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Diurno

O modelo de gestão escalável da dti: descentralização por tribos

“Somos Tribais”​ – Viva como uma “tribo”​ e encontre sua “vaca”​! Como assim? Nesse artigo você vai conhecer o nosso modelo de gestão escalável que permitiu a dti expandir sua estrutura organizacional rapidamente e com qualidade.

Minha esposa costuma rir quando, em encontros de família e amigos, eu solto a seguinte frase ou similar: “Eu descobri que sou muito tribal”! De fato, eu costumo falar mais quando estou um pouco mais “alegre”, depois de algumas cervejinhas e uns vinhos.

Mas por que eu escolhi abordar este tema em um post aqui no blog – acho que este aspecto tem tudo a ver com os valores, princípios e forma de trabalho da dti e achei que seria interessante elaborar a respeito.

Resgatando um pouco de história

Todo este processo do “somos tribais” se intensificou bastante quando a seleção natural favoreceu humanos com cérebros cada vez maiores e com um nascimento cada vez mais prematuro. Cérebros grandes propiciavam a descoberta e manipulação de novas ferramentas e estratégias de sobrevivência, mas provocavam também um acréscimo nas mortes maternas em função de dificuldades no parto; o que, por sua vez, provocou uma seleção natural de humanos capazes de sobreviverem a partos cada vez mais prematuros, quando o cérebro e o crânio ainda estão pequenos. Este processo ocorreu há mais de 2 milhões de anos atrás.

 

 modelo de gestão escalável

Mas o que isto tem a ver com modelo de gestão escalável? E como assim “somos tribais”?

Ocorre que, para criar humanos prematuros, a mãe precisa cada vez mais de ajuda para a criação em si, como também, para a aquisição de alimentos e segurança. Ou seja, para criação de seres prematuros, uma estruturação social em tribos é bem interessante!

Em palavras do Yuval Hahari, “It takes a tribe to raise a human”.

A comparação com vários outros animais, neste sentido, é bem fácil – um potro, uma girafa, um bezerro já conseguem andar logo ao nascer, por exemplo, enquanto os bebês humanos demoram meses, às vezes anos, para isto.

Desta forma, para a convivência e “negociações” dentro de uma tribo, uma evolução de habilidades sociais foi extremamente “priorizada” por um modelo de seleção natural.

A teoria da “conversa fiada”

Um outro passo nesta sequência do “somos tribais” foi o desenvolvimento de uma linguagem bastante complexa, habilitadora de “fofocas” que viabilizaram o mapeamento da reputação dos integrantes de uma tribo, possibilitando a formação de grupos cada vez maiores de pessoas, com um nível de cooperação sem precedentes. Este passo evolucionário é suportado pelos estudiosos e especialistas como a “gossip theory”. Há outras teorias também, mas esta é suficiente para a elaboração do raciocínio.

É exatamente por isto que somos capazes de ficar horas e horas em grupo conversando sobre “bobagens”, “trivialidades” e outros. Deve ser por isto que tanta gente gosta de programas como “big brother”! Meu pai costuma dizer que o pessoal está “conversando fiado” – uma expressão de quem mora no interior e que ilustra exatamente os efeitos da “gossip theory”.

E o mais importante – toda esta complexidade de linguagem nos tornou capazes de nos comunicar sobre coisas completamente abstratas, que não existem no mundo físico. Lendas, mitos, deuses, países, partidos políticos, leis e outros são formas de expressão desta linguagem altamente complexa, o que possibilitou um nível de cooperação superior a tudo que existiu até então e que alavancou enormemente a dominância humana sobre os demais animais.

Isto possibilitou não somente o fortalecimento das tribos, mas também relações e cooperações intertribos em maior escala.

E os chimpanzés com isso?

É importante ressaltar que o início do comportamento social pode ser observado em animais dos quais descendemos, como os chimpanzés. Mesmo com a capacidade de formação de bandos menores (linguagem bem menos complexa que a humana) é possível observar que os machos alpha não são necessariamente os mais fortes, mas aqueles com habilidades sociais mais aguçadas, sendo capazes de formar alianças para lutar com outros grupos de animais ou outros machos que tentem ocupar sua posição.

Essas interações sociais dos chimpanzés se dão de várias formas, variando desde abraços, “tapinhas nas costas”, “cafunés”, compartilhamento de alimentos e até mesmo uma simples aproximação física – o que também podemos observar em nossos comportamentos.

Poderíamos aprofundar em mais exemplos, situações e comparações, mas acredito que o grande ponto foi estabelecido – enquanto caçadores e coletores, ou seja, até o início da revolução agrícola, há cerca 12 mil anos atrás, a seleção natural favoreceu um altíssimo comportamento social e tribal e é exatamente na revolução agrícola que vários de alguns problemas “psicológicos”, que podemos observar atualmente, começaram a se desenhar em maior escala.

Na minha visão, o grande problema do “somos tribais” passou a ser de um modelo social cada vez mais baseado em propriedade privada e no individualismo e isto certamente teve grandes saltos na revolução agrícola.

Adaptação e antifragilidade em um modelo de gestão escalável

A sociedade de caçadores e coletores era altamente versátil e, de certa forma, bem resiliente, talvez até podendo ser classificada como antifrágil – lembrando aqui a narrativa do Nassim Taleb em seu livro “Antifragile”.

