele foi demitido, mas ele sai com 700 milhões de dólares no bolso. Você lê o troço, é até engraçado que o autor é muito, o cara que é entrevistado, é muito contundente, aí ele fala: “ele não foi demitido, ele foi libertado”, porque imagina o cara frequentar o mesmo lugar que ele está com os 700 milhões de dólares, mas a empresa está entrando em crise.

Luciano: Essa matéria que você mandou, foi de qual jornal?

Marcelo: Foi do Brazil Journal, do Geraldo Samor.

Luciano: O nome do cara entrevistado? Eu publiquei ontem no Facebook, porque eu busquei uma frase no meio da fala dele, Scott Galloway, a frase dele é a seguinte: o mercado terá que decidir quão tênues são os limites entre visão, bullshit e fraude.

Denise: É o título da matéria.

Marcelo: Essa frase é genial.

Luciano: Visão, bullshit ou fraude. O mercado vai ouvir esse canto todo lindo e maravilhoso, vai chegar e ficar encantado com aquilo que vai ver e tem que olhar e falar: vem cá, tem resultado nessa história aí?

Marcelo: Sabe o que é engraçado, que isso é uma coisa que o Nassim Taleb fala muito na verdade, porque ele critica os caras de terno e as (bullshitagem) [00:55:13] toda que ele fala, ele é extremamente crítico a isso, porque sendo um negócio um fenômeno tão complexo e tão difícil de prever o sucesso, muita gente tem sucesso, não sabe nem por que teve sucesso, mas explica aquilo retrospectivamente e vira um gênio.

Denise: Em retrospectiva, tudo faz sentido.

Marcelo: É o que mais tem no mundo de negócios, às vezes você deu certo só porque deu sorte de abrir em uma época boa alguma coisa, só isso, 70 por cento da explicação está ali e o cara é um gênio.

Luciano: Eu comecei minha carreira como cartunista, depois fiz comunicação visual, virei diretor de arte, etc. e tal. Tinha aqueles cases nossos na área da propaganda e publicidade que eram fantásticos, você vai criar um logotipo para a empresa, eu sento e crio o logotipo maravilhoso, terminou o logotipo, eu vou montar o racional dele, aí vou contar a história do logotipo e aí cabe tudo. Você está vendo essa bola aqui? Isso aqui representa o sol se pondo, porque você blá, blá, que é a história de retrospecto, que é muito fácil contar.

Denise: Que cliente adora, digamos de passagem, porque ai de você se você não conta a história, você quer que eu pague essa bolinha í?

Luciano: Você ver aquela história contada e fala: genial, encontrei o caminho das pedras aí e não é caminho das pedras. Eu me lembro que eu fiz um programa outro dia, fiz um texto inclusive contando, fui ver uma palestra do Abílio Diniz, ele sobe no palco, um bilionário estava no palco fazendo a palestra, porque quando eu era pequeno eu era o Abilinho e na escola que eu estava, eu era gordinho, então o esporte da molecada era bater no Abílio, eu era filho do padeiro, eu cheguei até hoje, hoje estou aqui nesse palco e se eu cheguei, você também pode chegar. Essa foi a frase dele, apontando para mim, se eu estou aqui, você também pode estar. A possibilidade minha de estar no palco com Abílio como um bilionário existe, mas a probabilidade é minúscula. As pessoas olham para aquilo e falam: encontrei o canto da sereia, vou comprar o livro dele e seguir os passos dele. Não adianta eu seguir os passos dele, se eu fizer exatamente tudo aquilo que ele fez, eu não vou ter o resultado que ele teve, porque tem alguns componentes que no meio do caminho você não vai explicar…

Denise: Você não controla.

Luciano: Você precisa de física quântica, você precisa de alguma coisa para explicar o que foi aquele movimento que aconteceu de ele estar naquele momento, naquela hora, para encontrar com aquele sujeito e gerar oportunidade que ninguém geraria.

Denise: Você conseguir explicar, também não significa que você vai conseguir reproduzir em cativeiro, esse é o ponto, mesmo que você consiga explicar.

