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Product Discovery: o 1º passo da criação e gestão de produtos digitais

A Gestão de produtos digitais é um grande desafio, especialmente no atual contexto em que vivemos – o mundo VUCA. O ciclo de vida de um produto digital é dividido em 5 fases principais: product discovery, experimentação, crescimento, maturidade e fim de vida. 

Sabemos que muitos stakeholders estão envolvidos nessa empreitada – C-level, PO, PM, UX Designers – e cada um pode contribuir com a sua expertise na construção da visão do produto e nas hipóteses de geração de valor. No artigo de hoje, vamos falar sobre a primeira fase do ciclo de vida de um produto digital, suas etapas, ferramentas, seus objetivos, desafios para você, independente da sua função, começar a criar um produto digital. 

O que é o Product Discovery na gestão de produtos digitais?

Em suma, o processo de Product Discovery consiste em um conjunto de atividades para o time entender quem são os usuários, perceber quais dores devem ser resolvidas e desenhar colaborativamente uma hipótese de solução. O grande objetivo do Product Discovery é ter clareza de qual problema o produto deve solucionar naquele momento. 

Parece óbvio, mas muitas vezes partimos direto para a solução, sem antes ter certeza de que ela é necessária. Além disso, essa fase garante o alinhamento da equipe antes de começar a desenvolver o produto e já elimina alguns riscos e incertezas que poderiam surgir no meio do caminho. 

Normalmente o Discovery é dividido em duas fases: Imersão e Cocriação. 

1- IMERSÃO NO PROBLEMA:

Você precisa entender muito bem o contexto em que você está inserido e os objetivos que você tem em mãos. Muitas vezes, o problema do cliente é muito complexo e a realidade muito diferente do que estamos habituados. Por isso, precisamos imergir no problema, ir a fundo. 

Nessa etapa, é essencial desenvolver empatia pelos usuários do produto e se colocar, literalmente, no lugar deles. Porque ninguém melhor para falar sobre as dificuldades em usar os produtos ou as dores pela falta de um produto, do que as próprias pessoas que lidam com eles. Para isso, podemos lançar mão de alguns métodos como: entrevistas com os stakeholders, atividades de sombra nas áreas, utilização de Mapa de Empatia ou de Value Proposition Canvas. 

Entrevista 

Se você optar pela entrevista, cuidado com o viés de confirmação. Tente elaborar um roteiro com perguntas que não induzam alguma resposta. Isso acontece quando, mesmo que inconscientemente, você quer confirmar aquilo que você já sabe (ou acha que sabe). Também é importante entrevistar pessoas de diferentes perfis. Optar por pessoas com hábitos e contextos parecidos pode te deixar cego para outras possibilidades e verdades. E, atenção, não existe um número mágico para a quantidade de pessoas que você deve entrevistar, entreviste até você parar de aprender.

Sombra 

Já a atividade de sombra consiste em observar as pessoas interagindo com o produto ou executando um processo. Vá identificando itens, telas, processos, situações em que os usuários tenham dificuldades. Tente documentar as suas observações com fotos ou vídeos para que você analise o material após o evento. O importante aqui é não interferir na ação do usuário, apenas observá-lo. Nas atividades de sombra, consegue-se identificar oportunidades e necessidades que muitas vezes não seriam verbalizadas ou explicitadas numa entrevista, por exemplo.

Contexto e OKR’s 

Independente do método que você for usar, o objetivo é descobrir o contexto do negócio. Se você foi procurado para resolver o problema, é porque alguma pessoa já observou esse problema antes. Comece conversando com o seu cliente para entender o que ele já sabe sobre o problema. É importante saber os passos que foram dados anteriormente para você não começar do zero e ter as mesmas dificuldades. 

