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Gilson: Bom dia, boa tarde, boa noite, bem vindos a mais um episódio dos Agilistas. Hoje nós estamos aqui com umas convidadas aqui e o foco hoje que a gente quer dar nesse programa, é que elas nos contêm as histórias delas, já que elas decidiram seguir carreiras técnicas. Independentemente, se elas ocupam, ou vão ocupar, ou querem ocupar posições de liderança, que muitas vezes o foco é sempre esse, mulheres na liderança. Aqui o programa, o nosso objetivo não é falar assim de liderança, o objetivo aqui é falar muito dessa questão da carreira técnica. Eu confesso que eu tenho até uma estranheza quando eu falo assim, ter que discutir que as mulheres podem ter uma carreira técnica que isso para mim é tão obvio, só que até fazendo uma conversa previa aqui, isso pode até ser obvio para mim, mas ainda é uma parcela pequena. Então alguma coisa acontece aí ou talvez estejamos numa inflexão onde isso vai parar de acontecer, eu fico imaginando que não é possível, assim, daqui há 10 anos vai ser talvez o contrário. Mas enfim, é sobre isso que vamos falar. Então, já vou pedindo para vocês irem se apresentando e já contando um pouquinho da história, então vamos sair com a Fernandinha, fala mais ou menos aí já a sua história, como é que você, que tipo de background você tem e como é que você foi para esse caminho, entendeu?Fernanda Vieira: Bom, beleza, oi gente.Gilson: Você tem que falar bom dia, boa tarde e boa noite.Fernanda Vieira: Bom dia, boa tarde, boa noite. Meu nome é Fernanda, Fernanda Vieira, eu comecei de fato na carreira técnica como estagiária de desenvolvimento aqui na DTI Digital e desde então eu sigo essa carreira técnica, hoje eu estou num lugar, talvez, um pouquinho diferente, mas por muito tempo eu segui essa carreira técnica. Então eu comecei como estagiária de desenvolvimento, depois fui assumindo algumas lideranças de desenvolvimento também, por muito aqui na DTI a gente, o DL que é esse desenvolvedor líder ele sempre teve muitos papeis, na verdade assim, ele acumulava muitas funções. Então já executei muitas funções como (PO) [00:02:18], funções acumuladas nesse papel de DL, então como (PO) [00:02:23], como (inint) [00:02:24] master, como arquiteta, mas sempre seguindo esse papel de liderança técnica. E hoje eu estou assumindo um papel mais de auxílio de times assim, e aí esse auxilio vai tanto na parte técnica quanto não. Mas a carreira técnica sempre foi um negócio que me deu muita motivação, muito folego assim, eu gosto muito.Gilson: Então, mas e aí, como é que surgiu isso assim?Fernanda Vieira: De onde veio?Gilson: É isso, uma discussão que sempre é essa, mas você teve barreiras para fazer isso, não teve? Sua família incentivou, não incentivou?Fernanda Vieira: Bom, a gente, eu me sinto numa posição privilegiada que eu acho que assim eu nunca tive problemas nesse sentido assim, eu sempre gostei muito de matemática, desde sempre, eu me lembro assim, eu sempre gostei muito de matemática. Então quando eu estava na hora de escolher algum curso no vestibular eu fiquei assim, já era exatas com certeza, e eu fui olhando assim e achei uma engenharia de controle e automação lá que eu gostei muito e falei, “vou fazer esse negócio”. E aí dentro da engenharia eu fui descobrindo algumas coisas, mas quando eu encontrei com a TI, com as partes de desenvolvimento de software eu gostei muito e achei, “não, é aí que eu quero ir”. E aí, foi por aí, mas de fato assim, eu me considero privilegiada assim, eu sempre gostei de matemática, meus pais são engenheiros então eles achavam que era isso, então eu realmente fui caminhando nesse sentido.Gilson: Era bem natural?Fernanda Vieira: Bem natural, a minha turma na engenharia eram 37 homens e 3 mulheres assim, e sempre era esse meio de muito mais homens do que mulheres. Mas eu nunca me importei muito assim, mas eu sei que isso é um problema, assim, eu sei que isso é um problema que isso pode pressionar muito as mulheres a seguir essa carreira por, enfim. E eu acho que a gente tem que de fato, sei lá.Gilson: Levantar bandeira.Fernanda Vieira: Levantar a bandeira, organizar força e ir porque tem muitos obstáculos no caminho.Gilson: E você Paulinha, você se apresente aí por favor e conte um pouquinho da sua história também.Paula: Então, meu nome é Paula eu sempre fui para essa área técnica até porque eu sou técnica, eu sou técnica em informática. Também como a Fernandinha comecei aqui como estagiária, hoje eu estou numa posição um pouco mais de liderança, também como líder de desenvolvimento. E como você falou Schuster eu também tive uma estranheza inicial para esse conceito de que mulheres não deveriam na computação. Então como eu fiz técnico, eu comecei muito nova ali com 14 anos, e assim que eu cheguei no técnico eu já comecei a ouvir que mulheres são naturalmente piores programadoras do que homens, quando eu ouvi isso eu fiquei chocada.Gilson: Ouvia esse tipo de coisa mesmo?Paula: Sim, diretamente