O motivo para isto é que os caçadores e coletores conviviam com um modelo e uma realidade de mundo coerentes – complexo, quase caótico. Em um modelo de mundo assim, a necessidade de mudança de um “lar” ou realidade para outra é algo completamente normal. Se houve uma enchente, ok, “vamos buscar um outro lugar”. Esta linha de raciocínio era bastante comum e para a qual todos estavam preparados o tempo todo.

Era uma vida com muito mais “aventura”, com maior variabilidade em termos de alimentação, um modelo de vida com muitas surpresas, porém surpresas que faziam parte da expectativa de todos.

Com a revolução agrícola, as vilas começaram a se formar e passou a existir um conjunto de coisas, utensílios, terras e similares que pertenciam a alguém ou a um grupo de pessoas, ou seja, a propriedade privada.

Mas então, a propriedade privada e o individualismo são ruins?

Não necessariamente. Foi o início do estabelecimento de um ambiente menos caótico, cada vez mais ordenado. O ponto é que o mundo em si, continua sendo caótico, no mínimo complexo, mesmo que isto seja evidenciado somente no médio prazo, mas como isto?

Uma enchente, que provocaria pouco impacto para uma tribo de caçadores e coletores (já era algo esperado por eles) passou a provocar uma impacto gigantesco para uma vila agrícola, provocando talvez até a sua derrocada e por quê? Por que as vilas passaram depender de uma ordem estabelecida e agora frágil a um evento do “mundo real”, complexo e em grande parte com um toque de imprevisibilidade.

Mas aprendemos a cada vez mais impor ordem no ambiente, o que foi se intensificando com as outras revoluções, como a industrial e as que estamos vivendo atualmente.

O ponto é que fomos nos afastando cada vez mais do modelo tribal para um modelo mais especializado e individualizado, o que parece ter provocado uma avalanche de problemas mentais, como ansiedade e depressão.

Em vários pontos, os indivíduos de uma tribo de caçadores e coletores eram muito mais multidisciplinares e mais inteligentes que nós. Como posto pelo Yuval – “But at the individual level, ancient foragers were the most knowledgeable and skilful people in history.”. Há, inclusive, evidências que suportam um decréscimo de nosso volume cerebral, desde então.

Há várias argumentações no sentido que a vida de caçadores e coletores seria mais prazerosa em função desta não alienação que era conquistada muito em função da multidisciplinaridade, além de aspectos de variabilidade nutricional, principalmente se comparada a grande parte da história da sociedade agrícola.

O que mais precisamos nesse modelo de gestão escalável de tribos?

Buscando outras referências para ilustrar e exemplificar o ponto, recentemente eu vi um episódio de TED do Johann Hari (This could be why you’re depressed or anxious) que tem tudo a ver com este artigo. É uma excelente fonte de informação e foi algo que reforçou a minha crença de que “somos tribais” e precisamos de uma “vaca” hehe. Veja o episódio e entenderá.

 modelo de gestão escalável

É bem notório e fácil de observar que já vivemos em uma sociedade extremamente individualista e que destoa completamente de nosso portfólio genético, que nos selecionou para um modelo de vida tribal.

Um fato que pode passar despercebido e até mesmo ser considerado bom é que cada vez a sociedade tem mais condições de ter residências com cada vez menos pessoas e com uma vida altamente individualista. Muitas vezes com apenas uma pessoa e quando há mais de um morador, é comum que cada um esteja imerso em seu “mundo individualista” do celular e isto ocorre cada vez mais cedo com as crianças, inclusive aqui em minha casa.

Canalizando tudo que foi argumentado e descrito até aqui, no sentido de uma conclusão, e para o lado mais corporativo da coisa, caminhamos durante muitos anos para um modelo cada vez especializado, hierárquico, focado em departamentos, com metas e reconhecimentos individuais e com uma mentalidade de comando e controle; o que seria o oposto ao modelo para o qual fomos selecionados geneticamente, que é um modelo tribal, mais multidisciplinar, orientado a um propósito, com maior autonomia em um nível de tribo e muito mais flexível.

A vingança dos nerds

O lado bom é que, em muitos lugares esta realidade está mudando e um destes lugares é a dti (no mínimo, estamos tentando), além de diversos outros; e este movimento se iniciou na área de desenvolvimento de software e está sendo explorado agora em várias outras áreas e até mesmo negócios inteiros – como o Szuster (CEO da dti) diz, estamos vivendo a “Vingança Nerd”.

Para fechar – Quando criança, fui criado em um quarto compartilhado com meus irmãos, e passávamos o dia inteiro juntos, fazendo brincadeiras, às vezes quebrando as coisas da minha mãe (quem nunca?), entre outros e muitas vezes com os primos também. Mais tarde, quando nos mudamos para uma residência maior, com um quarto para cada um dos filhos, eu brigava com meus irmãos para ficarmos juntos na sala, mas eles queriam assistir TV no quarto. Fui em uma loja e comprei uma TV bem grande para ficarmos juntos, mesmo que fosse apenas vendo TV. Essa é apenas uma das estórias neste sentido – não contarei outras para não passar vergonha!

 modelo de gestão escalável

Talvez eu seja mais “tribal” que a média – hehe, minha esposa vai gostar dessa – mas acho que a provocação pode ser válida e útil para várias pessoas. 

Viva como uma “tribo” e encontre sua “vaca”!

IMPORTANTE – Alguns trechos e uma parte da inspiração deste post veio do livro – Harari, Yuval Noah. Sapiens

dti – linkedin.com/company/dtidigital