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Szuster: Bom dia, boa tarde, boa noite. Vamos começar mais um episódio dos Agilistas. Hoje a gente trouxe um tema que está sempre na moda, já está na moda há alguns anos, que é o Blockchain e a gente hoje queria entender um pouco melhor, falar um pouco o que é o Blockchain no final das contas, como é que se aplica o Blockchain, se ele tem encaminhado mesmo para ficar uma coisa madura e importante, se vai cumprir a revolução prometida que todo mundo esperava quando o Blockchain começou a aparecer. Então essa conversa hoje, além do Vinição e o Felipão que vocês já conhecem, a gente trouxe hoje aqui duas pessoas que vão se apresentar daqui a pouco que são o Tiaguinho e o Duarte, que já trabalharam na DTI, eles estavam no começo da DTI, ficaram muitos anos, então eles poderiam tranquilamente participar de um episódio sobre a história da DTI. E depois nessa febre do blockchain eles ficaram ricos com as criptomoedas e foram fazer outras coisas. A gente fica brincando, a gente gosta muito deles e é bom poder estar aqui conversando com eles de novo. O legal é que eles têm uma experiência técnica muito forte de entender o que é mesmo o blockchain, porque eles têm que programar, não é só alguém que leu sobre o assunto, eles tem que realmente saber codificar, saber entender bem o que é o blockchain. E obviamente como eles estão desenvolvendo negócios que são baseados em blockchain, eles conseguem também entender exatamente quando utilizar, quando não utilizar, e é isso aí que a gente pretende explorar no programa. Primeiro de tudo, tudo bom, Felipão?Felipe: Beleza, pessoal. Bom dia, boa tarde, boa noite.Szuster: Beleza, Vinição.Vinícius: E aí pessoal, tudo bem?Szuster: E aí, Tiaguinho, se apresente aí, por favor.Tiago: Tudo bem, pessoal? Você já deu uma breve apresentação aí. Eu entrei na DTI como estagiário em 2010, eu era estudante de engenharia de controle e automação na UFMG e eu acompanhei o crescimento da DTI e a DTI foi fundamental na minha formação como profissional.Vinícius: Não só acompanhou como fez parte.Tiago: É, peguei um pouco também. Então em dezembro de 2017, junto com alguns amigos, eu tive que deixar a DTI para fundar uma empresa e para trabalhar com blockchain. A empresa chama Auctus e inicialmente a gente tinha uma ambição de fazer um projeto relacionado a fundos de pensão e aposentadoria. Mas talvez o projeto era ambicioso demais para a época e ao longo do tempo a gente teve que ir fazendo algumas adaptações, fizemos umas mudanças de estratégia, e hoje o projeto está mais focado em aplicações financeiras descentralizadas e talvez seja uma nova hype no meio do ambiente de criptomoedas, o termo DeFi não sei se vocês conhecem, está sendo muito utilizado.Szuster: Como é o termo?Tiago: DeFi. Decentralized finance. E nós criamos ferramentas e produtos nessas áreas para essas aplicações, para o funcionamento com criptomoedas. A gente hoje tem um produto que chama DeFi, que é um produto para você fazer um portfólio que você consegue aplicar em criptomoedas com proteção do seu capital principal. Então de alguma forma a gente pega o seu capital principal, empresa ele, investe em criptomoedas somente com o lucro e o seu capital principal fica protegido com as (stablecoins) [00:03:45] que a gente pode falar um pouco sobre isso também no episódio. E um outro produto que a gente está fazendo agora que chama ACO, que em inglês é ACO, que é uma plataforma para trade de opções em criptomoedas. Então você poderia fazer compra e venda. São opções parecidas com o mercado tradicional de opções da bolsa de valores, só que isso aplicado ao mundo da criptomoeda.Szuster: Já vou apresentar o Duarte, mas só por curiosidade, são aplicações financeiros no mundo das criptomoedas. Ou pode usar uma ferramenta dessa para comprar ação? É um broker normal não, não é?Tiago: Eu posso entrar em mais detalhes depois. Atualmente existem essas stablecoins que hoje estão mais atreladas ao preço do dólar, mas existem alguns projetos para tokenizar as ações. Se essa tokenização seguir alguns protocolos que a gente já está capaz de trabalhar com eles, a plataforma conseguiria também trabalhar com opções do mercado tradicional.Szuster: Vamos guardar isso aí, sabe por quê? Se no final do episódio o pessoal entender porque tem que ter uma plataforma dessa e o que é tokenização terá sido um sucesso. Duarte, e você? Se apresente aí.Duarte: E aí, pessoal. Bom dia, boa tarde, boa noite. O início da apresentação do Tiaguinho é muito parecida com a minha. Eu era da turma dele de engenharia de controle e automação. A gente entrou na DTI em 2010, em sequência, um entrou e depois entrou o outro, seguido assim, não teve ninguém contratado entre a gente. A gente também saiu junto para fundar o Auctus. Só que a diferença é que eu saí do Auctus nessa que ela explicou, mudança de estratégia e tal, eu não peguei muito essa parte não. Quando começou a pivotar eu saí e continuei envolvido com blockchain com outras coisas. Uma delas foi estruturar um curso de pós graduação no IGTI chamado MBI em aplicações blockchain, e ministrar uma disciplina lá de fundamentos em blockchain durante algumas ofertas e até hoje eles estão usando material que eu fiz lá.Vinícius: Quem diria, em Duarte, virar professor, cara.Szuster: Professor Duarte. Tem até um nome lugar, professor Duarte.Duarte: E aí desde então eu continuo acompanhando com olhos de investidor e até acompanhando muito Auctus assim porque ele entrou nessa nova onda de DeFi que o Tiaguinho falou que está sendo um negócio muito interessante de participar de novo, igual nos velhos tempos ,a gente aprendia a criar carteira, essas coisas, agora você aprende a trocar um token pelo outro, depositar ele para render juros e você pegar o token que você ganha de recompensa, coloca em outro pool e começa a fazer a maluquice toda de novo.Szuster: Então, Duarte, vamos começar. Como você é o professor aqui, cara, já deve estar acostumado a explicar, o que é o blockchain afinal? Como você explica isso de uma forma simples?Vinícius: Para criança.Felipe: Você vai usar ou não vai usar o exemplo do Seu Barriga? O Seu Barriga foi um (tech shot) [00:07:25] que ele deu na DTI para explicar como funcionava a blockchain. Ele usou o Seu Barriga, Chiquinha, o Chaves.Duarte: Só introduzindo já a resposta do que é blockchain, essa história aí do tech shot com a apresentação da moeda do Seu Madruga, moeda do Seu Barriga, é engraçado porque naquela época a gente começou a prestar atenção nisso, um pouco antes daquele grande bolha de 2017 e a gente ficava falando “é muito revolucionário, é negócio que vai ter tudo na blockchain em breve, vai ter Uber na blockchain, Facebook na blockchain”, e tentando falar isso para o pessoal como se fosse assim “presta atenção na tecnologia e não no dinheiro”. Só que como as moedas você comprava qualquer coisa sem preocupar o que ela fazia e subia, acaba que deturpa um pouco e o pessoal não prestou muito atenção que a gente estava falando o que era o blockchain. E deve ter gente naquela época lá que comprou, estava ganhando dinheiro, depois perdeu e até hoje não sabe o que é blockchain.Szuster: Eu fui um deles. Estou brincando. Um pouquinho eu sei.Duarte: Em alguns nichos isso é até um pouco polêmico porque tem muita gente que é Bitcoin maximalista que fala que não existe a tecnologia blockchain, que blockchain é o nome da estrutura de dados do Bitcoin. Só que quem não é tão radical assim entende a blockchain como o modelo de estrutura de dados. Igual você tem o banco de dados relacional, você tem os dados organizados em blockchain que não é restrito ao Bitcoin. Então o termo em si nasceu junto com o Bitcoin, foi um termo que o autor do Bitcoin inventou no paper do Bitcoin, que descreve como as transações do Bitcoin são organizadas para tentar resolver o problema de ter uma moeda virtual descentralizada. Então assim, basicamente você tem uma cadeia usando criptografia onde uma transação atual está referenciando todas as anteriores e se você mudar alguma coisa na cadeia você invalida tudo o que aconteceu para frente. E a medida que a rede toma um tamanho suficientemente grande de mineradores ou pessoas rodando o programa do Bitcoin, ela passa a ser segura a ponto de você poder colocar dinheiro nisso sem ter um banco lá, sem ter lastros, sem ter nada, confiando puramente na tecnologia. E aí, como eu disse, para quem não acha que o Bitcoin é a única, verdadeira e que todas as outras são falsas, que você não pode chamar de blockchain, depois do Bitcoin começaram a nascer várias outras moedas seguindo o modelo de blockchain. Uma delas que o Tiago mencionou rapidamente o nome, que é o Ether, Ethereum, que expandiu a tecnologia da blockchain para contratos inteligentes e permitiu esse fenômeno de tokens e várias aplicações. E aí a blockchain passou a ser mais que o Bitcoin