de pessoas que tinham uma posição de autoridade, de pessoas as vezes homens que nos deixavam desconfortáveis durante o curso. E eu achei isso tudo muito estranho porque eu venho de uma família de programadoras, tanto a minha mãe, quanto a minha irmã trabalham com computação, então para mim computação era sim coisa de mulher. E eu fui descobrir que não é o que as pessoas pensam em geral. Então, no meu curso o técnico não chegava há 15% de mulheres na sala, na graduação não chega a 10, é realmente um desafio. Eu vejo como um desafio trazer mais mulheres para a computação e mostrar que é um espaço seguro, que não tem nada ver, mulheres não são naturalmente piores programadoras, a gente tem a mesma capacidade de desenvolver bons produtos, de ser boas lideres, de ser boas tecnicamente do que um homem.Gilson: Mas que engraçado, então o elemento comum entre vocês duas que os pais, os seus pais são engenheiros e a sua mãe é engenheira também? Então você já tinha naturalmente um apoio em casa, ou até uma inspiração?Paula: Isso, e eu acho que isso foi muito importante para que eu conseguisse seguir e encarar esses desafios de ser mulher na computação, eu sempre tive um apoio muito forte. Entendi, vamos agora falar com a Mariana. Conte sua história para nós.Mariana Senna: Bom dia, boa tarde ou boa noite, gente, eu sou a Mariana, meu nome é Mariana Senna. Eu comecei na minha carreira de TI há muito tempo atrás, mais ou menos uns 9 anos atrás, eu fiz técnico também, o meu primeiro estágio foi com desenvolvimento era Delf ainda. Assim, o meu técnico foi um pouquinho diferente porque tinha mais mulheres, acho que tinha mais ou menos 30% assim da turma, ou um pouquinho mais eram mulheres. Mas pouquíssimas continuaram como programadoras, fizeram uma graduação de computação, como eu entrei? Minha mãe quando era muito nova, aos 20 anos da minha mãe ela era datilografa e eu lembro, eu muito pequena, eu achava maravilhoso o quanto minha mãe digitava rápido e eu acho que começou por aí, sabe? Minha paixão por computador, eu ficava assim admirada e eu passei muitas tardes da minha vida tentando aprender a digitar mais rápido e tudo, e aí fui ficando no computador.Gilson: Que interessante.Mariana Senna: E minha mãe é professora de português, completamente diferente e meu pai é engenheiro. Assim, em casa eu nunca sofri, sempre tive muito apoio, sou muito privilegiada também por isso, mas sim, em alguns momentos da carreira a gente.Gilson: Mas só um negócio, a gente conversando ontem você comentou que sua mãe identificou que você, não teve?Mariana Senna: Isso, eu acho que como eu fui ficando muito tempo no computador e eu até comecei a fazer umas coisinhas assim, mas isso na oitava série assim. Tinha um blog, umas coisas assim e aí ficava muito tempo no computador por isso, minha mãe viu uma propaganda do colégio e falou assim, “não você já fica o dia inteiro no computador agora você vai estudar isso”. Falei, “está”, aí ela que me colocou e aí desde então eu apaixonei e estou aí. [00:07:30]Gilson: Eu estou rindo desse negócio de datilografar, que na minha época, na escola a gente fazia curso de datilografia, eu aprendi a digitar na máquina de escrever, na minha época tinha um curso que você tinha que fazer 100 e poucos toques para poder passar da disciplina e aprendi a digitar, engraçado demais. Então está bom, vamos passar agora para a Melissa, conta a sua história também.Melissa: Oi pessoal, meu nome é Melissa eu sou bacharel em estatística, uma formação um pouco diferente, eu também sempre gostei muito de matemática e eu quando eu estava na oitava série eu fui medalhista da olimpíada de matemática e ganhei uma bolsa no ICEX. E aí lá dentro do ICEX eu só fui mais incentivada, e aí eu já fui conhecendo mais, estudando algumas coisas mais avançadas que me ajudaram a tomar uma decisão melhor, que hoje eu vejo que foi uma decisão melhor de carreira que eu queria seguir, sempre gostei muito de probabilidade e tal, era um assunto que eu gostava de estudar por isso eu fui para o curso de estatística. E o curso estatística em si era um curso muito misto, ele não é um curso predominantemente masculino como outros cursos de exatas, vamos dizer assim. Aí depois eu fiz um mestrado também.Gilson: Isso é curso, por que será que engenharia tem essa coisa e estatística não tem?Priscila: Eu acho que o curso de estatística e de matemática também eles são cursos mais assim misturados da área de exatas. Agora o curso de engenheiro eu acho que qualquer engenharia, acho que a de produção é a mais mista, mas as engenharias no geral são.Mariana Senna: Mas eu acho que foi um processo também, se você analisa assim década de 70, 80, tinha mais homens e aí foi um processo de começar a ter mais mulheres nesses cursos de matemática e estatística. Não sei qual foi esse processo, mas eu sei que teve uma iniciativa.Melissa: Eu acho que um pouco tradicional.Gilson: Primeiro se apresente pessoal, não reconheci a sua voz.Priscila: Bom, meu