Marcelo: Tem um autor, acho que até vou faze rum Enzima sobre, tem um autor que fala uma gosta que eu gosto demais, ele fala assim: o desempenho é bounded, é uma coisa restrita, o sucesso é unbounded, está na rede, não está na pessoa. Nesse mundo de negócios que é tudo rede social, o desempenho é amplificado pela rede, porque se você pegar o desempenho de cada um, vai ter uma curva normal, o ser humano não consegue um ser mil vezes melhor que o outro, isso é ridículo. O que é unbouded é o sucesso, porque o sucesso não está no cara, está na rede.

Luciano: Popularidade é um fenômeno de networking.

Marcelo: Exatamente.

Luciano: Você pega um sujeito que mora no sertão do Piauí em um lugar acabado, não tem nem agua encanada, é um horror, tem um celular babaca, pega aquele celular, começa a gravar uns vídeos sem vergonha, põe no Instagram e tem onze milhões de seguidores e vira um sucesso e está aí viajando o mundo e arrumou a vida de todo mundo lá. Qual é a chance de um negócio desses dar certo?

Marcelo: Isso é igual ganhar na loteria, exatamente a mesma.

Luciano: No entanto, isso está acontecendo, agora como é que você explica isso? Se eu seguir a formula dele, eu não vou conseguir fazer, não vai dar certo, porque houve no meio do caminho, que é aquela história de probabilidade, a probabilidade era mínima, acertou nele e ele deu certo. Acho que nunca houve tanta oportunidade para que isso aconteça como existe hoje. Também nunca houve tanta concorrência, então é cada vez mais difícil. Apesar e eu ter diante de mim todas as ferramentas para fazer acontecer, nunca foi tão difícil fazer acontecer como é hoje em dia, porque eu estou disputando com o mundo inteiro. Eu estou falando agora como um cara que trabalha com internet, faço um podcast, estou aí há 13 anos. Tudo aquilo que eu tenho é inho, eu tenho um podcast que tem inhos ouvintes, não é milhões, nunca é ão, não é um milhão. Quantos seguidores eu tenho? Eu não tenho ão, inho, eu tenho 100 mil, 70 mil, 80 mil downloads, 12 mil no Twitter, que é uma porcaria, é tudo inho. Eu tenho que fazer o meu negócio acontecer nesse ambiente inho, porque se eu ficar de olho no ão eu vou morrer seco aqui, eu sei que dos dois milhões de Lucianos Pires inhos, dois vão virar ão e eu vou estar disputando esse ão? Não, como é que eu faço para tratar esse negócio aqui no ambiente que eu estou, fazer com que ele vire alguma coisa que eu possa sobreviver em cima desse inho, sem ficar de olho no Abílio Diniz gritando que eu posso estar lá se eu seguir meia dúzia de coisas, não tem.

Denise: Criando a tua própria história.

Marcelo: Eu faço a comparação disso, quando eu leio aquele livro Organizações Exponenciais, por exemplo, aí fala que toda empresa tem que ter um proposito massivo transformador, eu acho isso um absurdo. 99 por cento das empresas não vão ter um proposito massivo transformador.

Denise: Se tiver um monte de empresa com esse propósito massivo transformador também, não tem lugar.

Marcelo: 99,999 não vai se o Abílio Diniz e você não tem que ser.

Denise: Não tem lugar também para tanto.

Marcelo: Se o cara para viver tem que acreditar que ele pode ser, ele está perdido, porque se ele tiver um pouquinho de bom senso, ele sabe que a gente de ele ser é mínima. Ele pode tentar ser outras coisas até virar um Abílio Diniz.

Luciano: Vou retomar um negócio que você falou no começo agora aqui, quanto custa ser Abílio Diniz, qual o custo emocional de ser Abílio Diniz? Qual é o custo emocional de ser a Madonna? Eu almejo eu quero ser a Madonna.

Denise: A gente só ver o sucesso.

Luciano: Eu quero ser o, eu vou dar uns nomes legais…

Marcelo: A Anita.