e passou a ser qualquer plataforma descentralizada organizando as transações, organizando as informações nessas estruturas abstratas que a gente chama por convenção de bloco.Vinícius: E qual seria o problema principal que esse tipo de tecnologia resolve? Você conseguiria fazer um paralelo pensando no Bitcoin versus um dinheiro guardado em banco versus um dinheiro guardado em alguma carteira, algum repositório de Bitcoin, por exemplo. Qual problema essa tecnologia resolve e o que vem em troca disso? O que você perde?Duarte: Bom, o principal problema que o Bitcoin buscou resolver é a questão da centralização, ou seja, a principal coisa que o Bitcoin tem de diferente para as outras soluções de moeda virtual que existia, internet banking, essas coisas, é a questão de não ter, justamente, o banco por trás. É claro que o Bitcoin, talvez, quando surgiu não imaginava, o autor e os primeiros mineradores não imaginavam, talvez, o tamanho que ele ia ter isso. Ou talvez imaginasse, tivessem essa ambição. Mas ele surgiu como uma moeda sem valor que quem participasse do protocolo ganhava. Então os primeiros caras lá ficavam o dia inteiro rodando o programa e ganhando de 50 em 50 Bitcoins o tempo todo. E uma coisa que impulsionou um pouco o Bitcoin e faz com que ele esteja um pouco associado a essa questão, ele tenha um lado um pouco negativo é que ele nasceu com esse intuito de ser um dinheiro em espécie, o cash, em inglês, virtual, como se fosse assim, hoje, se você quer comprar uma coisa na rua, você tem uma nota de dez reais no bolso, você gasta essa nota e você não está passando o seu CPF, não está tendo informação nenhuma. Ao passo que na compra virtual, se você vai em um site e coloca as suas informações, você tem cartão de crédito, tem que colocar o seu banco, o seu nome, o seu e-mail e tudo mais. E o Bitcoin nasceu com essa ideia de ser um dinheiro virtual que o portador…Szuster: …Duarte, esse exemplo é ótimo. Porque imagina, você quer comprar uma Coca-Cola, você chega no lugar, dá uma nota e pronto. E o cara não tem que te perguntar: “quem é você? Qual sua senha?”, você dá a sua nota e pronto. E quando você bota um cartão, você tem que digitar a senha, aquele cartão passa em uma rede que é toda identificada, tem adquirência, tem um tanto de coisa por trás de uma transação extremamente simples. Então eu achei esse exemplo ótimo mesmo, porque o Bitcoin é um jeito de você transferir uma coisa que é digital e que o cara tem confiança total ali no que ele recebeu, aquele dinheiro que ele vai conseguir usar aquele dinheiro sem necessidade de ter nenhum tipo de identificação, de intermediação no meio. Só queria fazer uma pergunta que eu acho interessante, talvez ajude o pessoal a entender bem que é o seguinte, então assim, no dia zero, é Satoshi o sujeito lá que fez o troço.Duarte: É.Szuster: O Satoshi sei lá, o cara ligou um computador, começou a minerar, que vocês chamam, começou a gerar Bitcoin. Só que para esse negócio realmente poder ter confiança, tem que ter outros nós, outros computadores, que vocês chamam de nós, uma rede que ficam minerando também, e na verdade cada um fica validando a transação de todo mundo. Ou seja, no fundo você tem, tipo assim, eu criei um Bitcoin novo é como se fosse uma transação, criei mais um é uma transação, transferi para alguém e é uma transação. E aí eu queria entender essa dinâmica, assim, como é que esse dinheiro começa a aparecer e como é que eu, por exemplo, que não entendo nada, de repente fui lá e peguei um Bitcoin, no começo tinha uns caras minerando, aí de repente alguém me contou, eu falei “legal, queria uns Bitcoins”, aí sei lá, dei dólar para alguém, esse cara me deu uns Bitcoins. Como é que é isso? Porque eu acho que isso vai começando a ficar mais tangível, sabe? O que é o minerar. Fala aí, Tiaguinho. Para o Tiaguinho poder… O Tiaguinho é o mais educado de nós cinco aqui, então se a gente não botar ele…Tiago: Então, Szuster, essa questão do minerar, o professor Duarte explicou bem o início do Bitcoin, mais uma coisa importante são os algoritmos de consenso, que são essenciais para o funcionamento do Bitcoin. Então você tem os mineradores ali e eles têm um certo conflito de interesse entre as pessoas que estão nessa cadeia descentralizada, nessa rede descentralizada, para eles conseguirem funcionar de uma maneira eficiente. Se todo mundo que está nessa cadeia tiver os mesmos interesses, essa pessoa vai estar controlando, de certa forma, a rede. Então esses algoritmos de consenso, no caso do Bitcoin, ele é a prova de trabalho. Então assim, para definir qual é a cadeia que está correta, você precisa de resolver um problema matemático, no caso do Bitcoin, para definir essa questão da criptografia que vai resolver o problema do bloco e definir quais serão as transações dentro desse bloco. Esses nós da rede que você falou, todos eles estão validando quando alguém propôs uma solução de criptografia para o bloco novo. E precisa chegar em um consenso. Então se mais da metade da rede validar um bloco, aquele bloco entra para a cadeia e as pessoas começam a tentar resolver o próximo bloco. Então se alguém tomar o controle ali de 50% mais um da rede, essa pessoa poderia ter o monopólio da cadeia e isso deixaria de ser descentralizado.Szuster: Eu poderia entrar, vamos supor, no comecinho eu entro com um tanto de computador e eu invento que eu tenho todos os Bitcoins para mim, uma transação que transferiu tudo para mim.Tiago: Isso.Szuster: Como eu tenho a maior parte da rede, eu vou, valido isso e pronto.Tiago: Então, exatamente. No começo você teria o controle, mas você teria o controle de uma coisa que não vale nada, porque ninguém tem interesse naquilo. Então tem também um pouco de teoria dos jogos porque não adianta você ter o controle, se você tiver o controle ninguém vai dar valor aquilo e aí aquilo passa a não valer nada.Felipe: Tiaguinho, eu acho que é interessante comentar também que ter o controle é ter o controle computacional, não é possui mais Bitcoins, “quem tem mais Bitcoins comanda”, não, é quem tem mais controle computacional de desenvolver esse raciocínio matemático para quebrar o bloco.Tiago: Isso. E aí beleza, voltando lá no início, no início eram alguns entusiastas, as pessoas talvez até acadêmicos, estudiosos a respeito, começaram a minerar e começaram a gerar esses Bitcoins.Szuster: Minerar é isso aí, ficar fazendo esse trabalho desse algoritmo aí, de ficar fazendo algoritmo.Tiago: Isso, resolver o algoritmo, é o trabalho de processamento dos computadores que resolve esses algoritmos e mantém a rede funcionando. Aí em 2010 teve o pizza day, que foi a primeira transação conhecida com Bitcoins. Uma pessoa comprou duas pizzas gigantes com dez mil Bitcoins. E essa pessoa, o pessoal fala “nossa, mas o cara comprou uma pizza com não sei quantos mil Bitcoins, hoje valeria tanto”. Mas não é assim que funciona, na época não valia nada, ninguém nunca tinha comprado nada com Bitcoin, você conseguia gerar esses…Szuster: …o pessoal gozou o cara que aceitou os Bitcoins.Tiago: Exatamente, você conseguia gerar esses Bitcoins facilmente minerando por um computador normal, um notebook, (eu colocava lá) [00:18:46] para rodar.Vinícius: Na verdade foi a pizzaria do amigo dele.Tiago: É. Então surgiu ali a primeira transação, e aos poucos as pessoas foram criando formas de transacionar Bitcoins na internet. Ele começou, às vezes, a ser dado como recompensa em fóruns de internet, alguém postava alguma coisa lá, alguma contribuição para a comunidade, as pessoas davam Bitcoin em troca de posts que eram muito curtidos, é como se fosse o like antigamente. Então ele começou a se transacionar de certas formas e alguns estabelecimentos começaram a aceitar a essa moeda. E o primeiro conhecido foi essa compra das pizzas. Depois disso, além dos estabelecimentos, as pessoas começaram a comprar Bitcoin com dólar. Então não sei quantos Bitcoins valiam centavos de dólar. E aos poucos isso foi se tornando uma moeda, as pessoas foram comprando, inicialmente as pessoas deviam acreditar que aquilo um dia seria usado ou como hoje ou mais ainda, tem gente que fala que vai chegar a um milhão de dólares, essas projeções…Szuster: …Tiaguinho, só um negócio, eu estou tentando botar em uma linguagem… Eu achei interessante, ou seja, no começo, um tanto de computador, um tanto de gente começava… assim, o protocolo do Bitcoin depende do quê? De um tanto de computador aí distribuído, usa um algoritmo lá e se a maior parte concordar vai validando aqueles blocos. Só que para incentivar um tanto de gente a entrar nisso, o prêmio do cara por fazer aquilo é justamente ganhar alguns Bitcoins. Só que com o tempo isso vai ficando cada vez mais escasso, vai ficando mais difícil o algoritmo. Então isso que eu acho interessante, você cria uma escassez também. Você gasta mais energia, mais tempo para poder fazer o Bitcoin. No