nome é Priscila eu sou formada em engenharia de sistemas, entrei na DTI também como estagiária assim como a Paula, a Fernandinha. Entrei na área de TI há muito tempo.Gilson: Eu morro de rir desse seu há muito tempo, vocês são novas.Priscila: No sentido quando eu era nova, porque meu irmão junto com um amigo dele decidiram começar a desenvolver algum sistema, desenvolver site, montar uma empresa. Nós éramos todos muito novos a gente tinha, eu estava na sétima série e eles estavam na oitava série na época e aí a gente, aí eu olhei para aquilo eu falei assim, “nossa, legal, você escreve algumas coisas e aparece na tela, muito magico, quero aprender”. Aí eu fiz um curso na época, um curso na área, principalmente, de desenvolvimento de sites. Aí depois passou o ensino médio eu falei assim, “é isso aí que eu quero, eu quero entrar na área técnica”. Aí, eu fui para engenharia, decidi ir pela engenharia de sistemas que era na época um curso novo também, hoje já tem aí uns 10 anos já, mas eu entrei para a segunda turma. E decidi assim vim também para a área de TI, voltar para o que me fez ir para a área técnica que foi desenvolvimento, eu vim para a área de TI e aí eu entrei aqui na DTI e estou aí até hoje.Gilson: Então, mas na sua família como é que é? O pessoal já é uma formação?Priscila: Minha mãe ela é economista e advogada então não é uma área técnica.Gilson: Não, mas economista que eu fico pensando nesses clichês aí de exatas, na sua família, desculpa eu não lembro, na sua família também já tinha gente com pé na área técnica ou não?Priscila: Não, minha mãe é pedagoga, mas o meu pai sempre incentivou muito apesar de ele não ter estudado ele sempre incentivou muito, ele que gosta muito de exatas e sempre eu tive muito apoio dentro de casa.Gilson: Então o que tem de muito comum aqui é apoio familiar?Priscila: Porque no meu caso, por mais que a minha mãe não era tão na área técnica, mas assim quando o meu irmão decidiu ir para essa área ela me incentivou muito, como eu gostei eu achava legal e tal, ela me incentivou muito a ir e o meu irmão me apoiou muito também. Então assim, eu também me sentido privilegiada nesse sentido, eu não tive que enfrentar algumas pessoas dentro de casa, principalmente, ao contrário.Gilson: Talvez (para eles) [00:13:30] seja mais sutil. Porque assim só fazendo uma observação eu lembro que eu estava ouvindo o episódio que a Denise gravou, e eu achei curioso que a própria Denise e a Leandra deram uns depoimentos do tipo assim, “eu sempre fiquei a pare de assunto”, vamos dizer do feminismo desse tipo de coisa no sentido em que eu nunca percebi nada, entendeu? Mas em algum momento elas sentiram alguma coisa que as fez criar mais empatia, sabe? Com quem fica lutando pela causa. Eu diria que eu tenho algo similar no sentido que assim, são assunto que assim eu tenho dificuldade em entender, porque para mim, pelo menos eu imagino, a gente aqui na DTI é completamente diversidade em todos os sentidos e a gente quer gente boa e quer que todo mundo consiga exercer o potencial, mas o que é que eu percebo? Mas tem números aí que mostram que isso não é bem assim. Então seria interessante, será que vocês já sentiram alguma coisa porque eu falo assim, para fazer alguém criar mais empatia, entende o que eu quero dizer? Vocês já sentiram algum obstáculo ou isso é mais sutil será? Quando eu falo assim, vocês tiveram sorte em casa pode ser porque tem famílias, já vem naquele arcabouço cultural e tal, que já cria o menino de um jeito, já cria a menina de outro. Não é que faz pressão ou que oprime, entendeu? É o jeito que a pessoa está acostumada a criar que já faz com que as escolhas desde pequeno vão mudando, vocês têm alguma teoria sobre o assunto, sentiram alguma coisa, alguma dificuldade?Paula: Então, eu acho que tem duas formas que se manifestam, tem a forma mais direta que, por exemplo, foi quando eu ouvi que mulheres são naturalmente piores programadoras do que homens, tem quando eu já ouvi também que se eu estou num ambiente de computação eu tenho que acostumar com piada machista, piada homofóbica, porque é isso que acontece é esse o ambiente, se eu quero estar lá eu tenho que aceitar isso. Então são formas bem diretas, são formas em que a pessoa fala e sabe que está te deixando numa posição desconfortável. Mas é muito comum também ter a forma mais sutil de sentir esse machismo na área que eu como mulher, às vezes, eu sinto que eu tenho que provar o meu valor muito mais do que meus colegas homens com a mesma experiencia, com a mesma trajetória. Então, quando a gente é comparado para eles tem um olhar muito mais direto de que, “ok essa pessoa é boa e eu vou confiar, e para mim é muito mais beleza, mas ela vai ter que se provar para eu acreditar que ela é boa realmente”.Gilson: Você sente isso?Paula: Eu sinto, principalmente, das pessoas que não me conhecem, as vezes no ambiente acadêmico isso é comum, é triste, mas é uma realidade.Priscila: Até as coisas mais simples que são