Luciano: Eu quero ser o Michael Jackson, a Amy Winehouse. Qual o custo de ser isso? Qual o custo de ter 20 milhões de seguidores? Qual o custo de ter um milhão de seguidores? Em que uma pisadinha que você dê fora, você é destruído no dia seguinte. Eu quero isso? Talvez eu não queira, talvez eu fale que não é ali que eu quero ficar.

Marcelo: Nós estamos enveredando aqui por esse caminho, tem aquela serie da Globo, Sessão de Terapia, não sei se vocês já viram, com o…

Denise: Porchat?

Marcelo: Não, não é comédia.

Luciano: O que é Globo?

Marcelo: Um ator famoso, Selton Mello.

Denise: É uma serie que era da TV fechada.

Marcelo: É uma serie (israelense) [01:02:17]. Mas eu estou achando engraçado que é um escritório de um psicólogo, e o episódio é exatamente um personagem, que ele está cuidando dela, é uma atriz famosa, influencer, blá, blá, ela vive tanto para os outros, que é como se ela não vivesse para ela.

Luciano: Não tem vida própria.

Marcelo: Ela é 99 por cento do tempo da pessoa é satisfazendo o que está acontecendo fora.

Denise: O preço oculto.

Luciano: Traz isso para o ambiente da empresa, será que eu quero ser a empresa bilionária gigantesca com 20 mil funcionários? O que vai acontecer comigo, quanto custa ser isso? Será que eu quero isso? Eu pessoalmente não quero, eu bolei um modelo de negócio meu que é totalmente inho, sou eu e duas pessoas e olhe lá.

Marcelo: E a jornada para você é mais prazerosa.

Luciano: Claro. Se eu tiver que agregar mais um, eu vou pensar um milhão de vezes, eu vou contratar uma empresa para fazer o que esse um faria, porque eu não quero aumentar o meu tamanho, eu não quero ficar maior, eu sei quanto vai me custar pessoalmente, porque eu já vim de ambientes que eram assim, eu assisti lá, eu falei espera um pouquinho, já defini que o meu negócio é replicável até um limite. Desse limite, eu não posso passar, porque se eu passar, vai ter um custo para mim.

Marcelo: É interessante, eu imagino que o seu negócio você gosta de colocar sua marca mesmo, por isso que ele não fica escalável, mas isso para você não é tão importante, porque é o que te dá o prazer. Por exemplo, você poderia ter feito ele ficar muito mais escalável, contratar muitos redatores, fazer muito mais conteúdo, mas aí perdeu a essência.

Luciano: Esse é o momento que eu estou vivendo agora. Meu negócio chama-se Luciano Pires, se você tirar o Luciano Pires, não tem mais negócio. Do ponto de vista de qualquer startup, qualquer empreendedor, esse é o erro inicial.

Denise: É a fragilidade.

Luciano: Nem comece, porque se você é o cara que tem que fazer tudo, o teu negócio morreu, ele não é escalável. A questão minha é o seguinte: até onde eu consigo ir? Então, do modelo que eu tenho hoje, esse modelo consegue se tornar um modelo que me faça viver bem? Eu não quero ter jato, não quero um apartamento em Paris, eu quero viver uma vida tranquila. Será que eu consigo essa vida tranquila do tamanho do negócio que eu tenho? Se eu concluir que não dá, eu vou ter que partir para outro caminho, mas eu acho que dá. Estou com 63 anos, não tenho mais muito tempo de invenção pela frente.

Denise: Você tem, você vai viver até uns 125.

Luciano: Mas não vou no microfone falando ali, não vai dar. Então, chegar nessa consciência é complicado, porque tem um lance da ambição “eu quero um milhão de seguidores, 100 mil assinantes”. Você cortar essa ambição e falar não, para. Para você chegar aí, você vai ter que multiplicar a tua estrutura cinco, seis, sete, oito vezes. Aí você deixa de ser o artista que está fazendo a tua arte com o teu tesão para ser um administrador que vai administrar outro tipo de coisa. É outro negócio, não é mais o negócio que eu estou tocando hoje.

Denise: Volta ao que Szuster sempre fala aqui, o líder, uma pessoa para ser bem-sucedida nesse modelo, nessa complexidade, tem que ser muito bem resolvida. A gente está aqui falando com uma pessoa muito bem resolvida, pelo jeito.