Também é preciso descobrir os objetivos a serem alcançados. Esses objetivos podem vir top-down, de acordo com os OKRs do cliente, ou podem ser discutidos conjuntamente com o time. O produto desenvolvido tem que ajudar o cliente a atingir aqueles objetivos. É preciso investigar o que tem por trás daqueles objetivos, o motivo do cliente querer alcançá-los.

Por último, é preciso saber o momento da empresa. De acordo com a situação atual da empresa, a forma na qual você vai tentar atingir esses objetivos vai mudar. Sua atuação tem que se adaptar caso o cliente estiver sem verba ou se não tiver à disposição um time de marketing, por exemplo.

2- COCRIAÇÃO NO PRODUCT DISCOVERY

Definição:

Agora que você já descobriu o problema, é hora de acolher e explorar novas ideias. É o momento de reunir pessoas-chave relacionadas ao projeto para propor soluções para as oportunidades, seja por meio de fluxos, telas, mudanças de processos. O foco aqui não é definir todos os detalhes das soluções e sim pensar nos resultados desejados e no impacto a ser alcançado. 

O objetivo dessa etapa, portanto, é criar um “resumo criativo claro que enquadre o desafio fundamental”. E, para isso, você e o time vão priorizar quais dores representam maior impacto para o negócio e devem ser atacadas inicialmente.

Aqui um passo é essencial: envolva todo o time o quanto antes, inclusive o time que vai desenvolver o seu produto. É importante ter o time todo cocriando desde o começo na gestão de produtos digitais para: 

  •  todos terem contexto e fazerem um processo fluido e ágil sem precisar de idas e vindas. Se o time de engenharia receber o problema pronto, por exemplo, ele só vai conseguir reagir a ele da forma como foi pensado por outras pessoas.
  • as chances de inovação do produto aumentarem. Um time que tem conhecimento de diferentes áreas, tem ideias mais diversificadas. O time de engenharia, por exemplo, tem acesso às tecnologias, sabe de fato o que é possível, as restrições, as limitações. 

Nessa fase, algumas ferramentas podem te ajudar a confirmar que você identificou o problema certo (ou errado, nesse caso, falhe rapidamente e comece novamente). 

Design Sprint

Na dti, geralmente utilizamos nesse momento o Design Sprint,  uma metodologia desenvolvida pelo Google para resolução de problemas de forma colaborativa, sendo baseada no Design Thinking. O Design Sprint é conduzido em formato de workshop e deve contar com a presença de representantes do negócio, da TI e inclusive os usuários! São 5 dias de atividades, onde co criamos uma hipótese de solução para os problemas priorizados na fase anterior.

Durante o Design Sprint utilizamos diversas ferramentas de ideação e priorização, que permitem que todos os participantes tenham a chance de trazer sugestões e contribuir para a construção de uma hipótese de solução. Essa é um dos grandes diferenciais do Design Sprint: a solução é sempre construída de forma colaborativa, inclusive com as pessoas que irão utilizá-la.

Com uma hipótese de solução definida, nos resta criar um protótipo que possa ser validado com os usuários e demais stakeholders envolvidos. O objetivo do protótipo é tangibilizar a ideia e permitir que o time possa coletar feedback rapidamente e assim, corrigir a sua trajetória. Os testes com os usuários garantem que o time tenha maior segurança para começar a construir a solução proposta.

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Gerando valor continuamente com o Product Discovery

Quando começamos o ciclo de vida do produto com o Product Discovery, reduzimos um pouco a complexidade inicial e garantimos que o produto esteja adequado aos problemas, aos objetivos e aos desafios. Mas, por mais que o Discovery seja essencial no início da construção de um novo produto, ele também deve continuar sendo executado nas demais fases de gestão de produtos digitais. 

É importante que, ao longo de todo o ciclo, o time esteja testando, validando, conversando com o cliente e com os usuários. O Discovery deve ser contínuo: aprendizado contínuo, descobrimento contínuo e evolução contínua. 

Quer aprender mais sobre Product Discovery? Ouça o episódio dos Agilistas sobre o tema!

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