até muito sutis, mas que deixam, talvez, uma dúvida para as meninas, as mulheres que estão começando na área que são as perguntas e as estranhezas do tipo, “nossa, você está na área de computação? Você está na área de exatas?” Como se isso fosse estranho, sabe? Como se isso fosse muito diferente, o que não deveria ser e para homens isso já é mais comum assim.Melissa: E também as vezes, já aconteceu comigo até atribuição de uma tarefa porque você é mulher, tipo assim, “deixa a Melissa fazer isso porque ela tem um toque feminino”, então também é uma coisa muito sutil, mas que era um trabalho que era fora do escopo, vamos dizer assim, fora da minha área de atuação. Mas assim, por eu ser mulher eu acabei tendo essa tarefa pelo toque feminino, para dar o toque feminino na tarefa.Mariana Senna: Tem as coisas sutis, tem a questão do ambiente é clássica de você escolheu estar aqui, e por muito tempo eu acreditei nela também, eu não sei vocês, mas por muito tempo eu acreditei que para eu ser aceita eu teria que fazer piadinhas também e acho que enfim, não vou nem me julgar agora não. A do ambiente é bem clássica mesmo, eu tenho um caso específico que eu me lembro que foi quando eu entrei no meu segundo estágio tinha eu, mais um estagiário só que ele já estava lá na empresa há muito mais tempo, não foi aqui na DTI, viu gente. Ela já estava lá há muito mais tempo e aí, acho que um mês, mais ou menos, depois assim a gente saiu par almoçar junto aí ele foi e falou assim, “nossa, preciso te falar uma coisa, quando a gerente veio falar que estava contratando uma mulher eu fiquei com um pé atrás e tal, mas você é muito foda”, e não sei o que e me falou umas coisas assim e eu fiquei, “super, nossa, está vendo sou foda”, não sei o que. Depois eu falei, “gente, que? Isso está muito errado por que é que ele pensou isso?”Gilson: Essa imagem é muito ruim, “você é mulher, mas”, esse, mas.Mariana Senna: Exatamente, eu não tenho que achar bom isso, isso está errado. Num primeiro momento ali de que só porque a questão do sexo vai interferir em alguma coisa, sabe? Eu fiz prova com todos os candidatos.Gilson: Ou seja, o cara veio até forma condescendente.Mariana Senna: Isso e assim, eu acho que ele não fez.Gilson: Não, não é nem de maldade, mas acaba que é o modelo mesmo.Mariana Senna: É inconsciente, igual muita coisa que a gente vive. Eu acho que tem um outro fator na TI que é a questão de mulheres que saem da TI também, a gente já tem poucas em graduações e tudo, tem as mulheres que saem, que tem filho e aí optam por outra carreira.Fernanda Vieira: Eu também, principalmente, nesse da piadinha machista eu acho que acontece muito assim na faculdade era assim, mas, “Fernandinha está acostumada com isso”, sempre nesse sentido assim. E eu tive alguns casos assim entrou pessoa nova, aí o cara comentando assim, “nossa, mas ela é bonita, nossa, não sei o que, mas olha a roupa”. E aí eu estava na sala e a pessoa falou assim, “exatamente, se ela está aqui ela vai ouvir isso mesmo, ela tem que estar acostumada a ouvir que ela é bonita, que ela é isso ou aquilo”.M: (inint) [00:19:40]?Fernanda Vieira: Não, na hora eu já estava mais, não tem tanto tempo.Gilson: Na sala de aula que você fala ou no ambiente de trabalho?Fernanda Vieira: Não, não, não esse foi no ambiente de trabalho esse último que eu falei no ambiente de trabalho mesmo. E eu já estava mais, eu já estava entendendo mais um pouco assim e estava um pouco engajada na causa, na causa feminista assim, então eu fiquei bem chateada, fiquei bem brava assim. Não estavam falavam de mim, mas estavam falando de outra mulher e eu fiquei tipo, “não acredito nisso gente, que eu estou ouvindo isso aqui, nesse momento”. E já aconteceu comigo de eu fazer uma entrega e o cliente me dar um presente, sabe? Tipo assim, isso me deixou, eu fiz uma boa entrega e eu recebi um presente, tipo assim, “que?” Se fosse um cara você teria dado um presente para ele? Isso me parece tão estranho assim, isso me deixa desconfortável, me deixou desconfortável, tipo na hora eu fiquei assim, “meu Deus esse cara está querendo me cantar, ou não? Foi por que eu fui boa, por que foi uma gentileza?” Mas pareceu muito esquisito. Então me deixou desconfortável, e já ouvi também coisas assim tipo, “você vai, vai você porque você é simpática, porque não sei o que”, porque eu tenho um toque feminino e aí eu fico nessa tipo, não, eu estou indo, eu vou, mas porque eu sou boa de serviço, não é porque eu sou simpática ou porque eu sou legal, ou porque eu sou mulher, é porque eu sou boa.Priscila: E essa questão que a Mari falou de muitas mulheres não continuam na carreira, eu sinto que é um pouco também por conta disso, tem tanto essa questão, “não, mas ela está nesse ambiente ela tem que se acostuma”. Mas não a gente não se acostuma. Mas tem mulheres que falam assim, “putz, então se eu tenho que me acostumar, não, eu não quero me acostumar com isso, eu vou sair da área”.Gilson: Vocês acham que tem muita gente