começo você começa a gerar Bitcoin pra caramba… porque eu falo assim, quando alguém compra igual você falou, alguém necessariamente compra um Bitcoin que já existe por aí. Só quem pode criar um Bitcoin é quem minera. E quem minera tem que fazer uma conta que vai se validada. E minerar também cada vez fica mais caro, cada vez é mais difícil criar um Bitcoin, não é isso?Tiago: Isso. Além dos Bitcoins que eles criam, e esse valor que é gerado em cada bloco, a quantidade de Bitcoins ela já está definida. E isso vai caindo exponencialmente ao longo do tempo, vai reduzindo pela metade a cada, mais ou menos três anos, imagino. O Duarte pode falar melhor. E com isso a quantidade total de Bitcoins que vai ser emitido, que vai existir em circulação já está pré definido, não surgem Bitcoins novos. Além dos Bitcoins as pessoas também ganham nas taxas de transação. Então quando você faz uma transação em Bitcoins você paga um pouquinho de Bitcoins de taxa. É como se fosse a taxa do cartão de crédito que o estabelecimento paga, só que é uma taxa muito menor. Com isso você tem um controle de inflação da moeda. Não é igual em qualquer país, aqui no Brasil, por exemplo, às vezes o país fica endividado…Szuster: …não emite Bitcoin…Tiago: …vai lá, emite mais moedas, paga as dívidas e gera inflação. Quando o país está fazendo isso está prejudicando o trabalhador que recebe um salário X, esse dinheiro que ele tem lá, que ele recebe de X passa a valer menos, porque o país está emitindo mais moeda, então tem mais moeda em circulação. Esse controle de inflação também foi muito bem pensado, você falou aí que foi o Satoshi, mas o Satoshi é um pseudônimo, só lembrando.Szuster: O cara não existe não.Tiago: Hoje ninguém sabe quem está por trás da criação do Bitcoin.Szuster: Então acho que deu para entender. Só porque a gente começa a entrar na aplicação disso para confiança (distribuída) [00:22:42] mas só última coisa então, ou seja, com Bitcoin o sujeito criou dinheiro, acho que deu para entender isso. É a partir daquele momento ali, em qualquer transação que alguém faça, se você passar um Bitcoin para mim, se eu contar, está tudo no blockchain, não é? E é tudo processado por todo mundo. Por isso que se eu chegar lá e tentar inventar que o Duarte me passou um Bitcoin, vamos supor, eu boto uns computadores falando que isso é verdade, só que tem um tanto de computador no mundo que vai falar que isso não é verdade, esse bloco não é vai ser validado e pronto, é isso, não é?Tiago: Sim.Szuster: De forma bem simplista seria isso.Tiago: Isso, um resumo.Felipe: Sempre foi um cara muito convincente, Szuster, mas eu acho que você ia ter que convencer metade do mundo, dos mineradores a confiarem que o Duarte te deu Bitcoin.Vinícius: Também na mesma linha do Szuster, tentando deixar bem claro os exemplos, só para avaliar se eu estou pensando corretamente, então assim, tentando fazer um paralelo, quando o Duarte falou, por exemplo, em centralização, vamos supor, um banco ou o banco central, ele define lá, ele quem dá a segurança que eu tenho, por exemplo, X reais na conta, X dólares, sei lá. E aí no modelo desse descentralizado o que eu estou ganhando é que na verdade ninguém tem o poder de fazer isso sozinho, a não ser que você tenha aquele mais de 50% igual vocês falaram. Vamos dizer assim, até em um cenário de segurança também, se um hacker invadir o banco central e alterar lá ele conseguiria, vamos dizer assim, avacalhar todos os dados ali. No caso de um modelo descentralizado estaria muito mais protegido em relação a essa questão de um ataque a um ponto específico. Certo? É isso mesmo? Entendi correto?Tiago: Exatamente.Duarte: Isso. Porque assim, vamos supor que eu invista muito aqui em computador, compre um tanto de placa de processamento, um tanto e hardware, internet eu aumento a minha banda aqui, fico o dia inteiro aqui minerando Bitcoin, a rede está tão grande hoje, valendo bilhões de dólares que eu sou, como se fosse assim, insignificante. Se explodir a minha casa e eu perder todos os registros de transações que eu tenho, é só um nó aqui que aconteceu. Se você explodir um país inteiro, ainda continua a rede funcionando. O Bitcoin eliminou o ponto único de falha que é vulnerabilidade de grandes sistemas que existem.Vinícius: Um outro ponto interessante a explorar também, ainda nessa parte mais conceitual, do como funciona, quando vocês falam a cadeia, a blockchain, significa que o banco de dados que eu imagino que deva ser um banco de dados que também tem que ser pequeno, não pode ser um negócio gigantesco, ou pelo menos pode até ser um negócio gigantesco, mas talvez não tenha o nível de expansão que um banco de dados convencional. O que eu imagino é que em cada vez que alguém, como vocês estão falando, está minerando esses algoritmos aí, todo mundo recebe uma cópia desse banco de dados, vamos falar assim, e processa ele inteiro para ver se ele não foi manipulado, digamos assim, e várias pessoas fazem isso (paralelo,) [00:25:50] é isso mesmo? O entendimento está correto?Duarte: É. É como se fosse assim… inclusive tem muita discussão em termos de tamanho do bloco. Esses termos, o cara que inventou, o pseudo Satoshi Nakamoto, ele usou várias coisas para fazer analogia com o ouro, nessas questões de minerar e até na questão de ficando mais escasso, e essa questão de bloco também é um nome que ele inventou que é análogo a você falar tabela em banco de dados. Tem muita gente que consegue, está tão acostumado a trabalhar com banco de dados, que você fala tabela, linha, o cara consegue abstrair que é só um registro lá no HD. Mas quando você fala bloco ele fica assim “como assim? O que que é o bloco?”, mas é uma estrutura abstrata que você criou para as transações, você chamou de bloco, mas é tudo registro lá. E essa mineração, a gente fala assim, resolveu um problema matemático, também não é um cara bom em matemática fazendo conta lá não, é o computador fazendo força bruta de criptografia, ele vai variando um numerozinho, chama uma função criptográfica, vê se achou um bloco válido. E quanto maior a rede, mais difícil vai ficando achar. E quando você manda uma transação, como não existe um ponto único de falha, não existe um servidor central, para ela existir, de fato, todo mundo vai ter que replicar ela. E se você replicar uma coisa que não for verdadeira, você está meio que gastando a sua energia e o seu hardware em um negócio que não vai valer nada, porque o resto da rede vai te falar que você é falso. E aí você não vai ganhar os Bitcoins de recompensa, os novos Bitcoins da mineração. Então você tem um incentivo para ser honesto que assim, você ser honesto é mais lucrativo do que você tentar roubar. Por quê? Porque o Bitcoin que você vai ganhar vale milhares de dólares e você tentar burlar a rede você vai gastar milhares de dólares e não vai conseguir burlar a rede.Vinícius: Você teria que quase fazer um esforço de descobrir onde estão todos nós no mundo e tentar convencer eles de fazer a mesma coisa que você vai fazer, tipo um negócio assim.Duarte: É. Isso ou então você ter mais computador do que o resto do mundo.Szuster: O computador (coins) [00:28:09] pode acabar com esse negócio então.Felipe: É isso que eu ia falar.Vincíus: Esse assunto dá um (pool) [00:28:17] não um episódio.Duarte: Esse assunto sempre vem quando você fala em blockchain, é como se fosse assim, alguém vira e fala assim “você é doido, você mexe com Bitcoin, vai vir um computador quântico e vai valer nada”. Eu acho que igual a tudo na vida, assim, não vai ser um salto de hoje não tem, amanhã tem e hoje vale a amanhã não vale.Vinícius: Duarte, mas essa linha de argumentação eu acho ela falha no sentido de que praticamente tudo hoje em dia depende de criptografia, independente de ser blockchain. Então assim, poderia lançar um míssil nuclear nos estados unidos se tivesse um problema de criptografia, por exemplo, o problema, o buraco é muito mais embaixo.Szuster: Só para a gente poder andar, eu acho que fica mais claro o seguinte, o que o Bitcoin trouxe é uma forma de você sem ter que ter um agente centralizador, começar a ter certeza que certas transações são verdadeiras, independente, não tem que ter um cara. E aí que começa a grande revolução, acredito eu, porque eu lembro que na época que esse negócio estava bem assim, que eu dei uma estudada na época, teve um cara que fez uma analogia que ele fala o seguinte, “olha, hoje o Google virou a referência de tudo o que você quer achar, você fala ‘vai lá e dá um Google’, o blockchain vai virar referência de tudo o que você quer ter confiança, tudo o que você quer saber se é verdade, se foi verdadeiro, como se fosse um grande cartório distribuído aí”. É isso mesmo? Está certo isso que eu falei?Duarte: No meu ponto de vista isso depende um pouco. É tudo relativo. É como se fosse assim, hoje o blockchain do Bitcoin é grande o suficiente