Luciano: Tem que ter uma escolha, você vai fazer uma escolha no meio do caminho e essa escolha passa por você encontrar um lugar na pirâmide social, na hierarquia social. Passa a abrir mão de uma porrada de rótulos.

Denise: Saber que opinião que te interessa.

Luciano: Eu não tenho cartão de visita escrito assim “Luciano Pires da Coca-Cola”. Não tenho, meu brading sou eu que não é muita gente que conhece, então ele não abre portas por aí, ele abre pouquíssimas portas. Conviver com isso significa que eu tenho que refrear essa ambição. Até onde ela vai? Está muito claro para mim ela vai até o momento que me enche o saco. Começou a me exigir demais, eu não quero, eu vou ter que pensar e rever o meu negócio. No dia que eu morrer, o negócio acaba. Nesse momento eu estou vivendo isso.

Marcelo: Só uma curiosidade, está virando um LíderCast invertido aqui. Essas reflexões por exemplo, você ter essa coragem, porque existe uma pressão da sociedade por aquilo que é quantificado, aquilo que é mais quantificado, que é o que faz várias pessoas caírem no canto da sereia de realmente procurar o que é só mais material ou mais visível, porque tudo isso é mais invisível. Tudo isso começou quando você foi no Everest.

Denise: Que hora que fez o momento iluminado?

Marcelo: Eu estava ouvindo o episódio que você falou do Everest, eu não sei se eu tenho coragem de ir para o Everest, mas será que uma viagem dessas…

Denise: Muda tudo?

Marcelo: O que acontece?

Luciano: São momentos da vida da gente. Eu fui para o Everest com 44 anos de idade, já tinha mais de 20 anos de empresa então eu já era um profissional do mundo corporativo, experiente e já acostumado. Quando eu fui para o Everest, o que eu fiz ali foram 15 dias de caminhada na montanha, onde seria a mesma coisa de eu me trancar em um lugar fazendo meditação durante uma semana. Você quando está parado lá e a única coisa que você faz é andar e pensar, você repensa a sua vida inteira. Aquilo me serviu para me alertar de algumas coisas.

Marcelo: Você já foi lá para algum motivo.

Luciano: Eu fui para ver se eu conseguia ir, para ver se eu conseguia vencer um desafio diferente do meu dia a dia. O meu desafio do dia a dia é intelectual, tomar decisões, sobreviver nesse mundo, essa selva nossa aqui. Lá era outro desafio, era técnico, de corpo e tudo, que eu nunca tinha visto, eu falei: vamos ver se eu sou bom mesmo, quero ir ver se eu consigo fazer aquilo lá. Aquilo serviu como um grande momento de me repensar. Quando eu voltei, eu falei vou assumir coisas que eu tinha largado para trás. Eu tinha deixado de desenhar, vou voltar a desenhar. Eu não tinha mais escrito, vou voltar a escrever. Vou reforçar esse meu papel de colocar minha opinião para fora do mercado. Foi quando eu voltei que eu comecei a estruturar isso tudo. Até então, eu já fazia palestras, já escrevia, já publicava um monte de coisa, já fazia tudo pequeninho. Quando eu voltei, eu falei vou estruturar isso aí de uma forma que eu possa fazer com constância. Aí comecei a fazer. Aí nasce textos semanais, toda semana, nunca mais falhou um texto, nasce o podcast, vão nascendo as coisas devagarinho uma atrás da outra. Até que em 2008, oito anos depois, eu saio da empresa. Na hora que eu saí na empresa, deu meu tempo, com 50 anos de idade você para e espera um pouquinho, agora eu pego esse currículo aqui e vou procurar emprego em uma outra empresa para começar tudo de novo aquela encheção de saco, aquela comedia coorporativa, aquele teatro horroroso? Não, se é para me incomodar, vou me incomodar comigo. Então, eu vou tocar o meu próprio negócio. Foi aí que eu montei o conceito do Café Brasil e já faz 11 anos isso, aí eu virei um empreendedor brasileiro vendendo cultura, que é um absurdo, a chance de dar errado é 98 por cento. O que eu vi de gente quebrar no meio do caminho. Eu, aos trancos e barrancos, fui tocando aquilo lá. Desde que eu saí da empresa até hoje, o meu patrimônio só caiu, ele nunca subiu um tostão, ele só diminui. Eu estou há 11 anos insistindo nessa história toda, porque tem um intangível. 63 anos, eu saio da minha casa, ando 60 metros e entro no meu escritório, você viu o meu escritório. Meu escritório é um brinco, é o que eu sempre quis ter na minha vida. O meu estúdio está há quatro metros da minha sala, não tem ninguém para me encher o saco, se eu não quiser ir trabalhar hoje eu não vou. Eu lido com clientes que eu faço atendimento direto com os caras, é tudo inho, mas me deu uma paz na idade que eu estou que não tem dinheiro no mundo que pague. Se eu morrer amanhã, acaba tudo, meus filhos vão ficar com um pequeno patrimônio que eu montei aí, não tem anda além daquilo lá.