que sai da área?Priscila: Muita, principalmente, mulher que entrou na faculdade, que estudou comigo e olha que não eram muitas saíram da área. Então assim, que ficou mesmo na área é uma porcentagem bem menor.Mariana Senna:  Eu posso fazer uma pergunta? Vocês já sentiram que vocês tinham que, não sei, trabalhar mais para provar mais o seu valor, que você não estava ali porque você é mulher ou porque você é bonita?Fernanda Vieira: Eu já senti isso, eu já senti, eu até levei, eu conversei outro dia, enfim, com a minha psicóloga. Assim, a gente já conversou muito sobre isso que as vezes eu fico nessa, “nossa, por ser mulher, as vezes eu preciso de mostrar algumas coisas que talvez se fosse um homem não teria que fazer esse tipo de coisa”. Assim, por muito tempo eu acho que eu me questionei muito sobre isso.Priscila: Na época da faculdade eu já sentia um pouco isso, tinha muita questão de, “nossa, você tirou nota boa porque o professor te acha bonita, ou porque você foi com tal roupa para aula”, várias e várias vezes eu já ouvi o pessoal falando isso. Então assim, você fica tipo assim, “então putz”, aquela síndrome de impostor mesmo, aquela nota não é minha, aquilo ali não é meu.Fernanda Vieira: É eu já ouvi assim também, “mas você foi para a sala do professor”, eu falei, “oi?” E não, tipo, e teve realmente um professor na graduação que me chamou na sala dele e eu fiquei tipo assim, “eu vou ou não vou? E agora? Por que é que ele me chamou na sala dele? O que é que ele está querendo falar comigo?” Tipo assim, se fosse um homem o cara ia falar, “beleza, vou lá”. Eu fiquei assim neurada.Gilson: Esse é tipo, sério mesmo, esse é o tipo de discurso que gera empatia, porque assim, a gente mesmo nunca passa por uma situação dessa, assim, o professor me chamar na sala dele eu vou lá e pronto, não vou pensar em nada.Fernanda Vieira: E eu contei para os meus amigos e todo mundo colocou pilha, “nossa, meu Deus, você está indo na sala dele, é porque ele está querendo te dar nota mais alta do que você ganhou de verdade”. Todo mundo falou isso e eu fiquei tipo, “meu deus, será que eu vou? Será que eu não vou? Eu vou”. Aí fui, e ele só ele me deu uma oportunidade melhor mesmo assim, olha só que coisa, eu tinha tirado uma nota X, aí ele falou assim, “olha, eu acho que você sabe mais do que isso que você tirou então te dou uma oportunidade de você fazer o exame especial se você quiser para aumentar sua nota”, falei, “beleza”. Mas assim, talvez tenha sido por que eu sou mulher? Não sei, não sei mesmo assim.Paula: A gente fica questionando as experiencias.Fernanda Vieira: Exatamente, porque é um negócio que os homens não fazem.Paula: Isso é por que eu sou mulher?Fernanda Vieira: Ou porque eu realmente sabia mais do que eu tirei. E eu acho que eu sabia mais do que eu tirei de fato assim, porque era uma matéria que eu gostava muito, era um negócio que eu estava estudando muito e de fato, eu não fui tão bem na prova. E aí eu fico questionando, “será que é por que eu realmente, ele viu que eu realmente sabia ou não, era porque ele estava com algum interesse”, sabe? E todo mundo ficou nisso. E tinham muitos assim dos professores, a preferida, “é a preferida porque está interessado, porque é mulher”, é foda.Gilson: Paulinha.Paula: E esse sentimento de não pertencer ou de ficar em dúvida se manifesta até quando a gente vai procurar emprego, tem estudos que mostram que homens quando eles veem uma vaga de emprego e veem requisitos, mesmo se eles não se identifiquem com todos aqueles requisitos eles vão se inscrever para aquela vaga. Enquanto mulheres, se elas não identificam com praticamente todos os requisitos da vaga elas não se candidatam. Então é uma forma que esse sentimento que a gente tem que fazer mais, que a gente tem que trabalhar mais para mostrar o nosso valor ele se manifesta nisso. Então as vezes, a gente perde oportunidades por achar que não vai dar certo, que a gente não sabe tanto, mas os homens têm nessa mesma condição se aproveitam, porque eles não têm esse sentimento de hostilidade talvez no ambiente.Mariana Senna: Eu acho que a síndrome de impostor nas mulheres é mais alta, eu até brinquei que quando a gente chegou aqui, a gente falou, “o que é que a gente está fazendo aqui?” Eu falei, “gente, para, porque isso é totalmente síndrome de impostor que a gente tem”. Mas realmente mulheres tem mais dificuldade em pedir aumento, mulheres tem mais dificuldade de acho que até de fazer entrevista, por exemplo, se ela não cumpre pelo menos sei lá 80, 90%.Gilson: Eu não sabia dessa estatística não.Mariana Senna: Sim, teve um estudo.Gilson: O homem é o contrário, já se acha sem nem.Mariana Senna: Tem um estudo também que eu estava até procurando aqui, depois a gente pode deixar linkado em algum lugar que é um estudo que eles fizeram de o mesmo currículo com o nome de mulher e o nome de homem e nome de homem foi, era mais propenso, a ganhar mais, a ser contratado mais fácil, vou achar aqui depois vocês dão uma