para se você registrar uma coisa em uma transação lá você acreditar que aquilo vai ficar lá para sempre, no sentido de não ter como voltar atrás, desfazer alguma coisa que você fez. Então como que essa questão de usar a informação legítima na blockchain funcionaria na rede do Bitcoin? Você pode gerar um (rash) [00:30:29] uma imagem digital de um diploma, de um documento, e embutir isso em uma transação de Bitcoin, pagar a tachinha lá dos mineradores e registrar. E no dia que você quiser que alguém verifique que esse documento existia na data tal, esse cara pode ir lá blockchain do Bitcoin, ver a transação que você (mostrou) [00:30:50] o cara, ver o negócio codificado lá, pegar o documento que ele tem na mão e codificar da mesma forma, comparar os dois e ver que esse documento existiu naquela época. Então assim, uma rede suficientemente grande como a do Bitcoin que não é controlada por uma única entidade, ela tem essa característica, você pode registrar uma coisa lá e garantir que ninguém vai mudar essa coisa que você registrou. Você não consegue ir em um registro de dez anos atrás e fingir que você tinha um contrato assinado.Szuster: Entendi.Duarte: Agora, como isso funciona nesse ponto de vista de artigo, de falar “todas as empresas vão precisar ter uma blockchain para garantir que o negócio é legítimo”, o pessoal leva para um lado que… o pessoal que eu falo é assim, às vezes acontece de alguns gestores de tecnologia…Vinícius: …o mercado às vezes interpreta…Duarte: …é. Às vezes as pessoas são levadas erroneamente a achar que se eles substituírem o banco de dados relacional que eles têm por uma estrutura de blockchain eles vão ficar mais confiáveis, mas não é o caso. É simplesmente uma tecnologia diferente que eles vão estar controlando do mesmo jeito.Szuster: Só vai virar um lugar de armazenamento, vai perder o poder do distribuído. Tiaguinho você tinha dado… até o Felipão está levantando a mão ali, quando levanta a mão desse jeito não tem jeito.Vinícius: Szuster, o famoso dedinho.Szuster: É o famoso dedinho.Felipe: O Szuster adora quando levanta a mão. Só colocar uma questão nesse assunto que o Duarte abordou e o Vinição perguntou, eu entendi que uma das coisas que a blockchain traz e nisso a gente tem um consenso é imutabilidade e a confiança nas transações já colocadas ali. Mas até pegando um gancho, um pouco disse que o Duarte falou no final, que algumas experiências que a gente teve até na DTI com algumas demandas relacionadas a blockchain em que… igual o Duarte falou assim, algumas pessoas acreditam que uma vez que a blockchain é confiável, é imutável, eu vou armazenar as minhas coisas ali, eu vou ter essa segurança que eu acredito que eu não tenho com uma base de dados relacional convencional. Eu queria perguntar ao Tiaguinho, ao Duarte em relação a isso, eu vou armazenar as minhas coisas ali. O Duarte até deu exemplo de um diploma digital. E foi muito curioso porque uma das demandas que chegaram no DTI foi justamente isso, a blockchain é imutável, ela é segura, é descentralizada, é a prova de hacking, então eu vou pegar documentos meus como contratos, como coisas jurídicas legais e vou armazenar na blockchain. Esse armazenar na blockchain, Duarte, falo um pouquinho aí, porque por exemplo, isso tem um custo. Para cada transação que você falou, bloco, ele tem um tamanho, não é barato você armazenar um negócio ali de megas, de gigas. Seria essa uma das primeiras falácias quanto a “eu vou guardar minhas coisas na blockchain?”, ela daria para servir como um banco de dados em que eu conseguisse armazenar grandes volumes de dados?Szuster: Felipão, só uma coisa, só para completar para eu não esquecer, é que toda hora eu lembro disso também. E aproveita aí que não é só Bitcoin, teve Ethereum, só para saber também, você tem várias redes, cada moeda dessas cria uma rede diferente, com um tanto de gente minerando, mas com esse espírito aí de que as transações são imutáveis e que precisa de um tanto de gente validando elas e que o recurso vai ficando escasso. Vamos dizer, os princípios são os mesmos. Responde essa pergunta e depois eu queria entender porque foi surgindo um tanto de outras coisas depois, porque não ficou só no Bitcoin, por exemplo.Duarte: Eu vou começar a responder e qualquer coisa o Tiaguinho me interrompe e eu passo para ele. Só reforçando mais uma vez, eu já falei que tem a ver um pouco com a primeira coisa que eu falei lá para falar o que é blockchain, a discussão de ter pessoas que acreditam que o blockchain é o Bitcoin e ter gente que está falando a tecnologia blockchain. Quando a gente fala a blockchain garante a imutabilidade, o que garante a imutabilidade é o tamanho da rede do Bitcoin, é o poder computacional que eliminou o ponto único de falha de forma assim, se eu registrar uma coisa na blockchain do Bitcoin é muito difícil, muito caro, e na prática é praticamente impossível, financeiramente falando, computacionalmente falando, você burlar, justamente por causa do poder da rede do Bitcoin. Se eu criar uma blockchain minha aqui, no meu computador, eu posso ir lá e editar o que eu quiser. Então essa questão de imutabilidade vale para o Bitcoin e para algumas outras redes que são suficientemente grandes hoje em dia. Por exemplo, o Ethereum talvez, algumas outras ali no top dez das plataformas de criptomoedas. Só para não fugir muito da pergunta porque era sobre essa questão de custo e de armazenamento. E aí já tem a ver com essa questão de mais de uma blockchain existir e tudo mais. A blockchain do Bitcoin não foi dimensionada e projetada para você ficar armazenando coisa grande. Por quê? Porque senão você penaliza todo mundo que está minerando a rede para ganhar Bitcoins. Se você tentar colocar um vídeo lá, alguma coisa assim, todos os nós, todos os computadores vão ter que baixar esse negócio, validar e replicar, e por isso o bloco do Bitcoin, o número máximo de transações e o tamanho das transações somadas têm um limite. E para aumentar ou diminuir esse limite todo mundo que faz parte da rede tem que ter um consenso lá de 50% mais um para fazer a alteração no protocolo. E a medida que alguém propuser um limite maior e eles não entrarem em consenso você vai criar duas cadeias em paralelo, você vai ter o pessoal que não quis aumentar o bloco e você vai ter um outro Bitcoin que são os fortes do Bitcoin evoluindo para um outro lado. E respondendo à questão do Szuster, existem outras plataformas, Ethereum, etc, e algumas delas são específicas para armazenamento. Você tem plataformas baseadas em blockchain que são mais otimizadas que o Bitcoin para você armazenar muitas coisas. E tem algumas que a mineração ao invés de você ficar resolvendo o problema criptográfico, você minera novas moedas cedendo, por exemplo, espaço de HD. Só que aí você entra assim, você tem centenas de plataformas, aplicações baseadas em Ethereum.Vinícius: Tem um artigo do Gartner de 2016 que é bastante interessante que tem muito a ver com muitos dos nossos ouvintes que estão em empresas mais tradicionais. Um dado interessante que ele coloca lá, que ele coloca assim, que mais de 90% das aplicações de blockchain que eles estimam na época lá, elas eram aplicações que não iriam levar a nada ou que estava utilizando da forma muito incorreta. Então por exemplo, um desses dez pontos que ele colocou foi muito o que o Duarte falou, por exemplo, confundir a blockchain com um banco de dados relacional. Não é um banco de dados relacional por vários fatores que ele colocou. E se for um cenário que você não precisa dessa confiança distribuída, na verdade você está fazendo uma troca muito ruim, que você está fazendo uma troca de perda de escalabilidade e tal. Um outro ponto que tem nesse artigo que é muito interessante também, é você, por exemplo, montar uma blockchain sua, igual o Duarte falou, em um computador. Isso não teria sentido nenhum. O outro erro que ele coloca lá é, por exemplo, pegar uma blockchain que não é uma blockchain open, vamos chamar assim, de comunidade, de um fornecedor único, que controla toda a capacidade (inint) [00:38:59] então também não faz sentido. O (inint) [00:39:00] está até rindo aqui, parece meio ridículo, mas de acordo com o Gartner lá, 90% das aplicações têm erros desse tipo, de projetos de enterprise, que tem muitos clientes nossos que têm esse perfil.Szuster: Para o Tiaguinho responder, sabe o que eu acho que fica bom, (inint) [00:39:16] podia dar o exemplo do Walmart que ele comentou antes. Porque o Walmart está fazendo certo? Entende? Com todos os conceitos, o que o Walmart está fazendo? O que ele está guardando? O que ele não está guardando? E vamos ver se ele está certo ou se ele está usando uma rede.Tiago: Então, Szuster, comentando esse exemplo, eu acho que isso acontece, talvez pela forma como as utilizações são divulgadas no noticiário e tudo mais. Às vezes você vê lá, o Walmart está usando