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Marcelo Szuster: Bom dia, boa tarde e boa noite. Este é mais um episódio de Enzimas, breves reflexões que te ajudam a catalisar o agilismo em sua organização. Pessoal, hoje eu queria falar sobre como nós devemos também usar a antifragilidade ao nosso favor do ponto de vista pessoal e como a gente corre o risco de não estar fazendo isso. Para falar sobre isso, eu queria pegar um conceito, um depoimento que eu vi em um livro que fala sobre essa questão, sabe, de usar a antifragilidade até na criação de filhos, mas depois transportar aqui para o ambiente de trabalho. Eu achei super interessante que, basicamente, o que o autor desse livro fala é o seguinte: que certos conceitos, de alguma forma, eles vão sendo distorcidos ou vão perdendo força com o tempo e vão, na verdade, significando algo diferente do que eles significavam originalmente, então peguemos, por exemplo, o conceito de trauma. Essa palavra, tecnicamente falando, ela era usada para traumas físicos, então traumas que significavam, realmente, traumas físicos, sabe, agressões físicas ou acidentes, mas sempre alguma coisa física. Com o tempo esse conceito foi sendo expandido e começou a valer também para traumas psicológicos, mas curiosamente, quando você pegava em um livro aí de diagnósticos psiquiátricos, por exemplo, ainda que fosse traumas, agora, psicológicos também, havia uma definição, que tentava ser objetiva, do que seriam esses traumas, tem que ser traumas que todos sentem esses traumas como, por exemplo, participação de uma guerra, acidentes graves e etc. Com o tempo, esse conceito de trauma acabou sendo mais expandido ainda para levar em consideração uma avaliação subjetiva de cada um se ele teria tido um trauma ou não. E aí o que autor fala é que quando o conceito começa a ser expandido dessa forma e quase tudo, digamos assim, pode ser classificado como um trauma, isso acaba, de certa forma, incentivando os pais a obviamente evitarem qualquer situação de trauma para os seus filhos, só que por outro lado, e aí é o ponto da antifragilidade, a única forma que a gente tem de crescer é conseguir lidar com certos fatores estressantes que nos farão ficar melhor, que nos farão processar aquilo. Então para quem conhece o conceito aí de antifragilidade, a gente falou isso muito sobre o podcast, são sistemas que se alimentam dos fatores estressantes e que precisam daqueles fatores estressantes, então se você começa a considerar que tudo pode ser trauma, e começa a evitar os fatores estressantes, você pode começar a ficar frágil, se você consegue, numa certa dose, obviamente, lidar com fatores estressantes, você vai tirando proveito disso para ficar mais forte. E eu achei interessante comentar isso aqui porque eu tenho um receio grande de que no mundo corporativo a gente possa começar a confundir segurança psicológica, estender o conceito de uma forma que tenha esse mesmo efeito adverso aí que eu disse do trauma, sabe? Em que sentido? Segurança psicológica significa que as pessoas têm o direito de serem ouvidas, significa que elas sabem que elas podem colocar o ponto de vista delas, não significa que elas nunca ouvirão coisas que podem ser consideradas até duras. E por que, gente? Porque se você quer crescer, tanto pessoalmente, quanto profissionalmente, você tem que estar preparado para ter conversas difíceis, para ter feedbacks sinceros, para ter momentos ruins, processar esses momentos, e aí como esse cara fala no livro, não é, como é a gente é um sistema complexo e adaptativo e a gente é antifragil, se a gente aprende a processar bem isso a gente, com certeza, cresce.
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os agilistas

ENZIMAS #54 Antifragilidade pessoal