lida.Gilson: Entendi. Só queria só adicionar uma pimentinha aqui que é o seguinte, vou até citar outro podcast que foram as mulheres que falaram não fui então não corro nenhum risco, é assim, mas é claro que existem diferenças, entendeu? Mas que tipo de diferenças que eu quero dizer? Por exemplo, quando você falou assim, “será que eu fui por que eu sou simpática?” Porque, por exemplo, acho que é a Adriana que estava no outro podcast ela fala, “gente, as mulheres trazem uma diversidade para a liderança, uma sensibilidade um jeito de agir que é super reconhecido hoje pelas empresas que é necessário.” Então vamos dizer, existe alguma coisa diferente que é trazido, então como é que lida com isso? Porque, por exemplo, tem muitas situações que é melhor alguém mais simpático e alguém que tem mais empatia e não é no sentido, com nenhuma outra conotação não, de simpático porque aí a outra pessoa vai gostar, é porque relações humanas demandam simpatia. É claro que vão ter homens e mulheres assim, entendeu? Mas vejam como é que o problema é complicado? A pessoa fala, “vai você que é simpático”, como poderia ser um homem ou uma mulher porque a simpatia, por exemplo, nós somos empresa prestadora de serviços, uma coisa que é importantíssimo é conseguir engajar com o cliente, pode ter duas pessoas tecnicamente, independente do sexo, iguaizinhas tecnicamente, e uma vai conseguir muito mais sucesso para uma habilidade de interpessoal melhor, entendeu? Então, como é que vocês enxergam isso? Ou vocês acham que não tem diferença nenhuma, entende? Eu quero só jogar essa questão porque foi falado nesse episódio pelas mulheres, as mulheres assim, a Adriana ela fala um negócio interessante no outro episódio que ela fala assim, ela tenta mostrar o seguinte, as empresas começaram a mudar não é porque elas são boazinhas, as empresas começaram a mudar porque elas precisam ser lucrativas e ter mulheres aumenta a lucratividade das empresas na medida em que traz um espectro maior de competências. Agora se vocês forem reconhecidos por certas competências isso pode incomodar, entendeu? E como é que fica isso? Ou vocês não concordam com de jeito nenhum e pronto?Fernanda Vieira: Eu só acho assim, que só historicamente de a gente ficar sempre se questionando, se a gente está ali porque a gente é mulher ou porque a gente é boa de serviço. Só tipo assim, de eu me questionar se aquilo ali foi porque eu simplesmente, “porque tem que ter uma soft skill desse jeito ou não”, só de eu me questionar isso já é diferente assim.Gilson: Já muda.Fernanda Vieira: Já muda. Pode ter sido porque, “é soft skill mesmo, porque precisa ser simpática, precisa ter uma relação interpessoal melhor”, mas só de eu ficar assim, “nossa, não é por que eu sou mulher?” Isso já muda, já muda a experiencia, que é uma coisa que o homem não pensa, se eu chegar e falar assim, “vai lá porque você é simpático”, o cara vai falar, “beleza”.Gilson: (Essa situação) [00:29:25] parece que vocês tendem a ter menos naturalidade para agir então? Seria isso?Priscila: É um pouco e uma outra coisa também que eu percebo, é que tipo assim, acaba que talvez a pessoa, beleza, a mulher pode ser mais simpática, pode ter essa soft skill de conseguir lidar melhor ali com as pessoas. Mas as vezes a mulher, aquela mulher em específico no tema que é a área técnica ela quer ir para a área técnica, ela quer se desenvolver na área técnica. Aí as oportunidades de lidar com as pessoas vão para a mulher e da área técnica ficam com os homens.Gilson: (Já errou) [00:29:59] tudo aquilo e (enquanto) [00:30:00] a pessoa querendo seguir outro caminho fica insistindo.Priscila: Exatamente, então assim, as vezes assim, as mulheres podem também não querer por mais que elas sejam.Gilson: Quer dizer, nem que todas sejam assim, mas as vezes, ou seja, as ações são muito complicadas. Mas eu já ouvi muito isso, as mulheres são mais agregadoras, tem mais sensibilidade, talvez, até por questões culturais, não sei, o jeito que são criados, mas é meio que assim o que parece ser.Paula: Eu acho que é, inclusive, um ponto cultural muito forte porque quando a gente vê nessa área de soft skills para tratar um homem e uma mulher, se o homem ele não é tão simpático ou ele é mais sério, tudo bem, ele é só um cara sério, centrado. Mas se uma mulher ela é mais séria, não fica rindo toda hora aí ela é rabugenta, aí ela é mandona, tem essa diferença de tratamento é muito importante. Então a gente, às vezes, é simpática não porque a gente é simpática naturalmente, ou porque a gente está num dia bom, é porque a gente é obrigada a ser simpática nesse ambiente.Gilson: Vocês me dizem é que já existem uma serie de expectativas muito fortes sobre comportamento de vocês, e que não existiria sobre os homens é isso?Paula: É.Priscila: E que as vezes não é na área técnica.Mariana Senna: Isso que ia falar agora.Priscila: Tem que se provar muito, e por isso que a gente sente que a gente precisa se provar tecnicamente toda hora, porque