blockchain, mas você não sabe exatamente a forma que ele está usando. Aí o concorrente vai lá e pensa assim “se o Walmart está usando eu também vou usar, vou fazer um teste aqui”. Aí você vê lá, por exemplo, eu vi uma notícia recente que o governo federal agora já lançou tecnologia do BCTF, acho que tem o ICTF, agora tem o blockchain CTF. Mas se é do governo, vai ser centralizado? Não necessariamente, porque dentro do próprio governo tem várias entidades que se comunicam ali e podem até ter um conflito de interesse entre essas entidades. Por exemplo, vamos supor um diploma universitário, a universidade e o MEC eles têm interesses diferentes em validar diplomas, em validar cursos e tudo mais. Tanto as universidades quanto o MEC, por exemplo, poderia fazer parte dessa rede para validar a situação. Você poderia ter a receita federal, você poderia ter os bancos e o banco central participando de uma rede. Só que essa não seria uma rede como a rede do Bitcoin que é uma rede pública, essa seria uma rede permissionada, que você conhece as suas entidades que estão validando as transações, que são várias entidades, então não é centralizada em uma entidade única, tem órgãos reguladores do governo, pode ter ONGs, podem ter algumas entidades privadas que fazem essa regulação. E poderia ser até uma rede entre governos diferentes. Então você poderia ter um registro de entidade mundial, um protocolo definido entre governos que teriam as informações das pessoas. Então não necessariamente por ter entidades seria uma rede centralizada. Pode ser descentralizada. E aí por exemplo, se tivesse esse registro de diploma em uma blockchain, a gente não teria o problema que teve lá com o ministro da educação, por exemplo.Felipe: Polêmico.Tiago: Se a gente tivesse um registro, por exemplo, dos funcionários públicos. Quem é funcionário público via estar vinculado com essa blockchain do CPF. Nesse auxílio emergencial que recentemente foi distribuído, tem uma notícia falando que 400 mil servidores públicos receberam auxílio emergencial do governo. É claro que isso poderia ser evitado também já com o banco (inint) [00:42:12] normal, mas isso mostra que não tem uma integração entre as entidades governamentais hoje. E uma das formas de integração seria blockchain.Szuster: E qual é o exemplo todo?Tiago: O Walmart, eles fizeram um rastreamento logístico de blockchain que parece que é um uso válido assim, porque você tem vários fornecedores diferentes, na cadeia de alimentos, aquilo ali passa em várias etapas até chegar ao consumidor final. Então o consumidor final para ele saber se aquele alimento, por exemplo, às vezes você vai lá no supermercado e fala que é um alimento orgânico, que aquele alimento não utilizou agrotóxico, por exemplo, você confia no que está escrito lá, confia também nas entidades reguladoras e pronto. O Walmart está fazendo um rastreamento desde a fazenda até chegar no consumidor final, dos alimentos, para conseguir garantir ao consumidor final que tenha a sua autenticidade, aquela informação.Szuster: Esse exemplo é bom porque, por um lado, ele vai para aquele lado mágico que algumas pessoas às vezes podem pensar “uso blockchain, sei que é autêntico”, o cara pode mentir o ovo. Ele fica dando hormônio para as galinhas lá e fala que o ovo é orgânico. O que o (blockchain) [00:43:34] tem a ver com isso? Assim, fazendo a pergunta bem direta mesmo. Eu compro ovo orgânico, fico sempre naquela “será que estão me enganando?”Tiago: Exatamente. Mas se tiverem várias entidades envolvidas no processamento dessas informações, vamos supor, você tem vários fornecedores de ovo, e um dos fornecedores sabe que aquele outro fornecedor lá o ovo dele não é orgânico. Então esse fornecedor ele poderia recusar as transações desse outro fornecedor falando que é orgânico. Então você coloca a informação distribuída entre os fornecedores que estão permissionando o acesso naquela blockchain e todos eles validam entre eles. Porque entre eles existe um certo conflito de interesses. Tem que existir esse conflito de interesses para eles não conseguirem controlar a rede e conseguirem manipular a informação. A questão é toda essa, se você é a única pessoa que controla a sua blockchain você pode mudar ela toda, assim, não faça…Vinícius: …Szuster, eu já li bastante coisa sobre essa utilização em Suply Chain, eu acho que a principal característica que eles buscam é realmente essa imutabilidade. Vamos dizer assim, depois, lá na frente, na cadeia, depois de, vamos supor, um laboratório fez um exame, você não pode, você não tem mais condição de ir lá no passado e dar um update na tabela e falar “não, espera aí, não usei isso aqui não”, entendeu? “Você usou sim”.Szuster: É mais para o cara não fugir da responsabilidade.Vinícius: É mais para não ter jeito de manipular o passado. É mais para não ter jeito de manipular o passado.Szuster: Se eu falar que eu tenho ovo orgânico, mas fico, de repente, no meio da brincadeira resolvi dar hormônio para as galinhas, quem vai saber disse no blockchain?Felipe: A parte física do processo você não garante. Mas deixa eu dar uma de mal educado aqui, aproveitando que só o Tiaguinho é o mais educado aí da turma. Quero abordar uma coisa aqui que o Duarte comentou e eu acho que passou batido, mas que é um fator muito importante, para quem nos estiver ouvindo, na hora de decidir “vou usar blockchain”, além de tudo o que a gente já colocou, muitas soluções podem ser substituídas facilmente por um banco relacional, comum, tradicional, mas o Duarte comentou uma hora que no momento que está sendo minerada a transação existem taxas envolvidas. Você paga uma taxa para o minerador. Aí vocês me corrijam se eu estiver errado, as principais têm esse formato, o Bitcoin, a Ethereum, e eu acho curioso porque uma das demandas que eu me envolvi lá na DTI com um potencial cliente que gostaria de usar a blockchain, foi justamente na taxa que o cavalo caiu, que rolou aquela decepção Porque acredita-se que vai utilizar toda essa pompa da imutabilidade, da confiança, mas tudo o que vai ser transacionado… quem está acostumado com nuvem já está acostumado com o pay to use, ou pay to go, que você paga ali às vezes por dado que está subindo, dado que está descendo, paga por armazenamento, mas tem uma característica especialmente na Ethereum que eu vejo isso acontecer muito, vi muito lá na época da hype, é que quando você está propondo uma transação você tem que pagar uma taxa, o (hash) [00:46:43] eu acho o nome da taxa. E esse hash ele é variável dependendo do load da rede, Tiaguinho, Duarte, vocês me corrijam aí. Dependendo do load da rede, se ela tiver muito tomada o hash inclusive, o preço das transações aumenta. Quando eu comentei isso com esse potencial cliente ele ficou um pouco frustrado. Ele falou “para toda a vez que eu for armazenar alguma coisa eu vou pagar um valor que eu não sei o que é e ele pode variar de centavos até unidades e dezenas de dólares? É isso mesmo?”, eu falei “é isso mesmo”. Aí ele falou “mas isso fica inviável financeiramente”. Inclusive quanto maior a quantidade de coisas que você está colocando, mais custo, mais hash você tem que pagar para transacionar. Correto, gente?Duarte: Vou falar aqui, mas o Tiaguinho é mais técnico, ele me corrige se eu estiver errado. Mas no Ethereum, especificamente, que foi projetado para rodar aplicações baseadas em contatos inteligentes, essa taxa que você usuário paga, ela é uma multiplicação de dois fatores, um é determinístico, que é essa questão que você falou, de quanto mais informação, mais você vai pagar. Então assim, como o contrato inteligente é um código gravado na blockchain, você sabe lá o tanto que uma função vai demandar de processamento, então uma função sempre vai gastar um número X determinado de unidades, eles chama de (faz) [00:48:07] no Ethereum. E aí o outro fator que você multiplica por esse número de unidades, é um fator que você pode aumentar ou diminuir dependendo da sua urgência. Então assim, se você quiser colocar lá no preço mínimo, pode ser que seja processado porque ninguém está usando a rede, pode ser que a sua transação seja esquecida para sempre. O que acontece? É meio que uma corrida, que é você manipular no preço desse gás e não nas unidades de gás em si. Então se você quer que seja mais rápido você aumenta um pouquinho, aí outra pessoa vê que você aumentou um pouquinho, aumenta também. E aí têm sites que monitoram isso. Eles fazem lá um estudo estatístico e te dão três valores de gás que você pode usar, um para ser muito rápido, um para ser dentro de cinco minutos e um para garantir que ela vai ser processada, sei lá, em meia hora. E abaixo disso eles não garantem, pode ficar dias lá sem sua transação ser executada. E aí acontece assim, que à medida que vão surgindo oportunidades lucrativas, ofertas iniciais de moedas, essas questões de DeFi e tudo mais, o preço hash vai