Marcelo: É curioso, o Café Brasil é frágil.

Luciano: Então, a discussão minha nesse momento é como que eu faço que isso se transforme em algo além? Que a hora que eu terminar essa coisa continue. Aí vem a questão como é que eu faço a produção de conteúdo não dependa tanto do Luciano, vou ter que contratar redatores? Eu já tentei e o resultado é terrível. Não é por que eu sou bom, é porque o meu DNA não está ali.

Marcelo: É porque o cara não é você e você gosta de colocar a sua marca.

Luciano: Isso me obriga a me transformar em outra coisa, eu vou ter que virar um gestor de conteúdo e não mais um criador de conteúdo.

Denise: De novo, a que preço tudo isso?

Luciano: Isso, exatamente.

Marcelo: Você se define até mais como um artista mesmo.

Luciano: Eu para mim é, o que e faço é arte.

Marcelo: Aí um artista não tem negócio escalável mesmo.

Luciano: Não, o que eu faço é arte. Talvez a tecnologia consiga escalar isso de alguma forma para mim. A gente vem falando hoje, a gente estava no carro falando, os caras não pegaram Friends que é uma serie que foi ao ar há vinte anos, que já acabou, que já está velha, a Netflix não acabou de comprar por 500 milhões de dólares?

Marcelo: A minha filha de 12 anos agora é fã absoluta de Friends.

Denise: É mesmo?

Marcelo: A festa que ele foi o tema era Friends.

Denise: É só recriar isso ou fazer a continuidade.

Luciano: Se você olhar há vinte anos, quando a série foi ao ar o ultimo capitulo, eu tenho certeza absoluta que os caras falaram: acabou, encerrou, ultimo capitulo foi ao ar, não vai acontecer mais nada. Eu duvido que alguém deles tenha pensado que daqui a 20 anos nós vamos vender isso aqui por 500 milhões de dólares. Jamais alguém pensou isso. O cara deve ter pensado: a gente licencia isso aí, dez mil aqui, 20 mil ali. Meio bilhão 20 anos depois por um treco velho? Isso só foi possível porque a tecnologia virou o mundo de ponta cabeça. Talvez esteja aparecendo alguma coisa aí que vai pegar essa minha agonia de hoje e falar: espera um pouquinho, esse repositório de 680 podcasts eu tenho aí talvez se transformem em alguma coisa.

Denise: Ou seja, Luciano, de novo você está vivendo os 40 e 60. 40 por cento sabe o que vai ser, os 60 não, e tudo bem.

Luciano: Está aí e eu não sei o que vai acontecer. Talvez o volume de material que eu tenho de conteúdo produzido, eu mesmo não fazia ideia, eu não sabia quanto eu tinha produzido, só fui ter uma ideia do que eu tinha, quando eu fiz dez anos de programa e resolvi fazer um livro. Essa história é muito legal. Eu resolvi editar um livro, vou faze rum livro de dez anos de Café Brasil onde eu vou pegar o roteiro dos primeiros 500 programas, vou pegar e vou fazer um resumo do roteiro e vou publicar a história e os 500 roteiros para ficar como um guia. Peguei aquele material, preparei todo, chamei o meu editor, falei: está aqui, vou lançar um livro. Mandei para ele o material, ele virou para mim e falou: você tem certeza? Eu falei eu tenho, por quê? Porque está com 800 páginas o livro.