as outras características que já estão rotuladas ficam ali em cima de a gente muito mais do que a possibilidade de a gente evoluir tecnicamente.Mariana Senna: E vamos tentar falar um pouquinho do porquê é que vocês acham que não tem muitas mulheres na nossa área?Fernanda Vieira: A gente até estava conversando sobre isso antes, mas pelo eu vi, pesquisei o que aconteceu foi que historicamente um apagamento das mulheres na área de software. Então, inicialmente, computação era sim coisa de mulher, existiam as mulheres (computadoras) [00:31:58] na Nasa elas eram responsáveis por fazer toda a computação, e depois mais para a frente quando surgiu software e elas faziam as rotinas, a gente tinha várias mulheres importantes nessa área como a Ada Lovelace, a Grace Hopper, hardware era mais a parte masculina. Então como o primeiro computador um grupo de mulheres desenvolveu o software e um grupo de homens desenvolveu o hardware, mas na foto oficial na inauguração desse computador só tem os homens. Então realmente eu vejo como um apagamento e como um trabalho para que o software virasse uma área masculina. Nem nada de software naturalmente uma área mais masculina, foi feito um trabalho para isso, a gente foi excluída num processo para que isso acontecesse.Gilson: Mas isso está, mas assim, aí vocês percebem que isso está mudando ou não? Porque eu fico achando que nós estamos numa (inflexão) [00:32:54], sabe assim? Eu realmente acredito que daqui alguns anos ninguém vai nem entender essa discussão, sabe? Daqui a sei lá, até por questões econômicas, por tudo, entendeu? Tem muito para as estatísticas ali, tem muito mais mulheres estudando, tem muito mais mulher se formando, não tem muito jeito de isso não acontecer, sabe? Eu não consigo acreditar que assim, economia sempre foi uma força muito forte, entendeu? Nessa área nossa, por exemplo, falta mão de obra tem um gap de mão de obra, você vai ter ótimos profissionais vindo, sabe? Vamos deixar aqui, daqui há 10 anos a gente grava um podcast.Mariana Senna: Mas eu acho que essa questão da representatividade mesmo, por exemplo, você fala de Steve Jobs, do Zuckerberg todo mundo conhece, agora você fala dessas mulheres muitas, por exemplo, muitas crianças e adolescentes não conhecem. Então você só escuta homens masculino, tem até aquela propaganda da Microsoft vocês já viram? Que é perguntando várias crianças meninas quem elas achavam de cientistas aí elas vão falando, Einstein e tal, e nenhuma mulher. E eu acho que muitas pessoas crescem nem achando que aquilo ali é uma opção, por exemplo, eu mesma se não fosse minha mãe eu nuca, jamais teria pensando.Gilson: Então, é como se tivesse que quebrar esse ciclo vicioso? O que eu fico achando é assim, por exemplo, quando vocês falam que o ambiente é muito masculino e tem as piadas, etc. Acaba que é porque está cheio de homem ali, só que na verdade cada vez vai ter mais mulher, cada vez a mulher vai se pronunciando mais. Então será que daqui há 10 anos não vai ser mais um ambiente masculino, vai ser, não sei se um ambiente feminino, mas vai ser esse ambiente misturado, vocês não acham não? Ou eu estou muito otimista?Melissa: Assim, 10 anos eu acho que é otimismo.Fernanda Vieira: Eu acho que culturalmente assim, isso eu acho que está mudando assim a passos também meio curtos, mas eu acho que está mudando. Mas assim, o homem desde criança incentivado a ter um carrinho, a desmontar o carrinho, a ver a pecinha.Mariana Senna: A jogar vídeo game.Fernanda Vieira: A jogar vídeo game, a pensar analiticamente em algumas coisas, e a mulher é incentivada a brincar de boneca, a cozinhar, a fazer essas coisas que são do ambiente mais caseiro. Então assim, as crianças já acabam culturalmente sendo incentivadas dessa forma, por isso que eu falei que a gente está, a gente, provavelmente, está num ambiente privilegiado e eu me sinto privilegiada, porque eu não fui, essa não foi a minha criação. Então eu fazia um tanto de coisa lá na minha casa e era isso mesmo. Mas eu acho que isso ainda existe e eu acho que enquanto as coisas não mudarem lá na base, lá mesmo assim, na criação mesmo, as mulheres não vão se sentir confortáveis a assumir e ir para esses lugares, ocupar esses lugares. Eu acho que está mudando, mas assim, eu acho que ainda vai.Gilson: Não, porque é engraçado, só uma coisa, só uma coisa antes de a Paulinha falar, eu assim, eu percebo tanta mudança porque eu já sou bem mais velho que vocês, então assim, a forma como as pessoas hoje podem se expressar no trabalho, podem se comportar no trabalho em relação a como era, entende? É muito diferente, é muito diferente, assim, o que eu estou falando, deixando claro, por isso que eu acho interessante a empatia, a gente, homem nunca sente esse tipo de coisa que vocês sentem, não estou negando isso de jeito nenhum, acho isso é uma coisa bem marcante, ninguém nunca vai me chamar para conversar eu vou ficar pensando, “será?” E só aí já muda tudo mesmo, eu concordo que já muda