subindo porque o pessoal, justamente, quem sai na frente já sai na vantagem. Tipo assim, “eu comprei um token mais barato do que o cara que veio depois de mim”, aí começa a inflacionar esse preço do gás. E isso, como a rede é toda uma só, se você quiser fazer ali sua aplicaçãozinha de logística, seu joguinho de gatos, essas coisas, você é penalizado pela corrida do ouro dos caras que estão tentando comprar token e vender mais caro, entendeu? E essa é uma das críticas que existe em rede, tipo o Ethereum.Szuster: No final esse exemplo do Walmart, o que o Vinição falou e muitos dos exemplos corporativos é a questão da imutabilidade. Ou seja, eu não tenho (como fisicamente) [00:49:56] garantir nada, mas se um dia alguém levantar que o remédio tal foi fraudado, que o ovo tal, ou seja o que for, eu realmente tenho o registro pelo menos de que o cara por exemplo tentou ser correto na época, ele tinha um exame lá, alguma coisa assim. Porque hoje em dia você vai pedir para o cara, por exemplo, “me fala aí qual foi o certificado que você tinha na época de qualidade”, você vai pedir para o cara. Hoje isso vai ficar tudo (inint) [00:50:20] o cara não consegue mudar. Porque eu acho que isso causa uma confusão muito grande, sabe? E o diabo do token, cara. O que é o token? O que é o token? O Duarte falou agora o token. O que é o token aí? Vamos, Tiaguinho.Vinícius: Assim, tem que explicar para crianças.Szuster: E ainda falar desse (troço) [00:50:46] do Tiaguinho que vai ser legal pra caramba. Do DeFi.Tiago: então, respondendo, você perguntou mais cedo por que que não ficou na blockchain do Bitcoin e pronto, né?Szuster: Sim.Tiago: Porque a blockchain do Bitcoin ela nasceu com o propósito de resolver um determinado problema. Depois que ele lançou o pessoal viu “essa tecnologia é interessante, dá para a gente resolver outros problemas usando a mesma tecnologia. Então a rede da Ethereum, por exemplo, ela surgiu com a possibilidade dos smart contracts, os contratos inteligentes, que nada mais é do que uma função, um método, um trecho de código. Um não, né, podem ter vários trechos de códigos, mas isso fica armazenado na rede e uma vez que você executa, sempre vai executar daquela forma que está escrito lá na rede. Com isso, permitiu que você pudesse fazer várias implementações de lógicas dentro da rede da Ethereum, diferentes, não só transacionar mais moeda, você pode ir lá e fazer lógicas de transação de moedas.Vinícius: Para o leigo mesmo, como se eu pudesse agora ter (IF, ELS) [00:51:58] e umas coisas assim, não é?Tiago: Isso, exatamente. É como se fosse as histórias de (provision) [00:52:03] de banco de dados, algo parecido, fazendo uma analogia com banco de dados tradicional. Então com isso o pessoal conseguiu até desenvolver padrões, protocolos para desenvolver outras coisas. Os tokens, por exemplo, surgiu um padrão (RC 20) [00:52:22] que você consegue transferir, emitir, queimar moedas. Então você fala lá, eu vou criar um token que é uma simulação de alguma moeda. Então você poderia pegar um ativo, por exemplo, uma ação da Apple, e você poderia transformar isso em uma representação virtual dentro dos smart contracts de ações da Apple. Vamos supor que fosse de uma forma centralizada, eu, Tiago, vou lá, compro dez ações da Apple e falo “sim, agora eu emiti dez ações aqui no smart contract e essas ações estão comigo”. Eu centralizando essa informação eu poderia… claro que tem os órgãos reguladores, mas tentando explicar de maneira mais simples, eu poderia ter essas dez ações lá, colocar em um ambiente virtual e deixar as pessoas tradarem entre elas e depois eu ver quem ficou com cada ação e pegar do ambiente real e transferir para cada uma delas de acordo com a posse que ficaram definidas no contrato. Então isso seria uma tokenziação de um ativo real de ação.Szuster: A ação da Apple passou a existir no mundo da blockchain como um token que aponta para aquela ação.Tiago: Isso.Szuster: E aí você fica lá brincando com aquilo lá.Tiago: Isso. Só que antes disso tiveram as emissões de moedas, que foram os (initiation coin official) [00:53:47] que o Duarte falou mais cedo, das empresas que já surgiram desse contexto de blockchain. Então os tokens delas, as moedas, os papéis relacionados a essas empresas nasceram já na blockchain. Então elas não existem no mercado tradicional, existem somente na blockchain.Szuster: Os tokens são como se fossem ações dessa própria empresa que foi criada.Tiago: Podem ser ações, podem ser outras criptomoedas, podem ser várias coisas. Isso que eu estou falando são os tokens (fungíveis) [00:54:19] Por exemplo, o dólar é como se fosse uma moeda fungível, se você pegar dois dólares diferentes, juntar, você recebeu uma nota de um dólar, recebeu outra nota de um dólar, você tem dois dólares, ele é fungível, vira uma coisa só. E tem também os tokens não fungíveis. Por exemplo, uma identidade de uma pessoa seria um token não fungível, porque se você pegar duas pessoas diferentes são identidades diferentes, óbvio. Se você juntar as duas não vira duas coisas únicas. Você não tem…Szuster: …pode nascer um filho, dependendo.Felipe: A terceira pessoinha.Tiago: É, poderia ter a árvore genealógica aqui. Então começaram a surgir padrões de implementação de coisas na rede da Ethereum. E surgiram outras redes também que solucionam outros problemas. Os DeFis são as aplicações financeiras que usam esses padrões para transferir tokens, transferir dinheiros virtuais, criptomoedas entre as pessoas, tentando fazer isso de forma descentralizada. Então pensa, vamos supor, o exemplo do mercado de opções. Hoje, para você (traidar) [00:55:33] opção no mercado tradicional, você precisa confiar seu dinheiro em um banco, colocar isso em uma corretora, sei lá, entrar no home broker para conseguir fazer essa operação. Então tem algumas entidades ali centralizando essa operação. Na nossa plataforma que é descentralizada, uma vez que você tenha a sua carteira e tenha esses tokens, esses tokens eles nunca vão ficar de posse da plataforma. A posse do token fica com você o tempo todo até você transferir ele para outra pessoa. Então é uma negociação peer-to-peer sem uma unidade centralizadora. Então isso gera uma confiança.Szuster: Que coisa louca. Assim, vocês não têm um broker, mas vocês estão fazendo uma plataforma para poder viabilizar o negócio descentralizado, não é? Como é que é isso?Tiago: E opção é interessante que é um caso de uso para smart contract que faz muito sentido, porque a opção, você fala assim, eu quero ter a possibilidade de comprar tal ativo se o preço dele passar do valor X. Então por exemplo, eu posso vender uma opção de compra. Vamos supor que eu vou vender para o Duarte, eu vou falar assim, “Duarte, eu vou te vender aqui por um dólar a opção de você comprar Ethereum a 220 dólares até o final do mês agora”. Isso vai ficar lá no smart contract. Eu vou depositar um Ethereum lá no smart contract, isso vai ficar preso lá no smart contract, e o Duarte, se ele quiser esse um Ethereum que eu depositei lá, é só ele depositar os 220 dólares. Se ele não depositar os 220 dólares, eu pego o meu Ethereum de volta. E isso está um código publicado na rede e essa lógica está lá e nós dois conseguimos conferir essa lógica porque ela está pública e está (bem) [00:57:31] atrelado a ele e eu consigo transferir para ele essa opção (inint) [00:57:36]Vinícius: E ela está amarrada pela parte matemática da coisa ali. Não precisa de ninguém, assim, em inglês eles chama de (one man in the middle) [00:57:42] validar.Szuster: Mas vamos dizer, os caras que sabem programar igual vocês sabem fazer isso. O que vocês estão fazendo é permitir que qualquer pessoa faça isso, e não precise de um broker no meio do caminho.Tiago: Então, aí entra uma outra questão que são as barreiras iniciais para entrar nessas redes de criptomoedas. Hoje eu acho que assim, em termos de usabilidade, a gente tem muitos problemas ainda para isso virar uma tecnologia muito popular. Um exemplo muito bobo assim é que para você emitir a sua carteira, normalmente ou você gera uma chave privada ou tem uma frase que garante que você vai conseguir comprovar que você é o dono daquele endereço, que você é aquilo, que você tem o poder de executar aquela ação naquele ambiente virtual. E se você perder isso hoje, não tem ninguém para recuperar, justamente porque é descentralizado, não tem uma unidade centralizadora. Hoje, por exemplo, se você esquecer a sua senha do banco, por mais transtorno que isso gere, tudo mais, você vai lá no banco pessoalmente, leva a sua identidade, você consegue gerar uma senha nova porque tem uma unidade descentralizadora que vai resolver isso para você. Quando isso se torna descentralizado, você joga essa responsabilidade para o usuário final. E aí em termos de usabilidade isso fica péssimo, porque as pessoas não estão acostumadas a lidar com esse tipo de