Eu tive que me virar, cortar os roteiros todos, transformar em uma fichinha técnica e saiu um livro com 350 páginas, que é um livro contando os meus 500 primeiros programas, já estou com 680 e tantos. Tem um volume gigantesco que de alguma forma vai ter algum valor se ele for rearranjado, rearrumado, reagrupado pode ser que esse treco tenha um valor aí na frente. Eu não sei, alguém vai saber, quem sabe o meu filho.

Denise: Fantástico, muito bom, infelizmente a gente vai ter que…

Marcelo: Temos uma hora e quinze.

‘Denise: Esse é o nosso recorde.

Luciano: Começamos com o antifrágil e viemos parar sei lá onde, mas legal.

Denise: Muito bacana. Luciano, muito obrigada de coração.

Luciano: Eu que agradeço vocês.

Denise: Vamos colocar essas referências, os episódios eu você sugeriu, porque isso enriquece muito, os livros, a gente indica muito livro aqui. Embora, a gente tenha falado muito do antifrágil, mas os outros que você falou. Te convidamos para voltar.

Luciano: Faz o meu merchan aí, o pessoal aí que está ouvindo e quiser o lance do Café Brasil premium, que eu criei um ambiente de assinatura recorrente, que para mim aí está o futuro, ali eu entrego um conteúdo muito mais elaborado do que o podcast. O podcast é de graça para todo mundo e o Café Brasil premium tem a ideia de trazer um conteúdo muito mais elaborado, então entre esses conteúdos, todo o mês sai o podsumário, aí o pessoal pede: me dá a dica de algum livro, eu falo: entra no premium. Tem 30 podsumários lá que você vai ganhar um tempo absurdo, porque ao pegar um podsumario que não é de 15 minutos, se você for ouvir é uma hora e meia, se você for ler são 40 páginas de PDF, mas que traz para você livros que eu escolho a dedo, e são livros que tem a ver com o dia a dia da gente, como eu posso crescer profissionalmente com ideias que estão por aí. Ali está uma pista, talvez possa ser um caminho. Quem tiver ouvindo, atenção que vem aqui o bônus, e acessar o cafedegraca.com pode assinar um mês de graça. Assina por um mês, consome tudo. É que nem Netflix, se quiser consumir tudo, pode consumir em um mês de graça.

Denise: Se conseguir. Muito bacana. Anotaram, não é? Eu já vou assinar, porque eu estou enrolando, não assinei antes por falta de ir lá e fazer, mas o Szuster já tinha me indicado há muito tempo essa assinatura. Então, pessoas, muito obrigada pela companhia de vocês, continuem, a gente está preparando para começar a ler os feedbacks que vocês mandam para nós. A gente tem recebido tanto comentário bacana que a gente vai começar a ler alguns aqui também dos ouvintes.

Marcelo: Vamos ver se a gente consegue. Lá no Café Brasil tem depoimentos emocionantes.

Denise: Aqueles incríveis em áudio. Os nossos ainda não estão em áudio.

Marcelo: Eu não sei se a gente toca as pessoas assim não, mas eu ia gostar muito que chegasse um daqueles bem emocionados.

Luciano: Você reparou como é que eu termino o programa? Eu termino o programa dizendo o seguinte: o Café Brasil é feito por quatro pessoas, eu, Luciano Pires, na direção e apresentação, Lalá Moreira na técnica, Ciça Camargo na produção e você que está ouvindo aí que completa o ciclo. Ouvir o feedback e participar com essa turma aí é fundamental.

Marcelo: A gente criou um canal, espero que a gente comece a receber os feedbacks aí.

Denise: Excelente, então até a próxima, vocês ouviram Os Agilistas.

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os agilistas

#44 Prosperando no Caos – Uma conversa com Luciano Pires

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