tudo. Mas eu acho que a tendência vai ser começar o ambiente a ficar tão misturado, tão misturado, tão misturado que você vai se perdendo, entendeu? Pelo menos é a impressão que eu tenho.Paula: E é interessante isso também porque quando a gente tem eventos femininos, quando a gente tem essas iniciativas de mulheres na tecnologia é uma forma de ajudar a que mais mulheres venham. Então, quando eu ouvi, por exemplo, o podcast de liderança eu me senti inspirada, então eu vi uma mulher que, no caso, é especificamente a Leandra que eu já admirava bastante e aí ela falando das dificuldades que ela sentiu. E aí eu sei que não é uma coisa só minha, não sou que estou sentindo isso, que é realmente um problema estrutural e que a gente está trabalhando e que a gente pode tentar também ajudar outras mulheres de forma a tornar o ambiente um pouco mais agradável do que foi para a gente no início.Priscila: Exatamente, e é uma coisa igual a Fernandinha falou, isso é muito de quando a gente é criança mesmo, é muito da formação, igual a gente colocou aqui no início que a DTI é uma empresa diversa, está aberta para sem preconceito, receber, qualquer etnia, qualquer gênero. Mas aí a gente mesmo assim, se a gente parar para pensar quão é a porcentagem de mulheres desenvolvedoras técnicas dentro da DTI que é uma empresa que tem um ambiente diverso.Gilson: Não, isso aí mostra que o problema está na base, porque a empresa é totalmente.Priscila: O currículo não chega.Gilson: Não chega o currículo aqui.Priscila: Exatamente. Então assim, a gente não precisa mudar somente aqui, só o nosso ambiente é mais embaixo, por isso que talvez demore um pouco mais do que 10 anos, porque precisa formar.Gilson: A minha tese é que economicamente assim, como o ambiente já vai ficando cada vez mais favorável economicamente, vai ter um gap na área técnica, entendeu? Eu não consigo ver como que esse gap vai ter que ser preenchido, entendeu? Então eu não consigo ver, mas assim, tomara que eu não esteja enganado.Mariana Senna: Mas eu não sei, por exemplo, se as mulheres hoje, se as meninas que estão formando hoje no ensino médio, terceiro ano, se elas estão pensando em preencher o gap da TI, entendeu?Gilson: Talvez, vai ter uma defasagem um tempo, porque eu falo assim, esse problema é super sério mesmo mundialmente falando. Tanto que tem várias, tem gente que para mim, mesmo já estando formado vai se formar de uma forma nessa área técnica, porque ao mesmo tempo você pode ter redução de emprego em outras áreas, então vai ter um movimento para esse tipo de função técnica ou no digital, sabe?Mariana Senna: Mas tem um problema também que a gente estava até conversando antes de a gente começar a gravar, que é o de palestrar que a gente vai, de eventos, cursos que, as vezes, somos as únicas mulheres lá, a não ser eventos para as mulheres. Mas assim, eu mesma já estava em curso e em evento que eu estou tipo assim, “gente, eu estou certa aqui? Será que era para eu estar aqui mesmo?”Priscila: A gente se questiona muito nisso, quando a gente olha para o lado e não vê mulher a gente fala assim, “eu devia estar aqui?”Mariana Senna: “Eu não estou errada?”Priscila: E aí quando a gente olha para frente, se você olhar para frente nossa área técnica, quais caminhos que você tem? Sei lá, arquitetura, especialista em segurança, especialista em alguma coisa, você olha, “putz, não tem mulher lá. Eu devia mesmo querer estar lá? Eu devia querer, eu mereço mesmo que eu estude, eu mereço estar lá?” Tem muito isso.Paula: Até porque você ser a primeira mulher desbravando uma área é muito difícil, então você vê um caminho, você não vê uma mulher em que você não vai se inspirar.Gilson: Você prefere ir para o outro, você acaba desviando?Paula: Exatamente, eu quero lidar com todo o preconceito de novo? Eu vou desbravar uma nova área aqui para lidar com toda aquela desconfiança de novo? É difícil. (inint) [00:40:27]. (inint) [00:40:36].Gilson: E então o negócio é vocês serem as referências? Isso aí pessoal, vamos caminhando para o fechamento, vamos, alguém quer dar algum conselho, uma palavra de confiança aí?Priscila: Eu acho que é insistir, a gente tem que insistir se a gente quer, todas essas dúvidas, “eu deveria estar lá? Eu mereço estar lá?” Merece, aquela é a sua vontade, é o seu sonho, vá, é o caminho, é o lugar que te pertence. Então não tenha a síndrome do impostor, não duvide da sua capacidade só vá.Fernanda Vieira: Isso aí, é isso mesmo, ser forte, ser resiliente, não te deixar nunca colocar numa caixa, não te deixar te inserir numa caixa e falar que você é aquilo que se você não é, é isso assim, vamos quebrar essas barreiras, vamos quebrar esses obstáculos, vamos sair dessa caixa que o mundo é das mulheres.Gilson: Isso aí, então pessoal muito obrigado aí pela presença, até o próximo episódio.
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os agilistas

#64 Os Desafios De Uma Carreira Técnica

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