responsabilidade de “eu tenho que ter o controle aqui, se eu perdi já era”. Assim, você pode ter o dinheiro que for lá, se você esquecer a sua senha, que não é uma senha fácil de decorar igual (inint) [00:59:24] você perdeu o seu dinheiro.Szuster: Isso é tenso demais. O Ethereum que eu tinha eu nem sei aonde que estava, cara, não sei nem o que eu faço para resgatar.Vinícius: Vocês podem ficar tranquilo que está comigo aqui, cara.Duarte: Mas é que… só interrompendo rapidinho. E o pior de tudo é que você pensa assim “você não pode esquecer de jeito nenhum”, então beleza, então eu vou escrever isso na minha cara, vou entrar em um post it, colocar na tela do computador, vou tatuar no braço. Só que se outra pessoa ver, você também perde tudo. Então é um negócio que você tem que proteger, esconder, só que se você esconder demais, que até você mesmo perde, daí já era. Aí fica esse paradoxo aí. Você tem que esconder muito bem protegido, por exemplo assim, você pode falar “não vou anotar em lugar nenhum para ninguém ler, vou só decorar”. Só que aí você corre o risco de você esquecer e perder. E se você fala assim “eu vou anotar”, aí corre o risco de, sei lá… o pessoal zoa, brinca, no Twitter relacionado a criptomoeda e tal, esse meme de que a chave privada está sempre em um papel na gaveta de meia. E é meio isso assim. Você pode pensar “vou pôr em um cofre no banco”, entendeu? É como se fosse esse negócio assim mesmo.Tiago: É, e tem outros(inint) [01:00:40] também, se você morrer, por exemplo, não tem como você transferir como herança, porque se você não guardou em um lugar e não passou o código para a sua família.Vinícius: É só fazer um smart contract lá que faz isso daí.Szuster: Imagina, o cara sabe de cor e (sofre um acidente) [01:00:51] ele sabe de cor… e como é que estão caminhando para resolver isso? Isso já me desencorajaria completamente, porque a chance de eu esquecer é enorme.Felipe: Especialmente você, não é, Szuster?Tiago: Isso que eu estou falando é se você for lidar com essas criptomoedas totalmente em um ambiente descentralizado. Mas muitas vezes existem algumas entidades centralizadas que você consegue trabalhar com essas criptomoedas, e essas entidades, normalmente uma Exchange, uma corretora, lá você consegue, tipo assim, guardar os seus tokens e lá você consegue recuperar a sua senha e tudo mais, mas você está passando a custódia do seu dinheiro para essa entidade, que é algo parecido com o que os bancos fazem hoje, então você não está aproveita da descentralização.Vinícius: Tiaguinho, li alguns artigos recentes do (Vitalic) [01:01:41] que é o criador do Ethereum, falando sobre que eles estavam tentando resolver isso através de alguns algoritmos meio de vizinhança, tipo assim, como se fosse parentes, como se tivesse um smart contract que é capaz meio de fazer alguns challenges ali, se você sabe determinados dados da pessoa e um conjunto… é quase como se fosse uma micro descentralização local, que resolveria ali e você poderia destravar o negócio.Tiago: Pois é, como é uma tecnologia relativamente recente, esses tipos de problemas eu imagino que eles vão ser resolvidos aos poucos, surgindo algumas alternativas como essa que o Vinição falou. Mas da forma como está hoje tem muitos problemas ainda, principalmente nessa parte de experiência do usuário. Você quase tem que ser um programador para conseguir ser o usuário dessas redes descentralizadas e tudo mais. Então tem certas desvantagens assim, e tem barreiras de entradas gigantescas.Vinícius: Você lembra algum outro caso que você chegou a observar? De utilização.Tiago: Um caso interessante foi o da Libra, a criptomoeda do Facebook, que eles anunciaram em junho do ano passado. Eles anunciaram uma associação Libra, que seria a parte de controlar e gerenciar essa criptomoeda, e essa associação ela teria participação de várias empresas e entidades internacionais, dentre eles o Spotify, o Facebook que é a principal delas. E aí tinha algumas entidades como o Visa, Mastercard e PayPal. Só que essa Libra começou a enfrentar algumas barreiras legais de regulamentação, justamente por desafiar esse poder monetário das nações. O Facebook anunciou que faria isso e pouco tempo depois o pessoal lá da França falou que a Europa não deveria aceitar a Libra internamente, devia bloquear a operação da Libra internamente, justamente por causa dessa questão que as nações tem o poder sobre o dinheiro, que elas conseguem emitir mais dinheiro, ter um controle inflacionário ali dentro do país. Se você começar a ter uma moeda global que é usada no mundo inteiro e você tira o poder, as pessoas começam a converter das moedas dos países para essa moeda global, os países passam a perder poder. Então depois que isso aconteceu, essas empresas do mercado financeiro, Visa, Mastercard e PayPal, por exemplo, abandonaram o projeto e o Facebook parece que mudou um pouco de ideia da forma como esse projeto seria adotado. A ideia era lançar uma criptomoeda e uma carteira. O Facebook também é dono do Whats App. Recentemente o WhatsApp falou que vai lançar pagamentos pelo aplicativo. Eu imagino que isso estaria vinculado também a esse projeto da Libra. Essa carteira da Libra, além de pagar com a criptomoeda da Libra, você também pagaria com moedas tradicionais. Então acho que o Facebook está mudando o foco para esses pagamentos com as moedas (fiat) [01:05:12] que são as moedas dos países, ser o principal meio de pagamento dessa carteira e a Libra, talvez, ser só uma alternativa um pouco menos importante no projeto como um todo. Não sei exatamente como está o andamento desse projeto, mas esse seria um exemplo de uma utilização aí, de uma empresa global. Normalmente as utilizações que a gente vê funcionando melhor hoje em dia, são as relacionadas a dinheiro, a mercado financeiro. E também o Suply Chain que é outra aplicação que normalmente é mais utilizado.Vinícius: O (nativo) [01:05:56] é todo virtual, ele tira várias barreiras para que a coisa toda funcione.Tiago: Assim, no curto prazo, a melhor utilização que eu vejo é essa do mercado financeiro assim. Porque boa parte dos ativos já são digitalizados. Mas hoje eles são digitalizados com alguma entidade centralizadora e tudo mais. Você poderia usar blockchain para resolver essas questões, e não necessariamente precisa ser uma blockchain pública, tem as blockchains permissionadas. Parece que tem uma iniciativa aqui no Brasil também, de vários bancos, de criar uma rede interna de blockchain para fazer transferência entre eles e garantir essas transações. Acho que é utilizando corda, que é um exemplo de blockchain permissionado. Então assim, a gente está mais acostumado com as blockchains públicas, que é a rede do Ethereum e do Bitcoin. Mas para essa comunicação entre as instituições, as blockchains permissionadas também faz muito sentido. Uma blockchain híbrida que tem informações públicas e privadas.Szuster: Só para a gente ir encaminhando para um fechamento, mas vocês imaginam um futuro… porque assim, é engraçado, quando eu vejo assim parece até que (inint) [01:07:12] é muito pouco user friendly no final das contas. É complicado de falar sobre ela, é complicado de usar, então talvez assuste. Vocês imaginam, assim, pelo que vocês veem e isso tudo ai, vocês imaginam um futuro onde realmente vira igual aquela metáfora que o cara fez do Google, tipo assim, eu encontro com o sujeito, eu boto o anúncio do meu apartamento, por exemplo, para ender. E aí hoje em dia, sei lá, o cara me dá um cheque administrativo, porque o banco passa, etc, será que no futuro eu vou fazer um smart contract? Que vai transferir a posse do meu apartamento para o cara na hora que o cara transfere o dinheiro para mim essa transação aconteceu, não tem intermediário. É isso que se imagina no futuro?Tiago: Szuster, eu não imagino você fazendo um smart contract. Para isso funcionar, teria alguma entidade que faria isso por você, na minha cabeça.Szuster: Tem que ter alguém ali no meio fazendo.Tiago: No fim das contas teriam entidades fazendo. Você faria as transações usando blockchain sem ver que está usando. Igual hoje você usa banco de dados o usa algumas outras tecnologias sem saber que está usando. Para mim o futuro é esse.Szuster: Entendi esse processo (inint) [01:08:23] (Como se houvesse) [01:08:23] uma empresa que faz isso, mas aí o custo acabar sendo bem mais barato, por exemplo, da transação porque…Vinícius: O ponto é esse. Porque o valor que muitas vezes o cara no meio agrega é exatamente dar a confiança, mas você não precisa mais disso para dar confiança, o ticket abaixa, o que o cara cobra.Szuster: Mas que curioso, então não é uma desintermediação total, total não, não é? Não é uma desintermediação total porque eu posso não saber usar a tecnologia direito e levar algum ferro. Mas tem alguém ali no meio. É tipo isso?Tiago: Eu acho que no futuro terão as duas alternativas. Por exemplo, igual hoje na rede do Bitcoin, você tem as exchanges centralizadas que são muito usadas e você também tem as transações peer-to-peer entre as pessoas. Então assim, sempre vão ter os entusiastas da tecnologia que vão utilizar diretamente de forma descentralizada, mas para mim, assim, eu não consigo imaginar um mundo em que a gente não vai ter as entidades centralizadoras em determinados cenários. Para mim parece impossível isso acontecer, mas pode ser que eu seja muito cético também.Duarte: Só complementando essa questão dos smart contracts e tal, essa questão assim de vai ser a descentralização total, você vai tirar totalmente o intermediário, é mais uma questão assim, você não tira totalmente, só que você tira um pouco da confiança na pessoa para transferir para a confiança na tecnologia, no sentido assim, tem gente que acha… quando eu falo assim “tem gente”, é mais assim, perguntas em aula e em fórum. Às vezes você fala assim, “então o Ethereum é bom porque tem contrato inteligente”, e às vezes as pessoas acreditam assim “contrato inteligente é um negócio que não falha”, muito pelo contrário, tem um tanto de falha aí que gerou prejuízos milionários. O negócio do contrato inteligente e do uso da blockchain para aplicação, é que alguém não pode ir lá e mudar sem você saber. Alguém não pode ir lá e falar assim “mudei o código aqui e você está chamando só uma API aqui e você não vai saber”. Então assim, é lógico que na prática, se você está usando uma interface de front end, você está entrando em um site e esse site está interagindo com a blockchain para você, esse site em si, que é o intermediário, ele pode parar de chamar um contrato confiável e começar a chamar um outro. E aí entram as questões de auditoria técnica, de vários agentes auxiliando, que é essa questão assim de que você não vai mais confiar no cara porque ele é o governo, porque ele é o banco, você vai confiar porque ele tem selos de auditoria que o smart contract dele, que o site dele é (open source) [01:11:11] é transparente está fazendo exatamente aquilo que ele faz.Szuster: Entendi.Duarte: E aí já que está chegando ao final, tem um negócio que eu queria falar também. O Tiaguinho quando estava explicando o que eles estão fazendo, o Auctus ele falou uma frase assim “opções é um caso de uso muito interessante para smart contract”. Eu queria falar até um pouco das ondas de blockchain que a gente viveu. Que tipo assim, em 2017 o Ethereum, a plataforma, surgiu no meio de 2015 e surgiu assim, eles fizeram um (ACO) [01:11:56] não foi igual o Bitcoin que surgiu sem valer nada e foi crescendo devagarzinho, eles já surgiram causando impacto, já surgiram arrecadando 18 milhões de dólares. Só que demorou um pouco até alguém ir realmente usando. Então assim, 2016 começaram a ter os primeiros ACOs, os primeiros tokens e 2017 foi a febre de todo mundo falar que ia usar contrato inteligente para tudo. Então você tinha assim, a galera arrecadando dinheiro para fazer, sei lá, inteligência artificial usando blockchain, Airbnb na blockchain, Facebook na blockchain, um super computador na blockchain. E eles começaram a ir além. Tipo assim, banana token, é token disso, token daquilo, tipo assim, pegar um monte de coisa, tudo o que eles olhavam assim e falava assim, “isso aqui ainda não está no blockchain”.Vinícius: Duarte, tinha aquela moeda do cachorrinho que valia muito.Duarte: Mas essa tem ainda. Essa é de antes do Ethereum.Szuster: Se tivesse lançado Seu Madruga token tinha bombado, cara, você deu bobeira na época.Felipe: O Duarte comentou no início do episódio sobre vende gatinho, é caso real, esse é um caso real.Duarte: Eu posso falar até um pouco mais dos gatinhos também antes de fechar. Mas só finalizando essa questão de caso de uso de smart contract, tipo assim, uma das grandes causadoras do rompimento daquela bolha de 2017, tipo assim, a tecnologia blockchain não deixou de existir, o Ethereum continua valendo muito acima do que ele valia no início de 2017, só que teve aquela subia meio irracional, todo mundo falando que ia fazer tudo com contrato inteligente e de repente deu aquela quebra, vários projetos desapareceram, outros pivotaram, e várias moedas das principais, o Bitcoin e o Ethereum desvalorizaram e depois começaram a subir devagarzinho de novo. E aí você vê que a tecnologia, por ser muito recente, ela está passando por essas ondas de amadurecimento e agora ela está começando a ter produtos, a ter uma nova hype nessa questão de DeFi que tem muito mais relação com o que a tecnologia consegue fazer hoje. O próprio Auctus no produto que a gente tinha em mente de fazer assim, relacionado a aposentadoria por questões assim de usar essas características da imutabilidade, da transparência da blockchain para resolver problema de fraude, de perda de registro e tudo mais, só que por ser uma coisa assim muito ligada ao governo, a questões regulatórias, a tecnologia assim de ativos tokenizados, de validade de documentos registrados na blockchain que eram necessárias, elas estão começando a surgir agora. Então agora, o que o pessoal está fazendo? Eles estão criando liquidez para tokens relacionados a ativos reais, no caso o mais comum é o dólar, então hoje você tem várias opções de criptomoedas que tem o intuito de serem estáveis, de valer um dólar. E aí você pensa assim, “pra que eu vou mexer com uma criptomoeda que não vai valorizar dez vezes, 1000% em um dia”. Porque assim, tem muita gente que acha que criptomoeda, vou comprar uma criptomoeda que tem o potencial de ficar subindo, para que eu vou comprar uma que tem o objetivo de valer só um dólar?Vinícius: Ela é o (dipara) [01:15:31] para o mundo real.Duarte: Pela existência dessas stablecoin, isso que está viabilizando outras aplicações, outras startups crescerem e tudo mais. E o pessoal para fomentar esse uso, eles estão incentivando agora de outro jeito, não é mais assim você vai comprar essa moeda e ela vai valorizar dez vezes. Agora é assim, “se você deixar ela aqui, colocar liquidez aqui na minha Exchange descentralizada, você tem a garantia de que essa sua moeda vai valer um dólar, só que você vai ganhar umas recompensas em forma de outra coisa, um outro token, (juros) [01:16:06]Szuster: O principal aí que o Tiaguinho falou, interessante. Interessante, você vê que o Gartner tem uma curva famosa que você tem as expectativas infladas, tem o pico das desilusões.Vinícius: É o vale das desilusões. É nesse artigo de 2016 aquele…Szuster: …é o pico das expectativas infladas.Vinícius: Nesse artigo de 2016 ele fala assim, “muito provavelmente já estamos no pico”. E de fato começou a vir na sequência. Porque assim, essa questão que o Tiaguinho falou, o Tiago e o Duarte, do DeFi de fato esse tipo de aplicação é muito mais concreta agora. Eu lembro que um projeto que a gente fez com um cliente há mais tempo, um ponto chave era como você faz esse diparo para o mundo real. Imagina uma aplicação bem simples, por exemplo, de uma seguradora de veículos, sei lá, você claramente eliminaria o (meio) [01:17:01] com smart contract, mas o problema está no diparo do mundo real. Por exemplo, como é que eu sei que o carro bateu? Então assim, vários artigos falam que talvez daqui alguns anos, daqui uns cinco, dez anos, tenha uma segunda onda gigantesca que vai vir por causa de IOT. Se você tiver um dispositivo com IOT que ele já representa uma entidade que tem uma chave privada ali, que ele já consegue postar uma informação, ele pode disparar uma ação, por exemplo, de pagar um valor de indenização de um contrato, por exemplo, de uma batida de veículo. E eu já li artigos também que falam que em um período intermediário podem surgir muitas empresas que fazem esse diparo para o mundo virtual, que é um ponto que o Tiago falou que querendo ou não, talvez você tenha uma centralização intermediária ali.Szuster: Eu acho que esse assunto sempre deixa um tanto de dúvida, mas eu acho que deu para entender que no fundo é uma tecnologia que permite a tal da distribuição da confiança é a de um caminho enorme para você ir desintermediando e eliminando, ou deixando só os intermediários que são realmente necessários e fazer com que o mundo vá ficando cada vez mais peer-to-peer como se o mundo ficasse mais… você fosse reduzindo a (ficção) [01:18:14] nos negócios, diminuindo o custo de transação. Achei super legal e podemos fazer outros episódios aí mais para frente. Abração para vocês.Tiago: Valeu, pessoal, obrigado.Felipe: Valeu, pessoal.Duarte: Queria agradecer o convite e falar que igualmente. Szuster, muito bom ver vocês aí, mesmo que remotamente, ver a cara de vocês, conversar de novo, um abração aí. E obrigado aos ouvintes aí também.Szuster: Valeu, pessoal.Vinícius: Valeu, pessoal.
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os agilistas

#95 Hypes dos negócios: Blockchain

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